Liderado por Pelé, o Brasil se une à arquirrival Argentina para chorar por Maradona

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(ARQUIVO) Diego Maradona e Pelé durante evento publicitário em Paris no dia 9 de junho de 2016

Argentina e Brasil declararam uma trégua em sua eterna disputa futebolística nesta quarta-feira (25). Grandes jogadores brasileiros, liderados pelo Rei Pelé, choraram a morte da "lenda do futebol" Diego Armando Maradona.

"Que notícia triste. Eu perdi um grande amigo e o mundo perdeu uma lenda. Ainda há muito a ser dito, mas por agora, que Deus dê força para os familiares. Um dia, eu espero que possamos jogar bola juntos no céu", escreveu no Instagram o 'Rei do futebol', de 80 anos.

Junto à mensagem, Pelé postou uma foto do camisa 10 argentino levantando a taça da Copa do México (1986), onde marcou dois de seus gols mais famosos, ambos contra a Inglaterra: a "Mão de Deus" e o gol em que driblou boa parte da seleção inglesa, considerado o mais bonito de todas as Copas do Mundo.

Pelé e Maradona dividem o título de melhor jogador do século XX da FIFA. As duas estrelas tiveram uma relação tensa durante anos, em meio a disputas sobre quem foi o melhor jogador de futebol da história, uma discussão que divide o mundo e especialmente argentinos e brasileiros.

Mas o tradicional debate, que surgiu com a chegada de Maradona em meados da década de 1970, teve uma pausa nesta quarta-feira com a notícia da morte do eterno camisa 10 argentino por parada cardíaca.

"Acho que dentro do campo havia uma rivalidade entre os dois países, mas fora era a amizade que prevalecia entre eles, acho que o Pelé deve ter ficado muito triste neste momento", disse o estudante paulista Welton Vitor, de 22 anos.

No esquecimento ficaram as provocações apimentadas de Diego ao ex-presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange, e o incidente da garrafa de água adulterada na partida das oitavas de final da Copa do Mundo da Itália-1990, vencida pela alviceleste com o gol de Claudio Caniggia após uma jogada individual de Maradona.

"Sempre teve uma rivalidade entre o Brasil e a Argentina, e para ser sincero sempre foi bom ganhar em cima deles quando ele (Maradona) estava jogando! Mas infelizmente a gente fica triste, perdemos um grande atleta, um grande jogador de futebol", explicou Leandro de Souza, taxista em São Paulo.

-Abraço dos herdeiros -

Os herdeiros nos campos de Pelé e Maradona prestaram homenagens ao eterno craque argentino.

O atacante Neymar, estrela do Paris Saint-Germain e da Seleção, publicou uma mensagem de condolências, acompanhada por uma antiga foto em preto e branco, na qual o sorridente craque argentino aparece abraçando 'Ney' ainda criança, no que parece ser um evento esportivo.

"DON DIEGO MARADONA ... Descanse em paz! Lenda do futebol", escreveu o camisa 10 do Brasil no Twitter em português e inglês.

O fenômeno Ronaldo, bicampeão mundial (1994 e 2002), destacou que o futebol perdeu um de seus "maiores ídolos" e um talento que o inspirou desde criança.

"El Pibe, seu legado é eterno. Sua magia em campo jamais será esquecida. Descanse em paz, meu amigo", postou no Instagram.

Maradona considerou que Ronaldo teria sido "o maior da história" se as lesões não tivessem prejudicado a sua carreira de sucesso.

O pentacampeão Ronaldinho Gaúcho ressaltou uma profunda "tristeza" com a notícia" da morte de Maradona. "Descanse em paz, meu ídolo, te amo", publicou no Twitter.

Já o tetracampeão mundial Romário lamentou a perda do "melhor" jogador de futebol que viu jogar. O ex-atacante da 'Canarinha' publicou uma foto em preto e branco do camisa 10 sorrindo enquanto comandava a seleção argentina.

"Meu amigo foi embora. Maradona, a lenda! O argentino que conquistou o mundo com a bola aos pés, mas também por sua alegria e personalidade única", escreveu o ex-atacante em seu Instagram.

O ex-jogador e hoje comentarista Walter Casagrande também chorou a perda. Como Maradona, 'Casão' batalhou contra o vício por anos. "Sofro muito quando morre um dependente químico, para mim é muito duro", relatou à emissora SporTV.

- Adeus político -

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva juntou-se ao coro de lamentações pela morte do "gigante do futebol", que jogou ao lado da esquerda na política.

Maradona estabeleceu uma estreita amizade com o líder cubano Fidel Castro e o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez. No braço direito, tinha tatuado o rosto do mítico guerrilheiro argentino Ernesto "Che" Guevara.

"Sua genialidade e paixão pelo campo, sua intensidade de vida e seu compromisso com a soberania latino-americana marcaram nossa época", disse Lula.

A ex-presidente Dilma Rousseff lamentou a morte de um "incansável defensor dos pobres" e "da luta contra a desigualdade".

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