Luciana Gimenez fez o único post de Instagram que você precisa ler hoje (amanhã e depois)

Luciana Gimenez (Foto: Getty Images)

Luciana Gimenez fez um post importantíssimo na sua página no Instagram nesta quinta-feira (13). No seu perfil, ela falou sobre o fato de ser constantemente ligada a novos namorados e ser manchete por conta da sua vida amorosa. 

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O ponto que ela levanta é importantíssimo. "Mulheres não podem escolher serem solteiras? Necessariamente temos que estar associadas a um homem? Não existe amizade entre homem e mulher?", questiona ela. Sim, se você parar para reparar, mulheres solteiras são comumente mal vistas na sociedade. Das duas uma: ou os outros tentam constantemente encontrar um namorado para elas ou acreditam que têm algo errado. 

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A ideia de que ser solteira é um problema não é de hoje. Desde muito, as mulheres eram vistas como prêmios, precisavam ter certas aptidões para casarem bem e subirem socialmente. Entra aí outras noções como a objetificação feminina, a valorização da aparência e a competição entre mulheres. As bases de uma sociedade patriarcal. 

Basta observar algumas coisas: uma mulher casada e com filhos dificilmente lida com questionamentos a respeito da sua vida (claro, existem exceções). Ao contrário, a mulher solteira é constantemente questionada sobre o porquê de não ter um homem ao seu lado - o que gera comentários do tipo "Você é seletiva demais", "Homem tem medo de mulher independente"; "Você está ficando velha, vai ser difícil achar alguém depois", e afins. 

Porém, o que Luciana explica tão bem no post é que, como mulher, ela tem o direito de ser e se manter solteira, se esse é o seu desejo - e não ser questionada por isso ou enfiada em relacionamentos que não quer. É fácil ver como o tratamento é diferente quando se fala dos homens. Para eles, a solteirice é algo normal, nem mesmo questionável, porque os homens têm direito de "aproveitar" a vida antes de "sossegarem" em um relacionamento. 

Tem mais. Na sociedade em que vivemos hoje, ainda persiste a ideia de que uma mulher solteira não é feliz. Mesmo Carrie Bradshaw, com toda sua independência nova-iorquina, encontrou um par no final de 'Sex And The City'. É o que dizem todos os contos de fadas e todas as comédias românticas. Carreiras bem-sucedidas e amizades saudáveis não são nada comparadas à um casamento com um homem

Mulheres independentes, financeira e profissionalmente, são um problema porque assustam os homens. As que preferem trabalhar na casa e na criação dos filhos são um problema porque são dependentes dos maridos. As que namoram, mas não casam, não são confiáveis. Qualquer que seja o caso, a vida de uma mulher é sempre medida em relação a um homem. Amizade entre homens e mulheres é impossível porque elas estão sempre em busca de um marido. 

Em alguns casos, isso até pode ser verdade. Mas, mesmo que seja, não é passível de julgamento, porque a verdade é que as mulheres têm o direito de viverem suas vidas como quiserem. Essa é a ideia do feminismo, tão mal interpretado internet afora: o termo define a busca por equidade de gêneros, ou seja, homens e mulheres sendo tratados como iguais, independentemente da situação. Se para os homens é ok passar boa parte da vida solteiros, por que para as mulheres é um problema? Se eles podem dormir com quem quiserem, por que elas não podem? Por que isso é normal para homens, mas errado para mulheres? 

Vale lembrar, inclusive, de uma polêmica pesquisa feita pelo estudioso de felicidade Paul Dolan, que chegou à conclusão de que mulheres solteiras e sem filhos são mais felizes do que as casadas - e que o casamento beneficia apenas os homens. 

Para eles, o casamento ajuda a tomar decisões melhores, ganhar mais no trabalho, oferece estabilidade, eles deixam de arriscar… Para elas, o resultado da carga mental que o relacionamento exige - em que o trabalho da casa e da criação dos filhos normalmente recai sobre elas -, gera um nível de felicidade mais baixo. 

Vale lembrar também o número de mães solo, ou seja, mulheres que criam os filhos sem companheiros, no Brasil. O país é conhecido por viver uma epidemia de abandono paterno, quando o pai abandona a família e deixa a mulher, sozinha, com a responsabilidade de mante a casa e os filhos. Segundo dados do IBGE de 2015, no período de dez anos o país ganhou 1 milhão de famílias compostas por mães solo. 

Temporariamente, um relacionamento amoroso pode parecer uma solução, mas já existem provas o suficiente de que tê-lo apenas para cumprir com uma cartilha social pode acabar mal para as mulheres, desvalorizadas em um país onde a desigualdade de gênero é tão grande - dizem que vão mais de 60 anos para que a coisa se equipare de verdade por aqui. 

Relacionamentos são complicados e, óbvio, podem ser maravilhosos. Mas não devem ser a fonte de felicidade para ninguém - nem mesmo para os homens. Acreditar que uma mulher é importante apenas quando ela tem um namorado ou um marido é um desserviço, porque encobre uma série de características, projetos e ideias incríveis que podem ajudar todos nós a evoluir cada vez mais como sociedade, em direção a uma vida melhor.