Lula, Bolsonaro, Ciro e Tebet esquecem 6 estados na campanha do 1º turno

*ARQUIVO* São Paulo, SP - 24.09.2022.  Debate promovido pro SBT/Terra/Estadao, entre candidatos à presidência da República. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP - 24.09.2022. Debate promovido pro SBT/Terra/Estadao, entre candidatos à presidência da República. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em busca de votos, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) correram atrás de eleitores nos três maiores colégios do país e ignoraram, todos eles, os mesmos seis estados -dois da bases políticas de aliados do atual presidente.

Acre, Alagoas, Piauí, Mato Grosso, Rondônia e Roraima não tiveram nenhum ato de campanha ou comício dos quatro nomes que aparecem à frente nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto, após o início do período eleitoral, em 16 de agosto.

Somados, os estados têm quase 9,6 milhões de eleitores, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), menos do que a Bahia tem (11,3 milhões de eleitores).

Alguns desses estados, como Alagoas e o Piauí, sofrem com diversas carências e estão entre aqueles com os piores Índices de Desenvolvimento Humano.

Segundo o Ipec, Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto em quatro dos seis estados esquecidos -Acre, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. Alagoas e Piauí são redutos políticos de dois dos principais aliados do presidente: Arthur Lira (PP-AL), que comanda a Câmara, e Ciro Nogueira (PP-PI), ministro-chefe da Casa Civil.

Na última quinta-feira (22), Ciro Nogueira havia anunciado que sairia de férias para cuidar da campanha de Bolsonaro no Piauí.

Divulgada no mesmo dia em que o Datafolha mostrou oscilação positiva na vantagem de Lula sobre Bolsonaro, a notícia repercutiu mal. Na manhã de sexta (23), o ministro recuou da decisão e disse que só descansaria após a reeleição do presidente.

No Piauí, Lula lidera as pesquisas de intenção de voto com 61%, de acordo com pesquisa Ipec de 13 de setembro. Bolsonaro aparece com 20%. No estado, o candidato de seu partido ao governo do estado, Coronel Diego Melo, tem 3% das intenções de voto.

A corrida é liderada por Silvio Mendes (União Brasil), que faz parte da coligação do PP de Ciro Nogueira. A disputa deve ir para o segundo turno, no qual Mendes deve enfrentar o petista Rafael Fonteles.

Lula também aparece à frente na preferência dos eleitores de Alagoas. Paulo Dantas (MDB), apoiado pelo senador Renan Calheiros (MDB) -adversário de Lira-, está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para o governo.

Em alguns dos estados preteridos, os candidatos a vice foram enviados para fazer campanha.

O vice de Bolsonaro, general Braga Netto (PL), esteve em Sinop e Sorriso, no Mato Grosso, em busca de doações junto ao agronegócio.

Geraldo Alckmin (PSB), vice de Lula, tinha viagem marcada a Cuiabá, capital mato-grossense, para tentar atrair o voto ruralista, mas acabou cancelando o compromisso por ameaça de tumulto feita por bolsonaristas. Alckmin esteve em Porto Velho (RO), também em aceno ao agro.

Em Roraima, o candidato de Bolsonaro ao governo, Antônio Denarium, minimiza o fato de o presidente não ter ido ao estado ajudar em sua campanha. Em nota, ele credita à sua dianteira nas pesquisas de intenção de voto a ausência do presidente durante as eleições.

O candidato lembra que Bolsonaro esteve duas vezes em Roraima em 2021. "Por esse motivo e sabendo da necessidade mais urgente da presença do presidente em outros estados da federação, o governador Antônio Denarium vê como normal a não vinda do presidente ao estado."

O candidato petista ao governo do AC, Jorge Viana, corre o risco de ficar de fora do segundo turno das eleições. Procurado, ele disse que, desde o começo da campanha, houve o acordo de que a visita de Lula na região Norte seria no Amazonas, onde Viana esteve presente.

"Acre, Roraima, Rondônia e Amapá de fato não receberam a visita do ex-presidente, mas todos os candidatos da base já haviam concordado com essa decisão, por ser uma campanha curta e esses estados terem colégios eleitorais menores", disse o senador, em nota.

Os quatro candidatos priorizaram a região Sudeste, que possui três estados com os maiores colégios eleitorais. Todos passaram mais de uma vez por São Paulo, onde há 34,6 milhões de eleitores, mais que a soma de eleitores de 16 estados, entre eles Goiás, Paraíba, Espírito Santo, Amazonas, Distrito Federal e Sergipe.

Minas Gerais, que tem 16,2 milhões de eleitores, também recebeu por mais de uma vez a visita dos candidatos. Os dois primeiros colocados nas pesquisas fizeram comício no interior do estado nesta sexta-feira (23).

Bolsonaro, inclusive, iniciou sua campanha em Juiz de Fora (MG), local onde recebeu uma facada durante a campanha de 2018. Em encontro com lideranças religiosas, o candidato falou em milagres, disse que o Brasil marchava para o socialismo e prometeu queda na taxa do desemprego.

O Rio de Janeiro é o terceiro maior colégio eleitoral e também recebeu a visita dos quatro candidatos por mais de uma vez.

A campanha de Lula afirmou que em um período de 45 dias de eleição é muito difícil percorrer todos os estados, além de haver gravações de programas de TV e eventos de órgãos de comunicação em São Paulo ou Rio de Janeiro.

As campanhas de Jair Bolsonaro, Ciro Gomes e Simone Tebet foram procuradas, mas não quiseram se manifestar.