Luiz Fernando Guimarães diverte como nonagenária no espetáculo 'Ponto a Ponto'

*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 15.07.2022 - O ator Luiz Fernando Guimarães. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 15.07.2022 - O ator Luiz Fernando Guimarães. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Estou vivendo uma vida de mulher no teatro, e como é difícil", diz Luiz Fernando Guimarães às gargalhadas enquanto enumera os cuidados que precisa adotar -maquiagem, sutiã, cabelo- para dar vida a Vera, uma nonagenária que trava um embate geracional com o neto, Léo, na casa dos 20 anos de idade, em "Ponto a Ponto - 4.000 Milhas", espetáculo que acaba de estrear no teatro B32, em São Paulo.

Guimarães encabeça o elenco formado por Bruno Gissoni e Renata Ricci sob a direção de Gustavo Barchilon, que debutou nos palcos paulistanos no ano passado com a elogiada montagem do musical "O Rei do Show". A encenação de "Ponto a Ponto" é uma homenagem à amiga Beatriz Segall, que apresentou o texto a ele.

"Ela já estava muito debilitada, mas a cabeça ainda estava bem. Ela chegou a ler comigo, deu pitacos na tradução, mas já não poderia mais fazer. Ela dizia, inclusive, que era a única atriz que poderia fazer aquele espetáculo no Brasil", conta Barchilon, que, ato contínuo, escalou Luiz Fernando Guimarães para o papel interpretado ao redor do mundo por mulheres mais velhas.

As intérpretes sempre femininas são exigência da autora, a americana Amy Herzog, que abriu exceção extraordinária para o Brasil graças ao trabalho de Barchilon em "O Rei do Show", reconhecido como referência para futuras montagens.

Guimarães não é a única alteração significativa na montagem brasileira. Uma das personagens femininas, Amanda, é descrita como uma americana de ascendência asiática.

A personagem é interpretada pela atriz e cantora Renata Ricci, que dá vida ainda à ex-namorada de Léo, Amanda. As alterações de gênero e etnia das personagens, entretanto, não entram em discussão na produção, que tem sua equipe criativa formada majoritariamente por mulheres, nem para Guimarães, que diz não ter hesitado a fazer o espetáculo.

"Eu já fiz muitas mulheres, fiz no [grupo] Asdrúbal Trouxe o Trombone, no 'TV Pirata' e no [humorístico] 'Acredita na Peruca', mas eram sempre caracterizações histriônicas. Aqui, o conteúdo é muito mais importante, a personagem é diferente, eu comecei a buscar na memória pessoas que estivessem mais próximas e fui me aproximando desse universo, sem pressão externa nem interna pelo meu trabalho", diz.

Sem medo de represálias, o ator lembra que chegou a sofrer críticas do movimento feminista na década de 1990, quando apresentava o quadro "Vida ao Vivo Show", com Pedro Cardoso, no Fantástico. Na atração, a dupla dava vida a 300 mulheres. "Nós somos atores, não temos essa peneira. Vai ter sempre alguém contra, isso faz parte da sociedade, mas, num certo momento, não vamos ligar, só fazer. Cada um com seu empoderamento, não lutamos contra, mas não vamos deixar de fazer, porque a vida é assim."

Longe das telas desde 2018, quando compôs o elenco da novela "O Tempo Não Para", da Globo, Guimarães vê como positiva a mudança de política de contratação da Globo. "O mercado se expandiu, houve uma democratização, está mais amplo. Agora você não precisa estar numa novela, você pode fazer um filme, um seriado, fazer teatro, nós estamos sempre realizando. Para nós, atores, o mercado se alargou!"

Gissoni e Ricci concordam com o veterano. Com trajetórias distintas no audiovisual, a dupla celebra o novo rosto do mercado. "Gravei há pouco uma série toda em inglês. Era impensável no Brasil. Isso só vem para somar, estamos criando sem limites. Antigamente, você criava pensando num veículo, hoje você tem um produto bom, bota na mão de uma boa produtora e ele acontece. Estamos livres para enriquecer as produções enquanto artistas", acredita Gissoni.

"Quando você está contratado, tem sua segurança, mas aí você enxerga muitos atores morrendo artisticamente. E agora, apesar da insegurança, artisticamente você está mais aquecido, mais plural, agora você é dono do seu rabo", diz Ricci. Com planos de se tornar um sitcom, a peça cumpre temporada de sexta-feira a domingo, até 21 de agosto.

PONTO A PONTO

Quando Sexta e sábado, às 20h30; e domingo, às 19h. Até 21 de agosto

Onde av. Brig. Faria Lima, 3.732, Itaim Bibi, São Paulo

Preço De R$ 60 a R$ 140

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