Look de Janja na posse de Lula destaca veia da mulher trabalhadora, diz estilista

SANTOS, SP, 02.01.2023 - VELÓRIO-PELÉ-SANTOS: O presidente Lula (PT) ao lado da primeira-dama do país, Janja, chegam ao velório de Pelé - Velório do ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, realizado no estádio Vila Belmiro, na Baixada Santista, nesta segunda-feira. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
SANTOS, SP, 02.01.2023 - VELÓRIO-PELÉ-SANTOS: O presidente Lula (PT) ao lado da primeira-dama do país, Janja, chegam ao velório de Pelé - Velório do ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, realizado no estádio Vila Belmiro, na Baixada Santista, nesta segunda-feira. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A escolha do look que a nova primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, desfilou durante a posse de Lula neste domingo é cheia de simbolismos.

"A primeira ideia que a gente conversou com a Janja foi de ela não usar vestido. Seria muito significativo ela usar uma calça", conta Helô Rocha, estilista responsável pelo look juntamente com sua sócia, Camila Pedroza. Rocha também assinou o vestido de casamento de Janja, no ano passado.

"A gente poderia fazer um terno completo, superfeminino, mas que tivesse muita brasilidade, muita feminilidade e aquela veia de uma mulher que está lá para trabalhar, arregaçar a manga e fazer acontecer."

O terninho acinturado do conjunto da posse trazia bordados de diferentes tipos de palha -palha de junco, capim dourado e capim colonhão-- feitos por bordadeiras e artesãos do Rio Grande do Norte, de Tocantins e de Goiás.

Havia a intenção de enaltecer comunidades que trabalham com artesanato, normalmente mulheres sertanejas que sustentam a família com os bordados, afirma a estilista, que tem como mote de suas criações valorizar a roupa brasileira. Os adornos foram finalizados com paetês pelo bordador Lucas Bispo.

Além do blazer, usado com um colete por baixo, o conjunto de Janja incluía uma calça pantalona de cintura alta -tudo produzido em crepe de seda tingido naturalmente com caju e ruibarbo-, joias da designer Flavia Madeira e sandália branca.

A cor do vestuário foi pensada para combinar com as palhas dos adornos e resultou em um tom quase dourado. Janja não queria off-white, nem vermelho, "exatamente para comunicar que é um governo de todos, não somente de quem votou no PT", segundo a estilista.

A roupa foi criada em diálogo constante com Janja e teve várias provas, conta a designer, acrescentando que ela e sua sócia só produzem vestuário exclusivo e sob medida. Na parte de dentro do blazer há a frase "Janja 01.01.2023" bordada.

Rocha também ajudou Janja a escolher o segundo look do dia, da marca paulistana Neriage, que a primeira-dama vestiu numa recepção no Palácio do Itamaraty após a posse --um conjunto de saia e body plissados com uma capa também plissada de mangas retorcidas, tudo em tom lilás-azulado. O look, costurado à mão, foi criado pela estilista Rafaella Caniello.