Living Colour no Rock in Rio dedica show a Marielle Franco e ataca Bolsonaro

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Living Colour fez um dos shows mais politizados --e diferentes-- do dia no palco Sunset, durante o primeiro dia da edição de 2022 do Rock in Rio. O grupo, que tocou depois das 18h, dedicou o show a Marielle Franco, indicou críticas ao presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal, e pediu ao público para votar.

A apresentação começou com duas das músicas mais conhecidas da banda, "Middle Man" e "Desperate People", e logo o vocalista Corey Glover dedicou a apresentação à vereadora brasileira, assassinada em 2018, e ao seu motorista Anderson Gomes, também morto.

Num dia dedicado ao heavy metal, das camisetas pretas, pouco suingue e cara de mau, a banda americana veterana mostrou seu rock ao mesmo tempo pesado e dançante. Até no jeito de se vestir, eles destoavam das outras atrações. Glover estava inteiro de branco, com as tranças vermelhas, enquanto o guitarrista Vernon Reid trajava uma vestimenta no estilo caubói.

Mas a originalidade do grupo se provou no som. Com um hard rock que bebe tanto da fonte do heavy metal quanto do funk americano, eles fizeram o público bastante numeroso dançar e bater palmas mesmo com um setlist sem alguns de seus sucessos --como "Glamour Boys" e "Love Rears Its Ugly Head".

Depois de "Type" e "Time's Up", Glover mandou o fascismo às favas, e o público respondeu com xingamentos a Bolsonaro, que se repetiram em outros momentos do show. Ele também estendeu um cartaz com as palavras "democracia" e "vote", verbo que repetiu algumas vezes em momentos diferentes.

O renomado guitarrista Steve Vai se juntou ao Living Colour para covers de Led Zeppelin ("Rock and Roll") e Jimi Hendrix ("Crosstown Traffic"), além de faixas dele próprio. O ápice foi em "Cult of Personality", com Vai e Reid trocando solos.

Mais cedo, no mesmo palco Sunset, o Metal Allegiance fez um show tecnicamente virtuoso, mas que teve uma recepção um tanto morna da plateia. Em diversos momentos, o público parecia mais distraído acenando para as câmeras --apontando o dedo do meio ou fazendo o símbolo do rock com as mãos-- do que dançante com as músicas do grupo.

Isso aconteceu a despeito das credenciais do Metal Allegiance, um supergrupo formado liderado por Mikey Portonoy, um dos bateristas mais celebrados do heavy metal. Ele, aliás, atraiu para o show diversos fãs do Dream Theater, banda onde fez sua carreira e também escalada para o primeiro dia deste Rock in Rio.

Após uma primeira parte de canções autorais, a apresentação decolou quando eles puxaram covers das ex-bandas dos vocalistas Chuck Billy, o Testament, e John Bush, o Anthrax --grupos ícones do estilo thrash metal. Antes de cantar "Room for One More" e "Only", do Anthrax, Bush saudou o público lembrando de quando tocou com sua ex-banda em São Paulo, em 1983.

Eles ainda tocaram "Into the Pit" e "Alone in the Dark", ambas do Testament, antes de deixar o palco.