Manchester United é atingido por ataque hacker, mas nega vazamento de dados

Felipe Demartini
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O clube inglês de futebol Manchester United relatou ter sido vítima de um ciberataque no último final de semana, que ainda estaria interferindo em seus sistemas digitais. De acordo com as informações liberadas pelo time, seus servidores tiveram de ser desligados para evitar a disseminação do golpe e ainda estariam sob o controle de hackers, com a exigência sendo de milhões de libras para liberação. Dados pessoais de clientes e parceiros, entretanto, não teriam sido comprometidos.

Esta última informação não foi confirmada pela equipe, que disse apenas ter realizado modificações em seus sistemas internos para não interromper suas atividades. Uma partida entre o Manchester United e o Istanbul Basakehir, da Turquia, realizada nesta terça (24) pela Liga dos Campeões, seguiu como planejada, mas medidas extras de segurança tiveram de ser tomadas no pré-jogo e no acesso de atletas e equipes ao estádio Old Trafford, na Inglaterra.

Além disso, funcionários do clube estariam enfrentando problemas para enviar e receber e-mails, além de interrupções em outras partes da rede. De acordo com as informações oficiais do time, as equipes de tecnologia já estariam trabalhando para trazer todas as plataformas de volta, enquanto investigações forenses sobre o que aconteceu também estão sendo realizadas. A participação de autoridades não foi confirmada, mas é de se esperar.

No mais importante de tudo, o Manchester United confirmou que dados pessoais de sócios, torcedores, fãs, clientes, parceiros e outros não foram comprometidos durante o ataque. No comunicado, o clube afirmou que o golpe teve natureza apenas “disruptiva” e que não resultou na obtenção ou vazamento de informações sensíveis da empresa, que também evitou apontar culpados e disse que não comentaria mais sobre o assunto.

De acordo com a imprensa inglesa, o ataque também concorda com um relatório emitido pelas autoridades de cibersegurança do Reino Unido, que em julho, já alertavam sobre golpes direcionados à indústria esportiva. Na ocasião, o governo apontou a Rússia como um dos principais nomes envolvidos em golpes desse tipo, que já teriam atingido um outro clube da liga inglesa de futebol, com pedido de resgate de £ 5 milhões, o equivalente a R$ 35 milhões. O resgate não foi acertado e levou a semanas de trabalho, envolvendo o adiamento de partidas e problemas no circuito interno de segurança e no acesso de torcedores ao estádio.

Além disso, um relatório do governo do Reino Unido também citou outra intrusão recente, envolvendo um diretor da Premier League, cujo e-mail foi hackeado. Os bandidos foram capazes de interromper uma transação por um atleta não identificado e roubar £ 1 milhão, cerca de R$ 7,1 milhões, que foram desviados para contar do bandido e, de lá, pulverizados em criptomoedas.

Os ataques de ransomware contra empresas de renome, como é o caso aqui, estão se transformando em uma realidade cada vez mais frequente. Um dos casos recentes de maior destaque foi o da desenvolvedora japonesa de games Capcom, que foi atingida por um golpe desse tipo no início do mês e segue sendo extorquida pelos hackers, que exigem um resgate de US$ 11 milhões para não revelar informações confidenciais e documentos de negócios sigilosos ao público. Vazamentos já começaram a acontecer como forma de forçar a mão da companhia, trazendo ao público planejamentos estratégicos de lançamentos e faturamento — dados pessoais de acionistas, usuários e clientes também estariam entre o volume comprometido pelos criminosos.

Fonte: Canaltech

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