Maconha pode ser prejudicial para fertilidade feminina, mostra estudo

O composto psicoativo da maconha reduz a chance de fecundação. Foto: Getty Images

Por Fábio de Oliveira, da Agência Einstein 

 

Óvulos expostos ao THC, o composto psicoativo da maconha, tiveram suas estruturas prejudicadas, o que reduz a chance de serem viáveis para a fecundação. É o que revela uma pesquisa conduzida na Universidade de Guelph, no Canadá. De acordo com o trabalho, a maconha é a droga recreativa mais utilizada por pessoas em idade reprodutiva – ela é liberada para esse fim no país da América do Norte. E o aumento do uso da cannabis se deu em paralelo ao das porcentagens de THC na droga.  

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No estudo, os pesquisadores trataram os oócitos de vaca (oócitos são células que dão origem aos óvulos) com concentrações equivalentes às doses terapêuticas e recreativas do THC. Os oócitos foram coletados e amadurecidos em cinco grupos: não tratados, controle, baixo THC, THC mediano e alto THC. As taxas de desenvolvimento e de expressão gênica dos óvulos também foram mensuradas.   

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Os cientistas avaliaram se as células seriam capazes de alcançar estágios críticos de desenvolvimento em momentos específicos. Com altas concentrações de THC, eles descobriram que houve uma diminuição significativa e um atraso na capacidade dos oócitos tratados chegarem a esses pontos de verificação. Isso é um indicador para determinar a qualidade e o potencial de desenvolvimento de um óvulo. 

A exposição ao THC levou a um decréscimo notável na expressão de genes chamados de conexinas, que estão presentes em níveis elevados em oócitos de melhor qualidade. Já nos oócitos com características inversas a essas, o resultado foram embriões com menor possibilidade de passar da primeira semana de desenvolvimento. Dados preliminares também mostraram que o THC afetou a atividade de um total de 62 genes nos grupos de tratamento com o princípio ativo da maconha em comparação com os não tratados. “Isso implica menor qualidade e capacidade de fertilização, portanto menor fertilidade no final", disse Megan Misner, uma das pesquisadoras envolvidas no trabalho. 

De acordo com o ginecologista Eduardo Zlotink, do Hospital Israelita Albert Einstein, é um estudo experimental. Segundo ele, já existem trabalhos apontando que o uso de maconha na gravidez tem consequências deletérias e interfere no crescimento do bebê. “Mas essa pesquisa mostra que pode ter um impacto genético também”, acrescenta o especialista. Daí a recomendação de evitar a droga e afins na gestação.   

 

(Fonte: Agência Einstein)