‘Malhação’ e ‘Justiça’: (boa) estreia em dose dupla

Aline Dias como Joana em ‘Malhação - Pro Dia Nascer Feliz’ (Reprodução)

A primeira semana de agosto na Globo foi marcada pelas séries e novelas que chegaram ao fim. Natural, então, que logo em seguida começassem as estreias. E foi só terminar os Jogos Olímpicos para que a emissora lançasse em sua grade não uma, mas duas ficções no mesmo dia: no começo da tarde da segunda-feira, 23, foi ao ar o primeiro episódio de ‘Malhação – Pro Dia Nascer Feliz’ – e logo depois de ‘Velho Chico’ tivemos a estreia da minissérie ‘Justiça’. São duas tramas completamente opostas em suas concepções, mas que cumprem bem o papel a que se propõem.

‘Malhação – Pro Dia Nascer Feliz’ vem com o compromisso de substituir ‘Malhação – Seu Lugar no Mundo’, a temporada anterior da novela teen que não chegou a gozar do mesmo prestígio de ‘Malhação – Sonhos’. Segundo alguns espectadores faltou àquela uma liga, uma química que esta teve – ou melhor, um casal como o “Perina” Pedro (Rafael Vitti) e Karina (Isabella Santoni).

Isso explica porque, mal começado o primeiro capítulo de ‘Pro Dia Nascer Feliz’, já tinha gente formando grupos “Joaniel” ou “Jobiel”, que seria a junção dos nomes de Joana (Aline Dias) e Gabriel (Felipe Roque), respectivamente heroína e mocinho da novela. A ansiedade dos fãs é grande, mas é muito cedo para isso ainda.

A julgar pelas redes sociais, o “folheteen” de Emanuel Jacobina começou agradando. Com locações no Ceará, apresentação clara dos personagens e cortes rápidos, ‘Pro Dia Nascer Feliz’ parece não pretender criar muitas nuances de personalidades, daquelas reviravoltas que baralham o enredo.

De cara pode-se dizer que foi feliz a escolha de uma protagonista negra e, pelo visto, com atitude. Também é bem-vindo o retorno de Deborah Secco e a presença de Jéssica, a carismática personagem de Laryssa Ayres oriunda de ‘Seu Lugar no Mundo’. Agora é torcer para que a novela juvenil mantenha o pique e dê o tão sonhado casal aos carentes fãs.

Jesuíta Barbosa e Marina Ruy Barbosa em ‘Justiça’ (Reprodução)

‘Justiça’, por sua vez, é outra pegada. Com o encargo de manter a alta temperatura que o horário das 23h tem conseguido, a autora Manoela Dias investiu em uma trama complexa, no qual histórias se desenrolam paralelamente com personagens se entrecruzando – não é um formato novo e foi explorado abundantemente pelo cineasta Alejandro González Iñárritu e pelo roteirista Guillermo Arriaga na “Trilogia da Morte” formada por ‘Amores Brutos’, ’21 Gramas’ e ‘Babel’.

No caso de ‘Justiça’ são quatro os personagens que têm suas histórias – todas passadas em Recife – contadas paralelamente: Vicente (Jesuíta Barbosa), Fátima (Adriana Esteves), Rose (Jéssica Ellen) e Maurício (Cauã Raymond). Os quatro acabam passando sete anos na prisão por motivos distintos e a história de cada um é contado em um dia da semana – às segundas, terças, quintas e sextas – em 20 capítulos.

No episódio de estreia conhecemos o crime de Vicente, que assassinou sua noiva, Isabela (Marina Ruy Barbosa). Depois de cumprir pena, ele sai da prisão e tem de enfrentar a sede de vingança de Elisa (Débora Bloch), a mãe de Isabela. Foi um episódio intenso no qual não faltaram sexo e sangue, bem ao gosto dos espectadores das 23h.

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Com elenco de primeira (Antônio Calloni, Marjorie Estiano, Enrique Diaz, Leandra Leal, entre outros) e direção do prestigiado José Luiz Villamarim (‘Avenida Brasil’, ‘Amores Roubados’, ‘O Rebu’), ‘Justiça’ promete manter o ritmo que o horário exige. E é um alento saber que esse horário finalmente se consolidou como opção para ficções mais adultas e complexas.