Marco Nanini fala sobre casamento aberto e defende personagem gay no cinema: "Não se pode proibir"

Marco Nanini no Cine Ceará. Foto: Rogerio Resende/divulgação

No ar em “A Dona do Pedaço” como os irmãos Eusébio e Juninho, Marco Nanini vai ser visto em breve nos cinemas em um papel diferente de tudo que já fez. Na pele de Pedro, o enfermeiro gay protagonista de “Greta”, dirigido por Armando Praça, é considerado pelo ator como seu personagem mais ousado no cinema.

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“Queria fazer um trabalho que falasse de um homem envelhecendo e acertando as contas com a vida. Em que pudesse mostrar o meu corpo envelhecido. Não quero fingir que não envelheço. Esse roteiro era o que eu procurava. Achei que não devia ter pudor nem preconceito comigo mesmo. O personagem está do meu lado, não estou me exibindo, mas mostrando o personagem. As cenas de sexo eram necessárias para contar a história e foram feitas com bom gosto”, comentou o intérprete, em entrevista ao jornal “O Globo”.

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Previsto para chegar aos cinemas em outubro, o longa ganhou os prêmios de melhor filme e melhor ator no 29º Cine Ceará, mas também provocou reações fortes da plateia.

“Dois casais saíram dizendo que não queriam ver esse tipo de coisa. Ok, acho perfeito, mas tem que ter. Não se pode proibir isso de existir. Ainda bem que já está feito, né?”, opinou.

O ator afirma que é importante lançar um longa com essa temática no Brasil de 2019, quando até histórias em quadrinhos são alvo de censura. “Proibir livro? Que isso, voltamos à Inquisição? É uma coisa tão escandalosamente retrógrada...”, disse.

Há 31 anos, Nanini está num relacionamento com o produtor Fernando Libonati, seu sócio, com quem formalizou a união com um contrato de união estável. O casamento, segundo ele, é “abertíssimo”.

“A gente fez uma convenção em Barcelona. Ele queria ir para a boate, e eu gosto de ficar em casa. Sou gêmeos com câncer, é uma tristeza... Então, propus: ‘Nando, vamos fazer o seguinte: faz o que você quiser e eu também posso fazer o que eu quiser. Só não vale ofender e expor’”, contou.

Mas existem regras na convivência. “Não precisa contar tudo, né? Aliás, quanto mais escondido for, melhor. Mas também não temos mais aquela coisa... (refere-se à vida sexual) Eu, pelo menos, não tenho mais o que querer nesse aspecto. Quero é sombra e água fresca, porque cansa muito, né? (risos) Como é delicioso ficar quieto...”, brincou.