Maradona teve grandeza, mas nenhum espírito esportivo, diz goleiro da Inglaterra em 1986

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Ex-goleiro da seleção inglesa Peter Shilton em Londres em 2017

(Reuters) - Diego Maradona tinha grandeza em si, mas ter se recusado a se desculpar pelo gol da "Mão de Deus" que contribuiu para a eliminação da Inglaterra da Copa do Mundo de 1986 provou que não tinha espírito esportivo, disse Peter Shilton, ex-goleiro da seleção inglesa.

Maradona morreu de ataque cardíaco em sua casa, no subúrbio de Buenos Aires, na quarta-feira, menos de um mês antes do 60º aniversário.

Shilton estava no gol inglês na quarta de final do Mundial no México quando, aos seis minutos do segundo tempo, Maradona saltou diante dele e tocou uma bola alta com o punho depois de o goleiro disparar para desviá-la.

"Uma falta clara. Foi roubo", escreveu Shilton no Daily Mail.

"Ao correr para comemorar ele até olhou para trás duas vezes, como se esperando o apito do árbitro. Ele sabia o que havia feito. Todos sabiam – tirando o árbitro e dois assistentes."

Quatro minutos depois, Maradona fez outro gol considerado por muitos o maior já marcado em uma Copa do Mundo depois de driblar metade do time inglês, mas Shilton disse que o primeiro gol do argentino é o que importa.

"Não me importa o que outros digam, ele (gol de mão) deu o jogo à Argentina", acrescentou.

"Ele marcou um segundo brilhante quase imediatamente, mas ainda estávamos atordoados com o que havia acontecido minutos antes... isso me incomodou ao longo dos anos. Não mentirei sobre isso agora."

Shilton disse que o fato de Maradona nunca ter se desculpado ainda causa ressentimento nele e em seus colegas de equipe de então.

(Por Simon Jennings em Bengaluru)