Luana Piovani exige que influenciadores falem sobre o extermínio do povo Yanomami

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Em uma série de stories, Luana Piovani se revoltou contra influenciadores digitais que preferiram ficar em silêncio diante das notícias sobre o extermínio do povo Yanomami por ações do garimpo ilegal.

Após cinco dias do relato sobre o incêndio da comunidade Aracaçá, na terra indígena Yanomami em Roraima, ainda não se sabe o paradeiro dos 25 indígenas que moravam no local. Na comunidade, encontrada queimada e vazia, ocorriam investigações sobre o estupro e morte de uma menina de 12 anos. Uma outra criança de 3 anos teria caído num rio e desaparecido, segundo Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana (Condisi-YY) que esteve no local.

"Faz um favor, dá uma cobrada nos seus ídolos sobre a situação dos Yanomamis, povo originário do nosso Brasil. Duas crianças foram estupradas, uma criança de três anos foi jogada no rio, e 25 yanomamis morreram. Uma aldeia dizimada, desapareceu, ninguém tem notícia. O Brasil é um catálogo de tragédias, isso a gente já sabe, mas ninguém vai fazer nada? E nem falo do governo, porque faz anos que não espero nada do governo brasileiro", disparou Luana.

"Na hora que esses influenciadores começarem a marcar o governador do Amazonas, quando os dez primeiros instagrammers mais seguidos do Brasil pararem de fazer publi pra falar disso, alguém se pronuncia", completou.

Informações mais recentes

Na última segunda-feira (25), Júnior Hekurari Yanomami, presidente do grupo, publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que recebeu relatos das violências, praticadas por garimpeiros ilegais que invadiram o território na região de Waikás.

Após a denúncia de desaparecimento da aldeia, Júnior Yanomami divulgou uma gravação mostrando a situação no local. “Segundo falei com as lideranças Yanomami, quando morre alguém, eles abandonam a comunidade”, afirmou. Porém, não se sabe se de fato se os moradores saíram do local por vontade própria.

Conforme reportagem publicada pelo jornal O Globo, antes da aldeia aparecer queimada, moradores relataram que foram coagidos a não denunciarem a respeito do caso de estupro. O Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana comunicou que os indígenas receberam ouro de garimpeiros para manter silêncio sobre crimes.

“Ao chegar ao local, avistamos a comunidade em chamas e sem a presença de moradores indígenas no local, que só apareceram 40 minutos após pousarmos, somente para resgatar materiais de garimpeiros. Após insistência, alguns indígenas relataram que não poderiam falar, pois teriam recebido 05g de ouro dos garimpeiros para manter o silêncio", diz nota da entidade.

Quem queimou a comunidade?

A Polícia Federal (PF) foi até a comunidade para investigar o caso. Contudo, só encontrou casas queimadas, sem ninguém. Ainda não se sabe quem possa ter incendiado o local.

Há suspeitas de que teriam sido os garimpeiros, mas, conforme informou o conselho indígena, os povos têm a tradição de queimar o lugar onde moram "após a morte de um ente querido".

Sem indícios de crimes

Na quarta (27), integrantes da PF, do Ministério Público Federal (MPF), da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) foram até a região do Waikás para "averiguar relatos de eventuais crimes" contra vítimas mulheres e crianças indígenas.

Em nota, dois dias depois, em 29 de abril, afirmaram não terem encontrado indícios da prática dos crimes de homicídio e estupro ou de óbito por afogamento, conforme denúncia do Conselho Distrital de Saúde Indígena.

As equipes ainda ressaltaram que as apurações continuariam. "Os órgãos ainda estão em diligência em busca de maiores esclarecimentos", diz o texto.

CCJ da Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na terça (3) a criação de um grupo de trabalho para acompanhar a situação dos povos indígenas Yanomami.

O grupo deverá acompanhar, fazer diligências e propor providências para reverter a situação de violências e violações de direitos a que estão sendo submetidas crianças, adolescentes e mulheres da comunidade Aracaçá.

STF

Na última quinta (28), os ministros Cármen Lúcia e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), falaram sobre o episódio na sessão da Corte. Ela cobrou uma apuração rigorosa a respeito do estupro e morte da adolescente de 12 anos e afirmou que as mulheres indígenas são “massacradas”.

“As mulheres indígenas são massacradas sem que a sociedade e o Estado tomem as providências eficientes para que se chegue à era dos direitos humanos para todos, não como privilégio de parte da sociedade. Não é mais pensável qualquer espécie de parcimônia, tolerância, atraso ou omissão em relação à prática de crimes tão cruéis e graves”, argumentou.

Presidente do Supremo, Fux disse que o fato é “gravíssimo”, sugerindo medidas locais para que não se repitam situações como esta, “que destroem o trabalho que temos feito de combate ao feminicídio, de proteção às mulheres”.

Episódios de violência sexual não são isolados

A Hutukara Associação Yanomami, que reúne povos indígenas da Terra Indígena Yanomami, divulgou nota sobre a apuração do caso do assassinato ocorrido na comunidade. Segundo o relatório Yanomami Sob Ataque, os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes indígenas não são isolados.

Moradores do Rio Apuí, também no estado de Roraima, ​​relataram situações de abuso sexual de mulheres indígenas. Garimpeiros que trabalham na região teriam oferecido “drogas e bebidas aos indígenas”, e uma criança da comunidade foi estuprada.

Em outubro do ano passado, ainda de acordo com o documento, duas crianças da comunidade Macuxi Yano morreram afogadas enquanto brincavam na praia em frente às suas casas, após serem derrubadas e tragadas pela correnteza gerada por uma draga garimpeira que operava a poucos metros da comunidade.

Em maio do mesmo ano, outras crianças morreram afogadas na tentativa de fuga de tiros por parte de garimpeiros que invadiram a região do Paliamu, no Norte do estado.

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