Ludmilla pede 'L' de Lula à plateia em show na Virada com cores do PT no telão

São Paulo, SP, BRASIL, 29-05-2022: Virada Cultural. Apresentação da cantora Ludmilla,  como parte do encerramento das atividades do evento, no palco Freguesia do Ó, na zona norte da cidade.  (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
São Paulo, SP, BRASIL, 29-05-2022: Virada Cultural. Apresentação da cantora Ludmilla, como parte do encerramento das atividades do evento, no palco Freguesia do Ó, na zona norte da cidade. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ludmilla enfrentou falhas técnicas que a levaram a interromper sua apresentação duas vezes neste domingo (29) de Virada Cultural em São Paulo. A primeira foi logo depois de ter subido ao palco da Freguesia do Ó com meia hora de atraso. A falha arruinou sua entrada triunfal ao som de "Cheguei", um de seus maiores hits.

As falhas técnicas e estruturais, no entanto, não tiraram o charme da apresentação, que Ludmilla acabou encerrando com a música "Onda Diferente", gritando que "a favela chegou", e pedindo à plateia para fazer o "L".

Bem que este "L" poderia ser uma referência ao próprio nome, mas a cantora saiu de cena com o telão do palco se alternando entre as cores vermelho e branco, as mesmas do Partido dos Trabalhadores, com quem colaborou no jingle da campanha de Lula. Ainda assim, a cantora não citou o nome do candidato à presidência do PT.

Não mencionar o ex-presidente tem sido uma tônica da Virada Cultural. Seja por escolha própria, seja por medo de serem acusados de fazer propaganda eleitoral antecipada, como ocorreu com Pabllo Vittar no Lollapalooza, a maioria dos artistas evitaram declarar apoio explícito a Lula.

A legislação não proíbe manifestação política de nenhum cidadão. A lei impede a realização de showmícios, mas eles podem se manifestar nas redes sociais, durante entrevistas, em apresentações individuais ou em festivais.

É proibido anunciar um evento que faz parte da campanha de algum candidato e dizer que uma das atrações será um show. Mas não é proibido que artistas, num show próprio, festival ou evento, como a Virada Cultural, faça uma manifestação em prol de algum candidato, porque não se trata de eventos organizados como parte de uma campanha.

No início do show, a cantora fez uma pequena pausa e tentou dar continuidade a "Cheguei", mas o som, além de estar repleto de ruídos, não chegava a quem assistia a apresentação do fundo da praça Dollmann, isto é, a maior parte do público.

A plateia, que tinha ensaiado um coro de "Bolsonaro, vai tomar no cu", deixou o presidente de lado e, tão indignado quanto diziam estar com o presidente, começou a protestar contra a produção, questionando "cadê o som" e pedindo aos gritos que aumentassem o volume.

Ludmilla então saiu de cena e, dez minutos depois, voltou empilhando hit atrás de hit, uma estratégia esperta para reconquistar a plateia.

A sequência de "Bom", um de seus primeiros sucessos, "Favela Chegou", sua parceira com Anitta, e "Verdinha", sua ode à maconha, fizeram o público cantar e dançar até mesmo do alto das árvores.

Com "Socadona", a cantora deixou o funk de lado para dar espaço ao samba e ao pagode. É verdade que a animação do público diminuiu, mas ninguém a deixou cantando sozinha.

Sucesso, afinal, não falta a Ludmilla. O que lhe fez faltou, como para boa parte dos cantores que se apresentaram nos palcos mais distantes do Centro, foi estrutura.

Parte de seu atraso para dar início à apresentação, aliás, foi por conta disso. Alguns empurravam uns aos outros em frente ao palco e outros subiam em cima de muros e árvores, correndo risco de se acidentarem. A apresentadora, de olho, ameaçou que Ludmilla não começaria o show enquanto o empurra-empurra não parasse e todos estivessem com os pés bem firmes no chão.

É compreensível, porém, por que os jovens com força suficiente estivessem escalando as paredes. É que a maior parte do público não tinha vislumbre algum da cantora ou até mesmo do palco, já que uma estrutura metálica com caixas de som impedia por completo a visão.

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