Marcas fazem roupa para quem não se vê dentro de caixinha, diz diretor da SPFW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - É difícil definir uma ou outra tendência do que se verá nas passarelas da 54ª São Paulo Fashion Week, semana de moda com início nesta quarta-feira (16), mas uma pesquisa entre marcas com menos tempo de vida mostra que seus diretores criativos estão investindo no desenvolvimento de roupas que podem ser vestidas por moças e rapazes -ou por quem não se identifica com um ou outro gênero- indistintamente.

A Anacê, por exemplo, grife de Cecília Gromman fundada em 2019, aposta num resgate da alfaiataria para o público jovem, com a ideia de "questionar a silhueta do corpo", afirma a estilista, dando como referência o artista Flávio de Carvalho -na década de 1950, o modernista chocou a sociedade paulistana ao andar pelas ruas da cidade vestindo saia. As ideias de Gromman tomam a forma de peças amplas e fluidas em tecidos como algodão, viscose e seda.

Mesmo sem falar em indistinção de gênero, a carioca Handred vende moda inclusiva -túnicas pretas ou com estampa de coqueiro que parecem delicados lençóis esvoaçantes sobre o corpo, camisas de seda com listras de veludo que alongam a silhueta e camisas com tecido vazado de tamanho único que deixam entrever o tórax. A nova coleção, inspirada em Santa Teresa, o bairro do Rio de Janeiro, marca os dez anos da grife.

Já a Korshi 01, marca de Pedro Korshi, que desfila na Vila Itororó uma coleção em homenagem à classe trabalhadora, emprega sarja e denim na criação de peças funcionais, tipo uma calça que vira bermuda e uma camisa de mangas longas com botões ocultos que, ao serem destacados, tornam a vestimenta uma peça de mangas curtas.

As coleções procuram atender a um público "que não quer mais se ver dentro de uma caixinha específica", afirma Paulo Borges, o diretor criativo da SPFW. Segundo ele, essa é uma demanda de mercado e não faz mais sentido os estilistas ficarem dentro de uma sala ditando as regras de como a moda deve ser. "Essa é a maravilha de hoje em dia."