“Lula não quer que surja nenhuma grande liderança dentro do PT. E eu não obedeço a isso. Acabou”, diz Ciro

Ana Paula Ramos
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Presidential candidate Ciro Gomes of the Democratic Labour party (PDT) talks during a campaign rally at the Institute of Architects in Sao Paulo, Brazil, September 20, 2018. REUTERS/Nacho Doce
Candidato a presidente em 2018, Ciro Gomes voltou a criticar o PT e o ex-presidente Lula (Foto: REUTERS/Nacho Doce)

Ciro Gomes (PDT), ex-ministro e candidato à Presidência em 2018, voltou a criticar o Partido dos Trabalhadores, o ex-presidente Lula e a falta de renovação dentro do partido, em entrevista à revista Época.

Citando como exemplo a eleição presidencial de 2018, Ciro questionou a escolha de Fernando Haddad para disputar o pleito no lugar de Lula, considerado inelegível pela Justiça.

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Ciro lembrou que, em 2016, Haddad perdeu na eleição à Prefeitura de São Paulo, recebendo apenas 16% dos votos, e que o partido tinha nomes mais competitivos, como o ex-governador da Bahia Jaques Wagner e Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul.

“A grande questão é que o Lula não quer que surja nenhuma grande liderança dentro do PT. E eu não obedeço a isso. Acabou”.

O ex-ministro também defendeu a formação de uma frente ampla no campo nacional, em oposição ao presidente Jair Bolsonaro em 2022, mas acha difícil que tenha a participação do PT. Segundo ele, é mais viável uma aliança com o PSDB que com o PT.

No entanto, Ciro avalia que o PSDB vai passar por um processo de reestruturação interna, que deve diminuir a força do governador de São Paulo, João Doria.

“Nas últimas declarações do Fernando Henrique, você percebe que ele está nesse projeto do Luciano Huck. O Tasso Jereissati não tem nenhum entusiasmo pelo Doria, o governador do Rio Grande do Sul (Eduardo Leite) também não, o (senador Antonio) Anastasia saiu do PSDB por causa disso e está no PSD”, afirmou.

Por outro lado, o candidato a presidente em 2018 acredita que será difícil juntar a centro-esquerda e a centro-direita para as eleições de 2022, por conta da agenda programática, principalmente na área econômica.

“A grande questão é saber se conseguimos afastar esse mundo produtivo de seu alinhamento instantâneo, automático e pouco crítico com o setor financeiro. Veremos se temos êxito ou não”, disse.

Entretanto, Ciro Gomes reconhece que será difícil se eleger sem a direita. Porém admite que pode abrir mão de sua candidatura a favor de outro nome.

“Depende do projeto. O lulapetismo não me responde, e esse bolsonarismo boçal e as tentativas de reciclar esse bolsonarismo boçal de forma mais, vamos dizer, Faria Lima de ser, isso também não me interessa”, afirmou.