Manuscrito de Napoleão sobre batalha de Austerlitz à venda em Paris

Jean-Louis DE LA VAISSIERE
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O manuscrito de Napoleão Bonaparte sobre Austerlitz e um mapa da batalha, na galeria de Paris onde foi exibido antes de ser colocado à venda

Um manuscrito ditado e corrigido por Napoleão, no qual o imperador se vangloria relatando a batalha de Austerlitz, a maior de suas vitórias, foi colocado à venda nesta quarta-feira (27) em Paris por um milhão de euros (1,2 milhão de dólares).

De 74 páginas, o texto escrito durante seu exílio na ilha de Santa Elena foi ditado ao seu mais fiel colaborador, o general Henri-Gatien Bertrand, e corrigido por Napoleão, que risca palavras e coloca seus comentários nas margens com uma letra minúscula. 

No total, são 11 anotações. O texto está acompanhado de um plano da batalha em papel vegetal desenhado pelo general.

A venda coincide com o ano do bicentenário da morte do imperador, em 5 de maio de 1821.

A batalha de Austerlitz de 1805 é considerada uma genialidade estratégica, já que o exército de Napoleão, apesar de sua inferioridade numérica, derrotou a coalizão austro-russa ao fingir estava em retirada, atraindo-a para o planalto de Pratzen, a 100 km ao norte de Viena.

Existem vários escritos sobre a batalha, mas este manuscrito em particular mostra um imperador que se esforça para morrer com imensa glória.

O "Dia dos Três Imperadores" - Napoleão, Francisco I da Áustria e o czar Alexandre I -, ocorreu no dia do primeiro aniversário da coroação de Napoleão.

Na véspera da batalha, Napoleão Bonaparte parece atormentado por sua consciência, mas seu lado guerreiro se impõe: "Lamento pensar que perderei boa parte desta gente valente, sofro porque que são realmente meus filhos. Na verdade, às vezes me censuro por esse sentimento porque temo me tornar incompetente para a guerra".

O manuscrito foi adquirido nos anos 1970 por Jean-Emmanuel Raux, proprietário da galeria "Arts et autographes" de Paris.

O texto não emprega a primeira pessoa, mas sim a fórmula: "O imperador diz, faz, decide..."

Toda a campanha que antecedeu a batalha, as retiradas, as negociações para divulgar a ideia da fragilidade do exército napoleônico, são detalhados no texto, assim como o combate.

O heroísmo e o entusiasmo são exageradamente exaltados: "Não havia um só oficial, general ou soldado que não estivesse decidido a vencer ou morrer". Quando, depois dos combates, o imperador caminha pelo campo de batalha coberto de mortos e feridos, "nada mais comovente do que ver essas pessoas corajosas reconhecendo-o. Eles esqueceram seu sofrimento e diziam: a vitória estava pelo menos garantida?"

Os russos foram derrotados em apenas nove horas, alguns deles se afogando nos lagos congelados.

O inimigo foi tratado com misericórdia e generosidade, segundo o manuscrito, por exemplo quando o imperador se dirigiu a um soldado russo ferido: "Você não deixa de ser valente por ter sido vencido".

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