Marcelo Adnet diz que não se arrepende de ter contado sobre abusos na infância

LEONARDO VOLPATO
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O comediante Marcelo Adnet, 38, foi o convidado da noite desta quarta-feira (15) do programa Saia Justa (GNT). Em entrevista a Pitty, Astrid Fontenelle, Mônica Martelli e Gaby Amarantes, contou mais detalhes de tudo o que anda acontecendo em sua vida após revelar que sofreu abusos sexuais na infância.

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O humorista revelou em entrevista à revista Veja que foi vítima de abuso sexual duas vezes na infância. Segundo ele, o crime aconteceu primeiro quando ele tinha sete anos e depois aos 11, e deixou traumas.

Em live direto da casa dele, no Rio de Janeiro, Adnet contou que demorou 25 anos para comentar sobre o assunto e só falou depois que um dos agressores, que não era de sua família, morreu.

"Muitos anos depois consegui verbalizar para a família. Falei com minha mãe há poucos anos sobre isso, porque eu não queria ferir meus pais, pois eles não tiveram culpa. Queria poupá-los dessa chateação", disse.

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Adnet revelou que no primeiro abuso, aos sete anos, ele chegou a ter sorte de os pais e avós voltarem para casa no momento em que o agressor estava consumando o ato.

"Depois, no episódio aos 11 anos, eu já sabia o que aquilo era. São várias camadas de dor e complicação. Hoje posso falar com tranquilidade, pois tive tempo para assimilar", disse.

O comediante comparou o seu caso com o momento em que vivemos. "Eu senti que é quase uma pandemia, que a gente não encara esses problemas porque é tabu. Se é tabu vamos enfrentar o tabu e falar. Apesar das camadas de proteção ao abusador e as camadas cruéis de internet, existe uma rede de proteção a quem fizer denúncia", afirmou.

Adnet fez questão de incentivar que as pessoas que estejam passando por algo similar contem a alguém e pediu que denunciar seja algo normalizado nesses casos. Na entrevista à Veja, o humorista afirmou que fez terapia para superar o trauma sofrido.

A Marinha do Brasil informou, por meio das redes sociais, que abriu um procedimento interno para averiguar a denúncia de que um membro da corporação fez ataques contra o humorista Marcelo Adnet. O artista foi alvo de comentários na web após revelar que sofreu abuso sexual na infância.

Sobre os ataques, Adnet disse no Saia Justa que, apesar dos ataques baixos e cretinos que recebeu após revelar os abusos, às vezes ele ria de pena de quem o atacava. E contou também que a quantidade de carinho e apoio foi muito maior.

"Para o menino, quando ele é abusado, dizem que é baitola, veado, que tomou porque gostou. Claro que existe o medo do ataque homofóbico. As pessoas usam dessa carta tão baixa como forma de constranger a vítima", opinou.

Adnet não se arrepende de ter contado pelo que passou. "Eu teria vergonha de dirigir bêbado, de avançar sinal vermelho, de não pagar impostos. Não tenho vergonha de ter sido vítima de abuso."

O humorista terminou o papo pedindo para que o governo adote ensinamentos de educação sexual desde a infância para que todos possam entender melhor o próprio corpo e a perceber quando algo de diferente acontecer.

"A única resposta que vamos ter é se tornar isso uma iniciativa pública, que educação sexual aconteça. E hoje vamos na contramão disso com essa política de não falar do assunto. A criança pode se sentir mais a vontade de falar com professor do que com pais", finalizou.

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