Livro mostra a infância de figuras da realeza no Brasil

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Bem distante dos contos de fadas da Disney, em que princesas sofrem com madrastas malvadas ou precisam do beijo de um príncipe encantado para despertar de um sono profundo, o Brasil também teve sua realeza mirim no século 19, de portugueses, brasileiros, africanos a indígenas. E apesar da pompa e maturidade que suas figuras precisavam ostentar, eles eram como qualquer outra criança, cheios de energia para brincar e até mesmo com medos e fraquezas.

É com esse olhar mais lúdico que o escritor Paulo Rezzutti lança sua mais recente obra histórica, "Princesinhas e Principezinhos do Brasil" (R$ 45, 192 páginas, Pingo de Ouro/LeYa Brasil), onde ele usa sua experiência em pesquisas do período imperial para contar aos pequenos leitores a história do país. Rezzutti é autor dos livros da série "A História Não Contada", com biografias de personalidades históricas como dom Pedro 1º, dom Pedro 2º, imperatriz Leopoldina e Domitila de Castro.

"Eu notei que tem muitas crianças que assistem aos meus vídeos no YouTube e ficam curiosas com as histórias sobre príncipes e princesas no Brasil. Percebi que existia uma carência para esse público tão fofo, nessa faixa de 7 a 14 anos. Acabou sendo meu projeto da pandemia, escrevi em cinco meses", conta Rezzutti, que tem 215 mil seguidores nessa rede social, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Para chamar a atenção do público mais jovem, há ilustrações de Gisele Daminelli --todas baseadas em lugares reais a partir de fotos tiradas pelo autor ou de pesquisas--, que ajudam a contar a história.

A primeira delas é sobre a rainha Maria 1ª de Portugal --conhecida posteriormente no Brasil como Maria, a Louca--, que quando criança era o xodó do seu avô dom Pedro 5º, então rei de Portugal. Uma das ilustrações mostra a jovem dentro da carruagem com seu avô passeando pela Lisboa de pouco antes do grande terremoto que devastou parte da capital portuguesa, em 1755. O soberano vai mostrando nas ruas as diferentes etnias que povoavam a cidade, de chineses a brasileiros. "Usei uma situação imaginária para contar fatos verídicos, com essa visão mais lúdica", afirma Rezzutti.

Outra história que chama a atenção é a aclamação a rainha de Maria 1ª (e não coroação, como o livro explica), a primeira mulher a assumir o trono em terras lusitanas. "A Mariana, filha dela, não esteve presente. Mas o futuro dom João 6º sim. Então pensei em fazer uma situação em que o garoto conta à irmã --e em consequência ao leitor-- como foi a consagração da mãe deles, com os dois dentro do quarto dele no palácio de Queluz, em Portugal", diz Rezzutti. "E a ilustração é fiel nos detalhes do cômodo original."

O autor conta que a imagem dos dois irmãos debaixo de uma cama mostra, além do quarto como ele de fato era, o medo que o pequeno príncipe tinha de trovões. "Era real esse pavor dele por trovões. E também é real a imagem dele que tem no livro, segurando seu cãozinho de estimação. Foi baseada em uma pintura sobre ele."

Pai do futuro imperador dom Pedro 1ª, dom João não queria ser rei, de acordo com o escritor. "As crianças têm essa curiosidade em saber como um príncipe não tem esse desejo se der um monarca. Mas ele queria apenas se dedicar à vida religiosa e tocar o órgão da igreja", explica Rezzutti.

Outra jovem personagem, muito divertida, é a princesa espanhola Carlota Joaquina, que aos 10 anos se muda para a corte portuguesa para se casar com dom João (o que tinha medo de trovões), oito anos mais velho que ela. "Ela era espoleta e não seguia as regras. Mas acabou ganhando uma figura materna na presença de Maria 1ª, que a tratava como filha", diz o pesquisador.

O autor não esquece outros príncipes e princesas que habitaram o Brasil. Ele conta a história da guerreira do Congo Aqualtune, que perdeu uma batalha na África e foi escravizada por seus inimigos, que a venderam. Foi aí que ela veio parar no Brasil. "Pouco se sabe da história dela, mas ela é simplesmente a avó do nosso Zumbi dos Palmares, o líder quilombola brasileiro", diz,

A história de Dandara, companheira de Zumbi, também ganha um capítulo. Ela foi uma guerreira negra que dominava técnicas de capoeira e lutava nas muitas batalhas geradas por ataques ao quilombo.

"Não queria que fosse uma obra só com príncipes brancos, queria puxar outras etnias também, tanto negros quanto indígenas. A ideia era mostrar todas as realezas que estiveram no Brasil", afirma. E continua. "Os índios, apesar de não serem príncipes, tinham essa nobreza na figura dos caciques", diz Rezzutti. "Também abordo de forma didática a escravidão, um assunto delicado para tratar com as crianças."

O autor fala ainda de Muirá Ubi, indígena da etnia tabajara, e da Paraguaçu, Tupinambá, da região onde hoje é o estado da Bahia.

Outros personagens em sua fase da infância abordados pela obra são: Custódio, dom Pedro 1º, imperatriz Leopoldina, Maria da Glória, Januária Francisca, dom Pedro 2º, Maria Amélia, e as princesas Isabel e Leopoldina, entre outros.

CONCURSO PARA ILUSTRADOR

Paulo Rezzutti fez um concurso para escolher quem iria ilustrar o livro. O autor postou sobre a competição em suas redes sociais e Gisele Daminelli, que mora em Içara, em Santa Catarina, logo se inscreveu.

"Sempre gostei de história, e seguia o canal História Não Contada. Quando vi do concurso, mandei meu portifolio e fiquei entre os três finalistas. Depois recebemos o mesmo feedback para fazer uma ilustração e a minha foi a eleita em uma votação popular", conta Gisele.

A ilustradora de 37 anos fez a imagem de 13 contos e a capa em apenas 20 dias. "Me animei, estava empolgada com a missão. Apesar de não conhecer o Paulo [Rezzutti] pessoalmente, acho que foi o trabalho mais legal que fiz porque também aprendi muito sobre história."

Rezzutti fará uma live especial para o Dia das Crianças nesta terça (12), às 17h, quando menores de 15 poderão entrar no canal do YouTube A História Não Contada e fazer perguntas ao escritor.

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'PRINCESINHAS E PRINCIPEZINHOS DO BRASIL'

Onde www.casadosmundos.com.br

Preço R$ 45 (livro físico) e R$ 31,50 (e-book)

Autor Paulo Rezzutti

Editora Pingo de Ouro/LeYa Brasil

Ilustrações Gisele Daminelli

Páginas 192

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