"Perigo das drogas inalantes": como 'loló' age no seu organismo

Como drogas inalantes agem no organismo? (Foto: Getty Images)
Como drogas inalantes agem no organismo? (Foto: Getty Images)

Um médico hebiatra (especializado em adolescentes) mostrou as consequências do uso do loló, droga inalante usada por muitas pessoas, principalmente em festas e baladas e o vídeo viralizou no Tik Tok.

Na postagem, ele mostra a quantidade que seu paciente adolescente tinha ingerido, e o valor aceitável da enzima chamada TGO, localizada no fígado. É justamente ela que define se há uma inflamação hepática ou não.

A quantidade máxima recomendada é de no máximo 37 e do adolescente estava com 489. Ou seja, quase 15 vezes mais do que o permitido. “Esse número indica que há problemas no fígado e pode ser reversível se parar a tempo”, alerta Marcelo Heyde, psiquiatra e professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Ainda no vídeo, o especialista alerta sobre os riscos de outras drogas inalantes usadas, constantemente, por jovens e adolescentes no dia a dia.

“Loló” e os danos à saúde

No passado, a droga conhecida por loló era usada como um anestésico e tinha uma combinação de substâncias como benzinas, solventes e clorofórmio. No entanto, seu uso foi proibido depois de apresentar lesão direta no fígado, rins e coração.

Segundo Heyde, a substância faz com que as enzimas hepáticas fiquem inflamadas, levando a outros problemas. Como inalar é uma das formas mais rápidas que o corpo tem para absorver substâncias, é muito mais fácil ter picos de absorção além de dependência.

No caso do loló ou lança perfume, essas drogas são extremamente tóxicas e irritam as mucosas das vias aéreas, desde o pelo do nariz até o alvéolo do pulmão. “Essa mucosa inflamada pode alterar a absorção de oxigênio. Isso é comum para todas as substâncias inaladas”, reforça o psiquiatra da PUC-PR.

Em casos mais graves, o primeiro uso pode causar morte súbita já que a forma de absorção é muito incontrolada. Geralmente, o uso desse tipo de droga está relacionado a uma baixa percepção de risco.

Do ponto de vista comportamental, o inalante provoca mais euforia, agitação e deixa a pessoa mais desinibida. Porém, pode ainda causar episódios de irritação. Também atua na percepção dos sentidos e outras sensações.

Dartiu Xavier da Silveira, psiquiatra especializado em dependências e professor da Escola Paulista de Medicina, explica que a droga pode ainda elevar riscos ao cérebro. "Diminui a oxigenação do cérebro e muitos neurônios podem morrer. Altera a memória, atenção, concentração e até habilidades intelectuais (inteligência)", segundo o psiquiatra.

Há algumas pessoas que afirmam haver diferença entre o loló e lança perfume, mas segundo os especialistas, o que muda são os compostos.

Outros inalantes agressivos

Não é só o loló que oferece riscos à saúde de jovens e adolescentes. Outras substâncias são tão nocivas quanto, e ainda oferecem diversos problemas a curto prazo. Mostramos melhor abaixo.

Cigarros eletrônicos (vape)

Cigarro eletrônico (Foto: Getty Images)
Cigarro eletrônico (Foto: Getty Images)

Com a promessa de ser menos nocivo do que o tabaco comum, cigarros eletrônicos estão em alta entre os jovens. Mesmo fabricantes vendendo a ideia de “menos prejudicial”, são piores e até mais danosos, segundo os médicos.

Isso porque sua fumaça é considerada tóxica e pode causar dependência com uso prolongado. “Cigarro eletrônico não é mais seguro. Além da nicotina, ele tem uma série de substâncias intoxicantes. Ele é mais viciante do que os solventes e aerossóis”, destaca Silveira.

Os danos as mucosas também são observados no uso do vape e pode elevar as dependências químicas. Há, ainda, uma nova doença chamada evali (sigla em inglês para doença pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping—E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury.

Narguiles

Narguiles (Foto: Getty Images)
Narguiles (Foto: Getty Images)

É tão nocivo quanto o cigarro comum. Segundo os médicos, o volume de fumaça é equivalente, e uma sessão desse pode ser igual a um maço inteiro de tabaco comum. “O filtro da água não limpa todas as impurezas”, destaca Heyde.

Ele ainda pode prejudicar as cordas vocais e todas as vias aéreas. “Quem usa a voz está diminuindo a vida útil e qualidade da voz”, diz.

Tiner

Como se fosse uma cola de sapateiro, com cheiro forte, viciante, ele é usado para tingir. Como é vendido facilmente no mercado popular, há grande chance de vício e dependência. Os danos mais comuns também são problemas nas mucosas aéreas, além dos psiquiátricos.

Cigarro de maconha (baseado)

É mais comum causar uma lesão na mucosa e por ter um princípio ativo do Tetrahidrocanabinol (THC), esse pode aumentar de duas a sete vezes episódios de esquizofrenia.

O uso frequente cria associações comportamentais que deixam o indivíduo viciado ou com padrões dependentes.

A droga pode, ainda, causar crises de pânico, psicose e problemas de ansiedade. Vale destacar que é importante não confundir com canabidiol, que existe e é para fins medicinais.

Aerossóis

Existem diversos sprays que são considerados de risco para a população. O desodorante, por exemplo, se for usado de forma errada e em desafios, como já surgiram na internet, pode provocar danos à saúde, como problemas na mucosa e dependências químicas.

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