‘Máquina de vendas', São Paulo precisa escolher caminho para evitar déficit gigantesco

Reinaldo lamenta após a eliminação da pré-Libertadores de 2019 (Alexandre Schneider/Getty Images)

O São Paulo fecha a segunda década dos anos 2000 com apenas um título – a discutível Copa Sul-americana de 2012. Mais do que o sofrimento com a falta de taças, o torcedor Tricolor cada vez mais viu o time vender jovens promessas e afundar financeiramente com apostas erradas em veteranos ou quedas precoces em competições. 

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O clube fecha 2019 com um déficit de R$ 180 milhões. Na última década, não foram poucos os jogadores que acabaram negociados para diminuir erros de dirigentes ou pagar altos salários de atletas. Na atual temporada, o Tricolor paulista apostou alto na Libertadores (expectativa de chegar nas quartas de final) e na Copa do Brasil (expectativa de semifinal), mas sequer chegou próximo nas duas competições. Tudo isso custou muito alto para o clube, que perdeu dinheiro de transmissão, sócio torcedor e bilheterias.

Outro ponto de bastante preocupação dentro do clube é o crescimento da dívida. O São Paulo fez acordos judiciais para pagamentos – como com a Companhia de Engenharia de Tráfico (CET) de São Paulo, no valor de R$ 5 milhões, questões envolvendo um investidor na compra de Ricardinho, em 2002 (R$ 30 milhões) e disputas com atletas por direito de arena (R$ 25 milhões). Apesar de não precisar pagar esses valores em 2020, isso passa a ser contabilizado dentro do balanço de 2019. 

De dezembro de 2018 e 2019, a dívida do clube aumentou em mais de R$ 100 milhões. Além das quedas precoces nas competições e dos acordos judiciais, o clube fez um altíssimo investimento no futebol e não colheu nenhum resultado. As chegadas de Daniel Alves, Alexandre Pato, Juanfran e Hernanes foram custosas para o São Paulo. Os dois primeiros, por contrato, receberão aumento para a temporada de 2020. Logo, os jovens valores do Tricolor deverão ‘pagar’ para que os medalhões sigam no clube.

Anthony, Walce, Helinho e Igor Gomes são os nomes que o São Paulo negociaria por propostas valorosas. O primeiro está na mira do futebol alemão, mas as negociações não avançaram. O zagueiro Walce teve proposta do Bragantino, mas o Tricolor não deseja vender o atleta para o mercado interno. 

Quais as soluções para o aspecto financeiro em 2020?

O São Paulo precisará negociar jogadores. E nesse momento, o clube precisa tomar uma posição. Por não suportar mais riscos financeiros, o time não pode fazer altíssimos investimentos no futebol para conquistar títulos. Porém, vender atletas como Anthony, Igor Gomes e Walce é renunciar ao futuro desses atletas no clube.

Na semana antes do Natal, o clube aprovou o orçamento de 2020, que aponta mais para ‘sorte’ do que para o ‘juízo’ dos dirigentes. Para a próxima temporada, a ideia do clube é diminuir a dívida em R$ 200 milhões. Por outro lado, as expectativas voltam a ser altas com a classificação para a fase de grupo da Libertadores e na Copa do Brasil. Por todo investimento feito em 2019, o clube precisará dar respostas em campo.

O orçamento do próximo ano prevê receber 33 milhões de euros (R$ 155 milhões) em venda de jogadores. E o time precisa cortar altos salários de atletas do elenco de futebol. O departamento também passa por mudanças, quatro profissionais foram demitidos e outros deverão ser substituídos até o começo do Paulistão em janeiro.

Até 2023, o São Paulo pretende diminuir em sua totalidade a dívida com os bancos, que atualmente é de R$ 55 milhões. Outro fator que pode implicar em mais problemas financeiros no clube é a eleição no próximo ano. Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, não poderá ser reeleito presidente do clube, mas o seu apoio pode definir o rumo do clube nos próximos anos.

O orçamento ainda prevê um superávit de R$ 68 milhões. Porém, para chegar nesses valores, o clube precisará vender jogadores, alcançar oitavas de final da Libertadores, quartas de final da Copa do Brasil e disputar a final do Paulistão. Ou seja, o São Paulo começará mais um ano apostando mais na sorte que no juízo para garantir fechar as contas em 2020.

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