Macron se diz 'consternado' com violência policial a homem negro em Paris

·2 minuto de leitura
Emmanuel Macron, em 21 de novembro de 2020, em Paris

O presidente francês, Emmanuel Macron, está "muito consternado" com o vídeo que mostra policiais espancando um homem negro em Paris - anunciou seu gabinete nesta sexta-feira (27), em reação a este caso que abala seu governo e reabre o debate sobre a violência policial.

Macron se reuniu com o ministro do Interior, Gérald Darmanin, na quinta-feira (26), e lhe pediu que tome medidas contra os policiais envolvidos, disseram fontes do governo à AFP.

Após esta reunião, o ministro anunciou a suspensão dos quatro policiais. Eles foram convocados nesta sexta-feira pela Inspetoria Geral da Polícia Nacional (IGPN) e serão presos para interrogatório, informou a Procuradoria de Paris.

As imagens publicadas pelo site Loopsider mostram os golpes que três policiais infligiram ao produtor musical Michel Zecler, no sábado, na entrada de um estúdio musical em Paris.

"Eles me chamaram de negro de merda várias vezes enquanto me espancavam", denunciou a vítima, que apresentou queixa na sede da IGPN em Paris.

Segundo boletim de ocorrência consultado pela AFP, os três policiais chamaram a atenção de Zecler, porque ele não usava máscara.

"Quando tentamos interceptá-lo, nos forçou a entrar no prédio", escrevem.

Na filmagem da câmera de segurança, vê-se os três policiais entrando no estúdio. Eles agarram a vítima e, depois, aplicam-lhe socos e chutes, além de golpes com um cassetete.

Como se observa nas imagens, o produtor resiste a ser levado e tenta proteger o rosto e o corpo. A cena dura cinco minutos. Na sequência, os policiais tentam forçar a porta e jogam uma granada de gás lacrimogêneo no interior do estúdio.

Este caso surgem em pleno debate na França sobre o polêmico projeto de lei "segurança global", que reprime a divulgação de imagens de policiais durante suas intervenções.

O texto, aprovado pela Assembleia Nacional na terça-feira e que ainda deve ser examinado pelo Senado, gerou polêmica nos últimos dias.

O artigo mais polêmico do projeto pune com um ano de prisão e 45.000 euros (53.600 dólares) de multa a divulgação da "imagem do rosto, ou de qualquer outro elemento identificador", dos membros das forças da ordem em ação, quando "atenta" à sua "integridade física, ou psicológica".

Enquanto os sindicatos da polícia, a direita e a extrema direita aprovam o texto, a esquerda e os defensores das liberdades públicas vêem na referida lei uma "ofensa desproporcional" à liberdade de informar e um sinal da deriva autoritária da Presidência de Emmanuel Macron.

leb-meb/bl/tt