Luan Santana e Gusttavo Lima: por que toda separação tem que ter uma mulher como pivô?

Marcela De Mingo
·4 minuto de leitura
Nas separações de Luan Santana e de Gusttavo Lima, duas mulheres foram apontadas como "pivôs". (Foto: Instagram / Luan Santana / Gusttavo Lima)
Nas separações de Luan Santana e de Gusttavo Lima, duas mulheres foram apontadas como "pivôs". (Foto: Instagram / Luan Santana / Gusttavo Lima)

É uma história comum: um casal famoso separa e logo começam os rumores de que alguma outra mulher foi o motivo da tal separação. O cara se apaixonou de repente, "ela seduziu um homem casado", “ela destruiu uma família”… enfim, esse roteiro não é de cinema (mas poderia ser) e aparece vez ou outra nas notícias.

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O foco da vez foi o sertanejo Luan Santana, que anunciou o término do relacionamento de 12 anos com Jade Magalhães na última semana. Eis que logo surgiu um pivô, a também cantora Giulia Be, com quem Luan gravou uma música recentemente e protagonizou um clipe - em que os dois interpretam cenas românticas.

Giulia logo foi procurada para explicar a relação com Luan, e disse que os dois são amigos - "um amigo que quero guardar pra vida inteira", disse ela. Mas não parece estranho que uma terceira pessoa tenha que se explicar sobre o fim de um relacionamento que não é dela?

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Foi a mesma coisa com a separação de Gusttavo Lima e Andressa Suita, que aconteceu de repente para os fãs. O anúncio veio da noite para o dia (literalmente) e logo uma modelo foi apontada como o motivo do fim da relação entre os dois. Ela, claro, também precisou usar as redes sociais para se explicar, porque os ataques começaram quase que imediatamente.

Os dois não são casos isolados. Quando Grazi Massafera e Cauã Reymond terminaram o casamento, o motivo tinha nome e sobrenome, segundo os rumores: Ísis Valverde. Apesar de ter se mostrado real, para Jennifer Aniston e Brad Pitt também: Angelina Jolie.

Esses são só alguns exemplos que mostram como é comum uma segunda mulher ser considerada a responsável pelo fim de um relacionamento - e normalmente vista como a vilã da história. Para o público, o homem que traiu a esposa ou a namorada não é uma questão, mas a mulher com quem ele traiu, sim. Aliás, é difícil para os fãs até mesmo aceitarem que, talvez, o relacionamento simplesmente tenha terminado, sem um motivo externo - sem um "pivô". E vale, obviamente, estender essas ideias e noções para a “vida real".

Considerando a maneira como as mulheres são tratadas ao longo da história, faz sentido que elas sejam consideradas as responsáveis pelo fim de uma relação. Com o passar do tempo, elas foram colocadas em uma posição de posse. Seu objetivo na sociedade era casar e ter filhos, cuidar da casa e criar as crianças. Não cumprir com essas funções era um problema, assim como, de alguma forma, se relacionar com um homem que tem uma família - isso é visto como um ato imoral, algo errado.

O que é tirado dessa equação é a escolha do próprio homen, que decidiu, por livre e espontânea vontade, se relacionar com outra mulher enquanto já estava se relacionando com alguém. Colocar a culpa em alguém que "conquista" ou que é uma "tentação" para um homem que tem outra mulher é, no mínimo, estranho e tira da questão o seu ponto essencial.

Não estamos dizendo aqui que nos relacionamentos citados foi isso o que aconteceu. Levamos a sério as respostas de todos os envolvidos e acreditamos que relacionamentos terminam por muitos motivos, traição é apenas um deles, assim como uma das partes se apaixonar por outro alguém.

O ponto aqui é colocar as mulheres como as responsáveis por um relacionamento amoroso. Ou elas não são boas o bastante para "segurarem" os maridos, ou são erradas porque conquistaram um homem casado. Não há meio termo, e o homem termina a história sempre como a vítima da situação.

É interessante considerar, mesmo que por um momento, as responsabilidades que recaem na cabeça das mulheres hoje em dia. Claro que muita coisa já mudou, mas elas trabalham, precisam ser bem-sucedidas na carreira, cuidar bem da casa, dos filhos, estarem sempre bonitas e bem vestidas, com o "corpo em dia". Além disso, precisam satisfazer sexualmente os parceiros e mantê-los interessados. Dá para cansar só de ler esse parágrafo.

Os homens, apesar de também sofrerem com o machismo, têm menos responsabilidades. São os provedores. São o lado divertido de criar uma criança (e, muitas vezes, o ausente). Precisam ser conquistadores, "pegar todas" e não demonstrarem sentimentos (afinal, isso é sinal de fraqueza)? Sim. Mas ainda assim, a sua função é clara e o seu poder bem conhecido no mundo inteiro.

É, no mínimo, uma visão cruel. Se as mulheres são sempre culpadas, não há esperança para elas. Talvez o melhor caminho seja simplesmente aceitar que é impossível saber o que, de fato, causou o fim de um relacionamento. E, qualquer que seja o motivo, não há culpados, não há certo ou errado e, principalmente, ninguém tem nada a ver com isso.