Maneskin entoa 'fora, Bolsonaro' em show sensual e político após o Rock in Rio

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Embora tenha ganhado projeção na Europa com a vitória na edição do ano passado do Eurovision, foi no TikTok que a banda italiana Maneskin viralizou ao redor do mundo e construiu a base de fãs jovens que lotaram o Espaço Unimed, em São Paulo, na noite desta sexta, dia 9.

A plateia estava cheia na primeira apresentação do grupo na capital paulista, após passagem pelo Rock in Rio.

Inspirados num estilo de glam rock sexy que bebe de fontes como Elton John, Prince e Bette Midler, a banda injeta em sua imagem uma certa quebra de estereótipos e faz promoção de pautas sobre aceitação.

"Não acreditamos que essa seja um assunto político, mas de direitos humanos. Você se posicionar contra a homofobia, o sexismo, o machismo e todos esses males do mundo faz com que seja uma pessoa que luta pelo que vale à pena", disse a baixista Victoria De Angelis à reportagem antes do show.

Formada ainda pelo vocalista Damiano David, pelo baterista Ethan Torchio e pelo guitarrista Thomas Raggi, a banda entrou em cena com "Zitti e Buoni", canção de seu último álbum, "Teatro d'Ira Vol. 1", e responsável por dar a vitória ao grupo no Eurovision.

A plateia, formada essencialmente por jovens que não se distanciavam muito da idade dos membros do grupo, todos na casa dos 20 aos 23 anos, estabeleceu conexão imediata com o palco e elevou a temperatura da apresentação, inspirando até um mergulho da baixista e do vocalista na multidão que se aglomerou na pista VIP.

A alta dose de erotismo, aludindo à efervescência dos hormônios juvenis, foi o único mise-en-scène adotado pelo conjunto, que apostou num palco nu, preenchido essencialmente pelo som puro do rock formado por uma cozinha de baixo e bateria, com firulas de solos de guitarra.

A interação constante com o público, que rendeu coro de "fora, Bolsonaro", prontamente adotado pelo vocalista, ilustrou o que Damiano David comentou antes do início da apresentação, quando disse acreditar numa fusão entre música e política como forma de posicionar não só a banda, mas a arte que produzem.

E acabou valorizando também o repertório autoral, já que apostou em poucos covers, entre eles faixas de The Who e The Stooges.

Da banda inglesa, pescou "My Generation", de 1965, unida em medley com a autoral "Touch Me", no momento mais oscilante da apresentação. Da banda americana, de onde emergiu Iggy Pop, os italianos trouxeram "I Wanna Be Your Dog", numa alusão direta a um de seus maiores hits, "I Wanna Be Your Slave", alocada no final do espetáculo, logo após "Mammamia", "Coraline" e "Supermodel".

Com gosto eclético capaz de abarcar desde o som metaleiro do Sepultura até o samba romântico da cantora Alcione, de quem se declararam fãs nos bastidores, o grupo chegou a assimilar algumas influências brasileiras ao emular o ritmo de uma bateria de escola de samba ao som de "Gasoline", em momento tão delicado quanto inusitado.

Repetindo o truque empregado no Rock in Rio de abrir o palco para a presença do público, a Maneskin mostrou que, mesmo assumindo um certo discurso de aceitação simplista, é capaz de produzir um rock pesado que constrói e mantém a sua fama de mau.