Mais refeições em família e muitos lances: o impacto da quarentena nos hábitos dos adolescentes

Vida e Estilo International
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Um novo relatório revelou como os hábitos alimentares dos adolescentes mudaram durante o confinamento. (Getty Images)
Um novo relatório revelou como os hábitos alimentares dos adolescentes mudaram durante o confinamento. (Getty Images)

O isolamento social do coronavírus afetou nossas vidas de várias maneiras, principalmente o quanto e o que estamos comendo (vide os lanches!). Mas novas pesquisas mostram que houve mudanças positivas e negativas nos hábitos alimentares dos adolescentes nessa fase.

A instituição de caridade Guy and St. Thomas e a instituição Bite Back 2030 descobriram que, embora os jovens tenham encontrado um novo prazer em fazer as refeições em família, eles também relataram um aumento no consumo de lanches.

No geral, o relatório destaca mudanças significativas nos hábitos e atitudes dos jovens em relação à alimentação desde o início do isolamento e revela experiências totalmente diferentes com base no contexto socioeconômico.

Os resultados de mais de 1.000 jovens de 14 a 19 anos revelaram que 60% deles acreditam que mais refeições compartilhadas em família são positivas para a saúde e o bem-estar, com um terço dos adolescentes dizendo que cozinham mais agora.

No entanto, as pessoas mais carentes estavam se preparando para assumir a responsabilidade de cozinhar para os pais solteiros que trabalham fora em vez de simplesmente cozinharem por diversão.

Mas algumas famílias têm gostado de fazer refeições em conjunto com mais frequência durante a quarentena. (Getty Images)
Mas algumas famílias têm gostado de fazer refeições em conjunto com mais frequência durante a quarentena. (Getty Images)

Também pelo lado positivo, mais de 50% dos jovens disseram que bebem mais água durante o isolamento.

O mais preocupante é que 40% dos adolescentes disseram que comem mais no isolamento, com o relatório revelando que, em vez de ter três refeições por dia, os jovens estão recorrendo regularmente a opções menos saudáveis ​​ - com batatas fritas e chocolate como os mais consumidos - ou pulando completamente as refeições.

Os de famílias mais pobres são mais propensos a “beliscarem”, a comer besteiras e pedir entrega de lanches, e menos propensos a comerem frutas e legumes, de acordo com o relatório.

Bite Back disse que o isolamento havia tornado os jovens mais conscientes das injustiças no sistema alimentar, com 45% dos participantes dizendo que agora estão mais preocupados com a situação e 40% mais revoltados com injustiças agora do que antes da quarentena.

O grupo agora está pedindo por mudanças, incluindo remover os outdoors de publicidade de comidas de baixa qualidade nutritiva e redesenhar os outdoors para promoverem um estilo de vida mais saudável.

Christina Adane, co-presidente da Bite Back, disse: “Ficar em casa abriu meus olhos para a magnitude dos problemas que este país enfrenta, especialmente em relação aos alimentos. Não quero que sejamos vítimas de tantas propagandas de fast-food e celebridades endossando coisas que todo mundo sabe que são ruins para nós”.

“Quero fazer parte de um mundo em que nossa saúde é uma prioridade na indústria de alimentos”, desabafa. “Existem pessoas suficientes que pensam da mesma maneira para que essa mudança aconteça; só precisamos aproveitar a oportunidade que o isolamento social nos deu para ter um novo começo”.

Sarah Hickey, diretora do programa de obesidade infantil da Guy and St. Thomas, disse que o relatório destaca que a divisão social em nutrição piorou durante o isolamento."Mesmo antes da pandemia, as opções alimentares das famílias eram fortemente modeladas pelo local onde moravam e por seu contexto socioeconômico", disse ela à BBC.

O relatório mostra que os adolescentes estão comendo mais durante a quarentena. (Getty Images)
O relatório mostra que os adolescentes estão comendo mais durante a quarentena. (Getty Images)

A notícia surgiu depois que uma pesquisa revelou que a maneira como as famílias estão se alimentando mudou, desde o início da quarentena, com muitas famílias alegando que o aumento do tempo passado dentro de casa significa que os pais passaram mais tempo cozinhando refeições nutritivas para a família.

Um outro ponto positivo inesperado foi a quantidade de exercícios que as famílias estão fazendo juntos. De acordo com o RCPCH, uma em cada cinco crianças está acima do peso ao iniciar o ensino fundamental. A prevalência de obesidade infantil no Reino Unido é clara, mas como os pais agora têm mais tempo disponível para se exercitar com os filhos, há uma esperança de que essa taxa possa diminuir.

No entanto, um estudo recente alertou que mais de um quarto das calorias que as crianças consomem são "vazias".

A pesquisa descobriu que os principais culpados dessas chamadas calorias vazias são os refrigerantes e sucos industrializados, biscoitos, brownies, pizzas e sorvetes.

Procurando por alimentos mais saudáveis? Pesquise e encontre em sua cidade algumas boas opções para você.

Marie Claire Dorking