Primeiro manequim feminino para RCP quer ajudar a salvar vidas de mulheres com parada cardíaca

Foto: JOAN Creative

Por Francesca Specter

Uma agência de publicidade criou um acessório inovador para transformar um manequim padrão utilizado para demonstrações cardiopulmonares (RCP) em uma versão feminina.

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O produto, que recebeu o nome de ‘WoManikin’, foi criado em resposta a um estudo recente realizado pela Universidade de Duke, que descobriu que mulheres sofrendo uma parada cardíaca em público têm uma chance 27% menor de receber as manobras da reanimação cardiopulmonar do que os homens.

Acredita-se que este fato esteja relacionado aos seios das mulheres, que não são representados nos manequins comumente usados para ensinar a técnica.

Baseados na pesquisa da British Heart Foundation, que descobriu que apenas 34% das mulheres costumam sobreviver desde o momento da parada cardíaca até a admissão no hospital, em comparação com 36% dos homens, fica clara a necessidade de uma iniciativa como esta.

Trata-se de um problema multifacetado. As pessoas não apenas não estão acostumadas a praticar a RCP em manequins que lembrem o corpo feminino, mas também há uma questão de atitude da sociedade diante do movimento #MeToo, contra o assédio sexual.

Não acredito que temos a primeira boneca de RCP feminina em 2019! Chocante!! Obrigada pelo seu trabalho e dedicação! Claramente nós precisávamos disso!

No ano passado, uma pesquisa da Universidade do Colorado descobriu que os homens são duas vezes mais propensos a citar o medo de acusações de toques inapropriados ou assédio sexual como um motivo para não fazer a reanimação cardiopulmonar.

A JOAN, a agência de publicidade que produziu o WoManikin em parceria com a United State of Women, quer combater os dois lados do problema.

O acessório para o manequim foi desenhado para representar o tronco feminino – e seu aspecto mais importante são os seios de espuma.

Os que usarem o acessório para treinar a RCP estarão mais bem preparados para fazer a reanimação no corpo de uma mulher. Ao mesmo tempo, uma campanha vinculada visa combater o mal-estar social em torno deste ato salvador de vidas.

A JOAN quer que seu produto seja distribuído em cursos de treinamento em RCP espalhados pelos Estados Unidos. “No coração da JOAN há um comprometimento profundo com a igualdade de gênero,” disse a fundadora adjunta e chefe de criação da empresa, Jaime Robinson.

“Quando lemos sobre o estudo [da Universidade de Duke] e sobre este problema tão antigo no mundo da RCP, nós enxergamos uma maneira relativamente simples de ajudar a mudar as coisas”.

“Os manequins de RCP são desenhados para parecer corpos humanos, mas na verdade representam menos da metade da nossa sociedade,” acrescentou ela.

“A ausência de corpos femininos em treinamentos de RCP leva à hesitação das pessoas, o que acaba fazendo com que as mulheres tenham mais chances de morrer em decorrência de uma parada cardíaca. Nossa esperança é de que o WoManikin possa preencher esta lacuna na educação e, no fim das contas, ajudar a salvar vidas”.

A JOAN está lançando a sua nova campanha na Semana Nacional de Conscientização da RCP, entre os dias 1 e 7 de junho. A agência vai incluir um desafio nas redes sociais por meio do Instagram Stories, em que mulheres serão convidadas a compartilhar vídeos de si mesmas com dois emojis de mãos sobre seus corações, incluindo a hashtag #GiveMeCPR (Faça RCP em mim, em tradução livre).

Infelizmente, ser negligenciada pelo sistema de saúde não é novidade para as mulheres. No ano passado, muitas compartilharam situações em que seus problemas de saúde foram ignorados pelos médicos, em uma sequência de postagens viral.

Somando isso à dificuldade cada vez maior de acesso a métodos contraceptivos e ao design antiquado do espéculo (criado em 1840), fica claro que há muito trabalho a ser feito para nos movermos na direção da igualdade de gênero no sistema de saúde.