Make para quê? Elas contam como se relacionam com a beleza na quarentena

Há quem abriu mão dos produtos de beleza e quem tem usado a maquiagem como uma aliada para lidar com o isolamento social. Foto: Arquivo pessoal

Por Natália Eiras (@naeiras)

Maquiagem é comumente vista como algo que se usa quando vai sair ao público. Com a população dentro de casa por conta do isolamento social, os pincéis de maquiagem estão encostados na gaveta. Porém, mais do que uma ferramenta para estar “apresentável”, há quem relacione a make com rituais matinais e com um momento de bem-estar. 

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Na quarentena, as pessoas têm procurado formas de manter a cabeça no lugar e, para algumas delas, a maquiagem tem se tornado um aliado para lidar com isso. Há quem que, outrora era viciada em make, e agora tem aberto mão dos produtos de beleza para se conhecer melhor. Outras, por sua vez, aproveitam o momento de se maquiar para brincar, ousar e se divertir. Ou, até mesmo, para diferenciar os dias que seguem. 

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Make como um hobby

Karine Banzai. Foto: Arquivo pessoal

“Sempre tive muita vergonha de sair na rua de ‘cara lavada’ por ter um pouco de acne e ficar cutucando. Tinha vergonha das manchas que deixava. Agora que não vejo ninguém e, quando eu saio na rua é com máscara, tenho feito a maquiagem como um hobby. 

Tenho usado a maquiagem para me sentir melhor mesmo. Como não preciso ficar em videoconferência, não tenho necessidade de fazê-la para estar ‘apresentável’. Faço geralmente para mim mesma, para testar técnicas como usar sombras e glitter na linha d'água, para não esquecer como fazer certas coisas, para tentar algo novo que eu vi e para eu me sentir bem. É mais uma relação com o meu bem-estar e minha autoestima.”

Karina Lopes Banzai, 31, administradora de banco de dados

Make para criar o mood do fim de semana

Amanda Bozza. Foto: Arquivo pessoal.

“Eu passava todos os dias e não saia pra nada sem me maquiar. Como fiquei muito doente na adolescência, um dos efeitos foi uma pele muito maltratada pelo acne. Sempre fui super insegura com a minha pele. Eu usava aquelas bases pesadas até de dia, sentia vergonha. 

Na quarentena minha vontade de maquiar e de me cuidar esteticamente foi lá pra baixo, aí eu tava sempre me sentindo meio largada. Um sábado pela manhã eu acordei e quis ficar 'me sentindo mais bonita' então fiz um super make, com sombra, bem baladona mesmo e fui fazer almoço. Eu percebi que aquilo me deixava feliz e que também era um ritual que separava o final de semana dos outros dias. E passei a fazer isso todos os sábados e domingo. É uma coisa que eu consigo fazer por mim, sem ter que furar a quarentena para ir em um salão ou algo assim. É algo que está aqui e que pra mim faz sentido. 

A minha relação com a maquiagem sempre foi um dever social de 'estar bonita' e 'ser feminina', acho que consegui, depois de tanto tempo e tanta cobrança por aspecto perfeito, tornar esse um momento meu. Como tenho passado a maior parte do tempo sem maquiagem, acho que sairei desse momento aceitando melhor minha natureza, minhas marcas de acne, minhas pintinhas, os sinais do rosto envelhecendo.”

Amanda Bozza, 31, jornalista

Make para se montar para a festa online

Juliana Kataoka. Foto: Arquivo Pessoal.

Desde que virei freelancer, passava menos maquiagem, mas sempre foi algo que fiz antes de ir pro trabalho. Mesmo que fosse para ir me maquiando no Uber. Sinto falta desse ritual porque, ultimamente, está sendo da cama para a mesa do escritório, né? Faz parecer que tudo o que faço é trabalhar. 

Porém, comecei a ir em baladas online, e não quero aparecer para as pessoas com aquela cara de semi-cama. Balada é sempre uma oportunidade de exibir a nossa figura mesmo online. Daí eu só juntei o que eu já amo fazer, que é me maquiar, em uma oportunidade de poder aparecer montada para as pessoas. É quando eu me sinto mais eu. 

Eu adoro ver o meu rosto na melhor versão possível, uma versão elevada e até mais mágica do que é, porque você brinca com as cores, mete uma purpurina, põe um batonzão. É quase como se eu tivesse que sair mesmo, não tenta tanta diferença. Tenho sido menos basiquinha, porque, de casa, não vou precisar lidar com o julgamento alheio. Talvez, depois de tudo isso, eu fique mais ousada nas makes.”

Juliana Kataoka, 34, redatora

Sem make para se sentir bela

Aileen Rosik. Foto: Arquivo pessoal.

“Gosto de maquiagem desde os 13 anos. Não saia de casa sem pelo menos um lápis de olho. Antes da quarentena, me maquiava todas as vezes que saía para o rolê ou para o trabalho, mas sempre cuidando da pele antes e depois. Agora em isolamento, mantive só os cuidados, inclusive protetor solar. Minha pele nunca esteve tão boa. Gosto de como me vejo no espelho. 

Estar em casa por tanto tempo me fez pensar sobre o que importa. Quanta grana já gastei com produtos, sabe? De repente, vejo minha pele linda só com sabonete glicerinado, protetor solar e hidratante. Eu só precisava deixar ela respirar, dando um intervalo maior para a próxima make. Acredito que, depois disso, minha relação com a maquiagem não será a mesma. Vou usar mais esporadicamente e priorizar a saúde da pele, porque isso sim faz eu me sentir mais bela.”

Aileen Rosik, 30, consultora de marketing digital