"Manhãs de Setembro" faz retrato da transfobia no país: "Lugar extremamente violento"

Liniker como Cassandra na série
Liniker como Cassandra na série "Manhãs de Setembro". (Foto: Divulgação/Prime Video)

A nova temporada de “Manhãs de Setembro” chegou nesta sexta-feira (23) ao catálogo do Prime Video e mostra as diversas violências que as pessoas trans sofrem diariamente. De volta ao papel de Cassandra, a cantora Liniker revelou que o primeiro episódio conta com uma cena que foi muito dolorosa de filmar.

Enquanto visita sua cidade natal no Paraná, a protagonista reencontra um ex-colega de escola que é transfóbico e conta com o apoio de Leide (Karine Teles) para enfrentá-lo. As duas saem arrancando com o carro na rua e xingando o homem transfóbico.

A atriz conta que a sequência foi libertadora e também extremamente difícil de gravar. “Sou grata por ter tido a Karine como companheira nessa cena, porque a transfobia, para quem não vive, e o meu corpo atravessa isso todo dia, é um lugar extremamente violento e que às vezes a gente silencia sozinha”, declarou em coletiva de imprensa que o Yahoo estava presente.

“A escolha para se silenciar às vezes é para que a violência não aumente, e aí você pode ser morta ou ainda mais violentada. Essa é uma cena em que a Cassandra teve que atravessar o Paraná inteiro para chegar na cidade dela e, de repente, encontra aquele cara em um dia que ela e a Leide estavam apaziguadas", acrescentou ela. “Tem quando existe um momento de paz, tem sempre algum transfóbico, algum racista ou algum misógino para tentar atravessar nossa estrutura, o nosso eixo”.

Liniker conta que a cena em que cena foi o momento em que Leide compreende pela primeira "o contexto que a Cassandra está falando o tempo inteiro" e do porquê que ela precisa ser respeitada. Ter o apoio imediato da personagem, "é o momento em que a Cassandra age sabendo que não está sozinha”.

De acordo com a artista, a protagonista ter poder para se defender do ataque transfóbico representou também um momento de vingança contra a violência sofrida diariamente na ficção e na vida real. “Essa cena deu um elo muito importante para a série e dá voz para uma personagem e para um tanto de gente que está cansada de ser silenciada”, completou Liniker.