“Manias” que machucam o corpo podem ser sintomas de ansiedade; entenda

Beautiful young girl kid sitting on the floor at home looking stressed and nervous with hands on mouth biting nails. Anxiety problem.
A longo prazo e dependendo de cada caso, a ansiedade pode levar quem sofre com seus temores e preocupações excessivos a arrancar cabelos e pelos do corpo. Foto: Getty Images

Quem nunca conheceu uma pessoa que não conseguisse controlar seu impulso de roer unhas, ou que tivesse coceiras insistentes em alguns locais do corpo, ou mesmo que não conseguisse parar de arrancar aquela pelinha da boca, até sangrar? Situações como essas podem ser vistas inicialmente como “manias”, mas é preciso que se dê a atenção devida, porque podem se tratar também de sintomas de um distúrbio de ansiedade.

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Psicólogos, terapeutas e psiquiatras classificam a ansiedade como um transtorno que acomete a saúde mental e causa muito sofrimento por deixar a pessoa numa sensação de apreensão constante, de inquietude, de preocupação e tensão. O sistema nervoso se altera, e o corpo acaba apresentando sintomas físicos também.

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Os mais conhecidos são o aumento dos batimentos cardíacos, sensações de frio na barriga e aperto no peito e até mesmo falta de ar. Mas, quando a ansiedade se torna algo frequente no cotidiano de alguém, a inquietude pode desencadear sintomas psicossomáticos —que têm origem na mente e se manifestam no corpo constantemente.

“Tenso, o paciente desencadeia uma série de pensamentos e começa a descontar no roer dos dedos, esfregar das mãos, contração dos músculos; é quase como se estivesse numa maratona. A ansiedade é um caos instaurado que exige muita concentração, e ao mesmo tempo causa muita dispersão”, explica o psicoterapeuta Carlos Florêncio.

A longo prazo e dependendo de cada caso, a ansiedade pode levar quem sofre com seus temores e preocupações excessivos a arrancar cabelos e pelos do corpo, cutucar ou criar machucados e a desenvolver coceiras e reações alérgicas, por exemplo. Tais transtornos têm tratamento, sempre numa associação entre psicoterapia e medicação, indicada por profissionais.

O fato de estarmos vivendo uma pandemia, uma situação completamente nova e muito imprevisível, tem se delineado muitas vezes como agravante em casos de ansiedade, o que demanda ainda mais atenção das pessoas em relação aos sintomas.

“A pandemia mudou e alterou a história da psicologia. Novas psicopatologias (doenças relacionadas à mente) surgiram, como a “ansiedade especificamente pandêmica” - relacionada exclusivamente ao cenário atual. A auto destruição severa também pode ser uma espécie de manifestação representando a fúria - uma sensação causada causada na impotência que temos em não podermos lidar rapidamente com soluções de combate ao vírus. Então, a pessoa se desespera”, diz o psicólogo Alexander Bez.

Ambos os profissionais indicam que as pessoas nunca ignorem seus sentimentos, tanto os físicos quanto os pensamentos que passam por suas cabeças. É possível aprender a lidar melhor com a ansiedade mesmo em tempos difíceis, e é preciso buscar ajuda quando as preocupações e reações se tornarem muito intensas.

“Para este momento, indico buscar tranquilidade, aumento da confiança, consciência - essa fase vai passar - exercícios de relaxamento com expiração e inspiração, auto-reflexão psicológica, atividades das quais gosta e manter o contato social - virtual, nesse instante. Além de leituras, ver filmes de que gosta e evitar excesso de alimentos como chocolate, que aumentam a ansiedade. E, principalmente, fazer terapia”, diz Bez.

“Aprenda a não se sobrecarregar, não se culpar em demasia, não exigir muito com cobranças excessivas. Isso facilita o convívio da pessoa com ela mesma e a tranquiliza. Procure arrumar o seu passado ao aceitar que todas as experiências fazem parte do seu processo. Tente trazer o aprendizado para o momento presente. Caso não consiga resolver sozinho, lembre-se que nem sempre sabemos de tudo, procure ajuda e invista no seu bem estar. Nenhuma conquista tem sabor de vitória quando leva a sua saúde com ela”, aconselha Florêncio.