Música country se distancia de lobby pró-armas após massacre no Texas

Após o massacre em uma escola de Uvalde, Texas, artistas da música country, gênero tradicionalmente ligado ao movimento político conservador e branco do sul dos Estados Unidos, distanciaram-se da Associação Nacional do Rifle (ANR), poderoso lobby pró-armas reunido desde hoje em convenção anual naquele estado.

Vários astros do country desistiram de participar do encontro da ANR, que acontece em Houston. O cantor Don McLean, conhecido por sua música "American Pie", considerou que seria "ofensivo" e "desrespeitoso" apresentar-se na convenção.

O célebre Lee Greenwood, conservador, cuja música "God Bless the USA" é habitual nos comícios do ex-presidente republicano Donald Trump, também cancelou seu show. "Como pai, eu me somo ao restante dos Estados Unidos, com "o coração totalmente partido devido a esse fato espantoso de terça-feira no Texas".

Os cantores T. Graham Brown e Larry Gatlin também cancelaram suas apresentações deste sábado, em respeito "à dor das famílias" enlutadas.

Embora tenham desistido de participar da convenção, os artistas evitaram criticar a NRA e o direito constitucional americano de possuir armas de fogo. O cantor do grupo Restless Heart, Larry Stewart, disse não a Houston neste ano, mas defendeu a famosa segunda emenda à Constituição e "a NRA, uma grande organização, que ensina os cidadãos que respeitam as leis a usar armas com toda a segurança".

- História -

Para Mark Brewer, que estuda a relação entre a música e a política americana para a Universidade do Maine, existem "vínculos antigos entre a música country, a política conservadora e a cultura das armas de fogo", anteriores "ao surgimento da ARN como centro de poder conservador”.

O distanciamento que os músicos country tomaram da NRA pode ser explicado, segundo Brewer, pelo "rejuvenescimento de artistas, mais progressistas do que a geração anterior em relação às armas de fogo ou às pessoas LGBTQ".

- Taylor Swift -

Depois de quatro anos de silêncio no Twitter, a estrela do folk Taylor Swift, 32, manifestou sua "raiva" e "dor" após os massacres mais recentes nos Estados Unidos. Ela disse que se sente "despedaçada pelos mortos de Uvalde, Buffalo e Laguna Woods. Como nação, estamos condicionados a essa dor inexplicável, insuportável e imensa."

Após a carnificina em um instituto de Parkland, Flórida, em 14 de fevereiro de 2018, Taylor se juntou à mobilização nacional por uma reforma da legislação sobre as armas.

A sensibilização de artistas desse gênero musical remonta a outubro de 2017, quando um homem de cerca de 60 anos atirou indiscriminadamente contra a multidão reunida em um festival de música country em Las Vegas, deixando 58 mortos e centenas de feridos. Depois dessa tragédia, músicos como Eric Church, Jason Isbell, Maren Morris e Kacey Musgraves pediram leis mais rígidas para o acesso e porte de armas nos Estados Unidos, lembrou a revista "Rolling Stone".

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