"Loki" fala sobre identidade assim como "WandaVision" fez com luto e "Falcão" com racismo

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Ainda estamos no segundo episódio, mas parece seguro dizer que este último capítulo coloca Loki como um dos melhores roteiros que a Marvel criou. E não só no mundo das séries, já povoado por WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal, mas também no dos filmes. As primeiras duas horas da aventura solo do Deus da Mentira consegue moldar um personagem sem esquecer do alívio cômico necessário para obras do tipo, ao mesmo tempo que constrói uma discussão sobre identidade e propósito inexistente em boa parte das histórias da Marvel.

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O episódio dois não larga o caráter introdutório e didático para explicar o multiverso e linhas temporais, afinal, é o cerne de toda aventura da série. A questão primordial aqui é que o roteiro o faz de maneira divertida e junto da ação que torna a aventura empolgante - enquanto Loki descobre o funcionamento das coisas, o espectador está ao lado dele visitando lugares novos e conhecendo sobre passado, presente e até o futuro. No meio dessas exposições, porém, é onde está o diferencial da série se levarmos em conta os temas que carregam as motivações de cada personagem. E no caso do protagonista podemos dizer que tudo é sobre aceitação e identidade.

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Loki é uma figura mitológica imbuída de trapaça e mentira, mas também sofredora pelas origens confusas e versões alternativas. No Disney Plus, com o manto da Marvel, o personagem virou um caçador da própria identidade, pois agora se viu frente a frente com facetas dele mesmo o confrontando. Ao mergulhar na discussão sobre identidade, a Marvel expande a questão de mudança de gênero e atesta, assim como em Wanda com luto e Falcão com racismo, que super heróis estão muito além de poderes, tiros e raios. São figuras folclóricas montadas para discutir temas humanos, e em Loki fala-se sobre gênero e origem e, finalmente, aceitação da própria identidade.

"Ninguém é essencialmente mau ou bom", diz o próprio Loki, descrevendo a si mesmo para Mobius. "Eu vejo um menino pequeno e assustado", diz Mobius para Loki. Além de ser o ponto alto da série até aqui, o embate da dupla reflete todo o tema de propósito e aceitação citado anteriormente. Mobius veste o terno do burocrata convicto, mas se alia ao inimigo para entender o sistema, enquanto Loki aceita cooperar para entender os motivos pelos quais virou um vilão dele mesmo no futuro. Parece confuso, mas no fundo é só a ilusão montada por Loki, de novo, para se entender como um deus neste mundo dominado por heróis humanos e erráticos que é o Universo Marvel.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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