Luc Ferry diz que empresário não pode ser chamado de besta por não reciclar

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 27.09.2021 - O filósofo francês Luc Ferry durante evento da Natura no WTC, em SP. (Foto: Letícia Moreira/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 27.09.2021 - O filósofo francês Luc Ferry durante evento da Natura no WTC, em SP. (Foto: Letícia Moreira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em sua conferência no ciclo Fronteiras do Pensamento, o filósofo francês Luc Ferry fez uma defesa enfática do ecomodernismo, uma das correntes filosóficas da ecologia na atualidade. "O reformismo que está presente nas COPs não está à altura do problema atual", ele disse. "Evitar pegar avião para curtas distâncias não vai resolver a questão."

Em "Les Sept Écologies", livro publicado no ano passado na França e ainda sem tradução no Brasil, Ferry demonstrou que o ecomodernismo refuta a defesa de uma desaceleração do crescimento econômico. Para tanto, ele elencou na conferência três pontos fundamentais para a implementação da filosofia. Primeiro, será preciso transformar as regiões inabitadas da Terra em reservas para aumentar a biodiversidade.

"Essa reservas naturais são a possibilidade de o ser humano reencontrar a beleza", ele afirma. "A beleza também é importante." Depois, Ferry defendeu a ideia de uma economia circular, em que a reciclagem teria papel central. Mas isso, segundo ele, só poderá ser posto em prática mudando um pressuposto filosófico. A moral deve dar lugar à inteligência.

"Um empresário não deve ser considerado uma besta por não reciclar", ele disse. "Nós temos que mostrar para esse empresário que ele pode ganhar dinheiro reciclando." Por fim, Ferry disse defender um novo modelo de cidade, em que tudo se concentre a curtas distâncias.

Ferry se notabilizou por trazer a filosofia de volta ao debate cotidiano. Entre 2002 e 2004, foi ministro da Educação na França, quando apresentou ao então presidente Jacques Chirac a ideia da proibição de símbolos religiosos nas escolas, que se tornaria lei em 2004 e incendiaria o debate francês sobre o véu usado por mulheres muçulmanas.

Ele havia se tornado um intelectual popular, com o livro "Aprender a Viver - Filosofia Para Os Novos Tempos", de 1996. No total, já são 70 livros publicados. Por seu destaque na filosofia, Ferry foi agraciado com as honras de cavaleiro da Legião de Honra e da Ordem das Artes e das Letras da República Francesa.