Loki: O Evento Nexus - Crítica do Chippu

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O texto abaixo contém spoilers para "O Evento Nexus", quarto episódio de Loki.


Um dos equilíbrios mais difíceis de se encontrar na televisão é entre a necessidade de desenvolver bem seus personagens e aumentar a mitologia, particularmente quando se é uma série cheia de mistérios prontos para serem desvendados. Vimos um exemplo dessa tarefa este ano com WandaVision. Por um lado, ela cresceu bem seus protagonistas, mas por outro decepcionou em diversas revelações. Enquanto nenhuma reviravolta de "O Evento Nexus", quarto episódio de Loki, é o tipo de coisa digna de explodir sua mente, a série de Michael Waldron e Kate Herron faz parecer fácil este desafio tão complicado.


Obviamente precisamos falar das revelações sobre a Autoridade de Variância Temporal (AVT) - algumas das quais, sem querer me gabar mas já me gabando, eu previ um dia após a estreia do episódio um - sobre o fato dos Guardiões do Tempo não passarem de marionetes, e a aparição de quatro novas variantes do Loki - a clássica, mais velha (Richard E. Grant), o jovem Kid Loki (Jack Veal) e o forte Boastful Loki (DeObia Oparei), além, é claro, do Loki jacaré - ou Loki vacinado, segundo certas figuras políticas de intelecto questionável.


Mas antes de falarmos sobre a expansão do MCU aqui, é importante entrar no crescimento dos personagens. O Loki original (Tom Hiddleston), particularmente, segue uma jornada de desenvolvimento muito boa, especialmente quando aliado ao engraçado Agente Mobius de Owen Wilson. Ele, por sua vez, também avança bastante neste quarto capítulo, apenas reforçando o fato de que, ainda mais que Sylvie (Sophia Di Martino), este relacionamento é o coração da história.


Afinal de contas, adianta revelar mil mistérios e plantar centenas de reviravoltas se não nos importarmos com as pessoas afetadas por eles? De forma alguma. Por isso este quarto episódio, uma jornada de descoberta e humildade para ambos mentiroso e policial, é tão importante. Prestes a testemunhar o apocalipse em Lamentis, Loki e Sylvie começam a se apaixonar e a AVT finalmente os encontra, prendendo os dois e levando-os para serem podados da existência. Sua paixão criou uma variação gigantesca na Linha do Tempo Sagrada.


Então, Loki e Mobius são reunidos. O asgardiano tentando entender este sentimento novo pela primeira vez, ainda lutando com a crença de estar destinado a ser solitário e trapaceiro, e o investigador começando a perceber pontas soltas na AVT, como o desaparecimento da caçadora C-20 e as suspeitas da B-15 (Wunmi Mosaku). Ambos entram este episódio precisando lidar com o fim de suas suposições sobre si mesmos, e é Mobius finalmente descobrindo a verdade e libertando Loki de sua cela temporal (um loop no qual ele apanha repetidamente da Lady Sif de Jamie Alexander) e declarando ao deus da mentira: sim, você pode ser uma pessoa boa.


E assim, nossos personagens estão aliados novamente, dessa vez contra a AVT e cientes de suas novas identidades (ou, no caso de Mobius, de sua antiga, já que todos da agência são variantes sequestradas e com amnésia). Ambos são encurralados pela juíza Ravonna Renslayer (Gugu Mbatha-Raw), cujos agentes apagam o personagem de Owen Wilson e prendem Loki novamente.


Paralelamente, Sylvie revela a verdade para B-15 e as duas planejam a fuga para derrotar os Guardiões do Tempo. Isso acontece quando ambos Lokis estão prestes a serem deletados da existência diante dos três misteriosos alienígenas. Depois de uma luta contra Renslayer e a AVT, a verdade é revelada. Os Guardiões não passam de androides.


Quem, então, está por trás dessa polícia temporal? Renslayer - que apaga nosso Loki logo antes dele confessar os sentimentos pela outra variante - não parece saber, já que na cena de abertura do episódio ela vai até os Guardiões e volta abalada por ter levado uma bronca. Ou seria essa mais uma mentira?


Talvez sua teoria seja outro Loki, quem sabe o Loki clássico dos quadrinhos, conhecido por ser mais velho e maldoso. A cena pós-créditos, entretanto, rapidamente desfaz essa ideia.


Nosso Loki fica face-a-face com as quatro variantes citadas acima em uma espécie de limbo de Nova York destruída. A cena mostra que pessoas podadas não são apagadas da existência, mas transportadas para este lugar. Isso nos dá esperança de vermos Mobius novamente - uma revelação mais poderosa por conta de como o episódio reacende nosso carinho por ele, mais uma vez mostrando como o desenvolvimento é importante - e abre um leque enorme de possibilidades.


Como o Loki de Hiddleston vai interagir com o de E. Grant, Veal e Oparei? Qual vacina o Loki jacaré tomou? Sylvie descobrirá algo questionando Renslayer? Os mistérios e perguntas continuam, mas se há algo que devemos tirar de conclusão de "O Evento Nexus", é que eles não são nada sem os personagens por trás.


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