Último dia de Lollapalooza reúne protestos, chuva e homenagens ao Foo Fighters

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Último dia de Lollapalooza reúne protestos, chuva e homenagens ao Foo Fighters (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
Último dia de Lollapalooza reúne protestos, chuva e homenagens ao Foo Fighters (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

O Lollapalooza Brasil chegou ao fim na noite de domingo (27) e trancou a pandemia para o lado de fora. O festival foi o primeiro grande evento, após dois anos de isolamento social, por conta do coronavírus, e sem a obrigatoriedade no uso de máscaras. O público, que encheu o Autódromo de Interlagos por três dias seguidos, parecia cansado de um governo que colocou o país em situação de precariedade. O grito de guerra da galera - e das atrações do evento - foi um só: "fora, Bolsonaro".

O último dia da maratona de shows teve fim com uma apresentação conjunta de Emicida, Planet Hemp, Criolo, Mano Brown e mais convidados, além de uma homenagem a Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters, encontrado morto na última sexta-feira (25), o que fez com que a banda cancelaase o show que faria no festival.

O QUE FUNCIONOU:

  • Protestos mesmo com proibição do TSE

Embora as manifestações políticas tivessem sido proibidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os artistas brasileiros não se intimidaram e fizeram os seus protestos ao longo do dia. A banda Fresno foi a primeira delas e, com Lulu Santos no palco, estampou a frase "fora, Bolsonaro" no telão do evento.

Na sequência, Marina Sena incentivou os fãs a regularizarem o título de eleitor para votar nas próximas eleições, que acontecem próximo ao final do ano. Djonga foi mais incisivo e prometeu xingar Bolsonaro durante toda a apresentação - e cumpriu.

Gloria Grove, uma das últimas atrações do dia, também engajou em protestos contra o presidente e também a decisão do TSE: "Hoje à tarde, antes de vir pra cá, eu fiquei pensando: será que a gente voltou no tempo? Quer dizer que eles querem calar a gente? É isso? Censura em 2022 é o caralho! Fora, Bolsonaro!", clamou Gloria, recebendo o apoio dos fãs.

No último show da noite, uma homenagem a Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters, encontrado morto na última sexta-feira (27), também se transformou em protesto nas mãos de Emicida, Criolo, Mano Brown e Planet Hemp, entre outros.

  • Black Pumas

O Black Pumas desembarcou no Brasil pela primeira vez para entregar um show incrível no Lollapalooza. O duo formado pelo vocalista Eric Burton e o guitarrista Adrian Quesada cantou ao cair da noite em um clima bem aconchegante, mas com muita sensualidade e poder. A apresentação encantou o público e a redação só ouviu elogios ao duo durante o show.

O Black Pumas foi uma das atrações do último dia do Lollapalooza Brasil (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
O Black Pumas foi uma das atrações do último dia do Lollapalooza Brasil (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

O QUE NÃO FUNCIONOU

  • Chuva quase trouxe problemas (mais uma vez)

Depois de um sábado ileso, a chuva voltou a aterrorizar o público do Lolla, como fez na última sexta-feira (25). Logo no início da tarde, a organização do festival pediu para que os presentes se afastassem dos palcos pois havia risco de raios. Os shows foram paralisados e só foram liberados às 15h10, quando a banda Fresno subiu ao palco, vinte minutos após o horário agendado.

Com o caos por causa da chuva acontecendo duas vezes na mesma edição, depois de também ter acontecido em 2019, talvez seja a hora da organização do Lollapalooza Brasil pensar em uma nova data para o festival, em épocas menos chuvosas.

Pela segunda vez, chuva interrompe shows no Lollapalooza Brasil (Foto: Bruna Calazans/Yahoo!)
Pela segunda vez, chuva interrompe shows no Lollapalooza Brasil (Foto: Bruna Calazans/Yahoo!)
  • Substituição de última hora

Apresentada pela organização do Lollapalooza Brasil como um tributo a Taylor Hawkins, a reunião de Emicida, Planet Hemp, Mano Brown e tantos outros grandes nomes do rap nacional foi de encher os olhos e os ouvidos, mas pouco serviu para arrancar lágrimas dos fãs ou lembrar o rock do Foo Fighters, do qual Hawkins era baterista, nem mesmo quando o Planet Hemp relembrou Ratos de Porão no palco e promoveu uma roda de hardcore em meio à plateia. Para essa segunda demanda, os fãs de rock tiveram o show da banda britânica Idles, que representou o gênero com maestria.

A reunião acabou acabou servindo como um encontro de amigos da música com o intuito de continuar manifestações políticas, o que é válido. O show do Planet Hemp, inclusive, atendeu os saudosistas dos anos 2000 e serviu bem para mostrar que música e política existem intrinsecamente.

Marcelo D2 se apresenta em última noite do Lollapalooza (Foto: Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
Marcelo D2 se apresenta em última noite do Lollapalooza (Foto: Foto: Iwi Onodera/Brazil News)

Lollapalloza 2022

  • Acessibilidade

A acessibilidade para pessoas com deficiência foi um dos pontos que deixou a desejar. Antes do evento acontecer, o Lollapalooza fez uma divulgação pesada sobre a inclusão desse público, mas relatos na internet de influenciadores revelaram as falhas da organização.

Lorena Eltz, influenciadora e portadora da Doença de Crohn, revelou que enfrentou dificuldades com sua bolsa de ileostomia. Ela precisou andar durante muito tempo até encontrar um banheiro adequado. "Para quem usa bolsinha sabe que andar muito e ficar sem banheiros são coisas que não rolam. Não vi um banheiro perto dos lugares que passei, só na saída, depois de caminhar mais de 15 minutos. Eu simplesmente estava com cocô escorrendo por toda minha calça, tênis e tudo mais. Minhas amigas me ajudaram a limpar e eu voltei para casa chorando”, contou ela em seu perfil nas redes sociais.

  • Marina Sena

A escolha de Marina Sena para o line-up do Lollapalooza foi precipitada e o show desanimado foi a prova disso. A artista de uma música só precisou apresentar “Por Supuesto” no meio da performance para animar o público, que não reagia aos seus chamados - continuou sem reagir como esperado. O hit do TikTok foi cantado novamente ao final do show, como estava programado, e as vozes da plateia só foram ouvidas em coro durante o refrão chiclete.

Marina Sena animou a tarde no último dia do Lollapalooza Brasil 2022 (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
Marina Sena animou a tarde no último dia do Lollapalooza Brasil 2022 (Foto: Iwi Onodera/Brazil News)
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