Marcelo Nova acusa Charles Gavin de vetar entrevista; ex-Titãs diz nem ter esse poder

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Concebido para ser uma celebração do rock nacional dos anos 1980, o festival Rock Brasil 40 Anos se vê agora no meio de uma confusão entre dois músicos de bandas ícones daqueles tempos. Marcelo Nova, do Camisa de Vênus, veio a público acusar Charles Gavin --ex-Titãs e que servia como comentarista da transmissão do evento pelo Canal Brasil-- de ter vetado a entrevista com sua banda após o show.

"Ele não imaginou que o feitiço iria virar contra o feiticeiro ao fazer esse papel ridículo", afirma Nova, que espalhou o caso nas redes sociais do Camisa de Vênus.

Charles Gavin nega ter vetado a entrevista com banda. Segundo ele, ele nem tem esse poder. "Sou contratado para ser comentarista e tenho um diretor que me diz o que fazer. Eu não posso vetar nem incluir ninguém."

Responsável pela transmissão em questão, o diretor do Canal Brasil, André Saddy, diz que naquela noite só sobraram quatro minutos após o fim da apresentação do Camisa de Vênus. "Consideramos que não havia tempo para a banda descer do palco, ir para a sala e dar uma entrevista. Optamos por voltar aos apresentadores e pedir que encerrarem a transmissão."

O episódio aconteceu durante o feriado de Tiradentes, na semana passada. Era a segunda etapa do festival no Rio de Janeiro, após apresentações em outubro de 2021 -naquela primeira ocasião, o Camisa também tocou e foi entrevistado.

Desta vez, o evento acontecia na Marina da Glória. Para aquela quinta (21), o festival tinha escalado as bandas Plebe Rude, Titãs, Ira! e, fechando a noite, Camisa de Vênus.

A maior parte do evento foi transmitida ao vivo pelo Canal Brasil. Após cada show, enquanto a banda seguinte se preparava para assumir o palco, o grupo que tinha acabado de tocar era levado a uma sala com a apresentadora Simone Zuccolotto e Charles Gavin para dar uma entrevista.

O protocolo foi seguido com Titãs e Ira!. Mas, quando o Camisa de Vênus desceu do palco, Marcelo Nova foi informado de "que havia acontecido uma queda no sinal da transmissão e, portanto, seria impossível fazer a entrevista", segundo o comunicado que ele compartilhou nas redes sociais.

No dia seguinte, Nova conta ter lido inúmeros posts de fãs questionando a falta da entrevista. As mensagens diziam que a transmissão continuou após o show e que os apresentadores seguiram falando entre si, mas não sobre o Camisa de Vênus. Nova também reclama que sua banda quase não foi citada na transmissão, ao contrário de outras que tiveram as carreiras e discos comentadas pela equipe televisiva.

"Restou, então, a pergunta: por que o Camisa de Vênus não foi entrevistado, nem citado?", escreveu Nova no comunicado oficial na segunda-feira (25). E respondeu: "Por não se enquadrar em mensagem e postura com a narrativa defendida por essa gente pérfida que vive tecendo loas à democracia. [...] Mas quando alguém não possui o discurso afinado com essa 'tchurma', os valores democráticos desaparecem e dão lugar à censura, ao cerceamento e à covardia".

À reportagem, Nova disse que Gavin exerceu o "pequeno poder de gerente de botequim da esquina. É triste ver um sujeito com essa idade se comportar de forma pérfida e sorrateira. Não acredito que foi o Canal Brasil. Foi uma decisão individual dele [Gavin]. Agora, até o canal está constrangido."

Gavin diz lamentar que Nova o considere responsável pela situação e que nunca teve problema algum com o Camisa de Vênus. "Entendo a queixa, mas estamos ali para celebrar os anos 1980. Por qual motivo iríamos boicotar alguém que foi convidado para o evento? É importante dizer que o show do Camisa de Vênus foi transmitido na íntegra; não houve boicote nenhum", afirma Gavin.

"Quanto ao programa que acompanhou as apresentações, eu estou sendo dirigido pelo diretor. Se ele pede que eu faça uma entrevista, eu farei. Se ele diz para encerrar o programa, eu encerro. Não mando em nada", diz o ex-titã.

"Talvez o Marcelo Nova tenha se nutrido do ódio típico das redes sociais. Até em festival de rock as pessoas estão politizando. Ora, dizer que o Canal Brasil é parte da Globo e que o Camisa de Vênus não se encaixa na Globo é uma bobagem, uma teoria de conspiração. Não houve politização ali", afirma. "E não aceito insinuações dessa natureza, de 'só entrevistar quem eu gosto'. Sou profissional."

O diretor do Canal Brasil corrobora a fala de Gavin ao dizer que a escolha de entrevistados é uma decisão editorial do canal, e não de um comentarista ou repórter. "E neste caso, a orientação era entrevistar o máximo de artistas possíveis."

Segundo André Saddy, o canal alugou um caminhão para fazer um link ao vivo da Marina da Glória por um determinado número de horas. "Em algumas noites, no fim do último show, sobravam 10 ou 15 minutos e levávamos a banda para a entrevista. Mas naquela noite, sobraram só quatro. Além de nosso tempo contratado ter se esgotado, temos uma grade da emissora que não podemos desrespeitar. Acho que tudo foi apenas um mal-entendido."

Nova mesmo assim segue questionando o episódio. "É um ato vil e covarde. Quero muito saber o motivo. Eu não vou deixar isso barato. Vou esclarecer isso, porque hoje sou eu, amanhã quem sabe? E se isso virar uma prática?"

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