Majboos? Harees? A comida árabe para além do kibe e da esfiha

No imaginário brasileiro, a comida árabe remete imediatamente a kibe, esfiha, charuto de repolho e tabule. É uma generalização errada, pois são pratos tipicamente sírios e libaneses, duas nacionalidades com forte presença no Brasil. Mas, então, o que se come no Catar? Tudo isso e mais um pouco. Afinal, o país tem mais de 90% da sua população de expatriados, com um grande contingente de indianos e paquistaneses.

A culinária local recebe influência destes países e de outros da Europa, mas tem suas tradições culinárias originárias do Golfo Pérsico, que reúne Omã, Arábia Saudita, Irã, Kuwait, Iraque, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Bahrein, região onde muitas receitas se assemelham, trocando um ou outro ingrediente.

Quem é quem: Veja ficha de todos os jogadores da Copa do Mundo

Copa, cabelo & bigode: Você reconhece um jogador olhando os cabelos?

Para encontrar restaurantes apenas com gastronomia catari, é necessário perguntar, de preferência a um nativo. Os imigrantes nem sempre sabem indicar as melhores opções. Até mesmo nos centros de informações espalhados em pontos turísticos para a Copa a resposta demora a vir. Mas elas existem e valem a pena.

No Dia do Catar, comemorado em 18 de dezembro, que esse ano coincide com a final da Copa do Mundo, há uma grande festa no país, e os pratos típicos são encontrados com mais facilidade nas feiras de rua.

Então, vamos ao que interessa: quais são os sabores cataris?

Numa região conhecida pelas especiarias, elas são as protagonistas nas receitas locais. Mas há uma estrela principal, que brilha em todas elas: o cardamomo — da família do gengibre, são pequenas vagens repletas de sementas pretas, oriundas das regiões da Índia e Indonésia.

Recorde: Público de Argentina x México é o maior em Copas desde a final de 1994

Família real do Catar: Golpes entre parentes, ícone fashion e mistério marcam elite do país

De sabor e aroma doces e fortes, com algo mentolado, é ingrediente básico de bebidas e comidas, doces ou salgadas. E também é ingrediente da medicina Ayuverda (desenvolvida na Índia).

Popular também é o Karak, uma bebida típica consumida e vendida a qualquer hora. A mistura de chá preto com leite, especiarias — além do cardamomo, há receitas que adicionam açafrão, gengibre, canela e cravo a gosto — e açúcar é fervida três vezes e servida coada para intensificar os aromas.

Somada à sensação de saciedade, é uma bebida aconchegante e ideal para começar o dia — juntando aquele quentinho no estômago e a energia do chá preto. Quem quiser só um cafezinho preto, há o famoso café árabe, bem mais ralo do que os servidos no Brasil.

Mas se a opção for por um almoço saboroso e substancial — todos os pratos são muito bem servidos —, a boa dica é o Majboos, um arroz com frango (que também pode ser com carne de cordeiro, lembrando que carne de porco é proibida no islamismo). É possível encontrar versões em restaurantes simples até os mais requintados, mas a fartura é a mesma.

‘Comfort food’

Definir a iguaria simplesmente como um arroz e frango não condiz com a explosão de sabores do prato, que leva um mix de temperos — cardamomo, cominho, coentro, gengibre, açafrão, canela, pimenta preta e cúrcuma, entre outros. Bom lembrar: é levemente picante.

Um dos pratos mais pedidos nos restaurantes cataris é o Harees, basicamente grão de trigo batido com frango com todas as especiarias, incluindo, claro, o cardamomo. A aparência não é das mais bonitas, mas é uma excelente comfort food após um dia intenso em Doha.