O poder da resiliência e outras lições de vida que aprendemos em 2020

Y! Vida e Estilo Internacional
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Young brazilian girl living her life in a big city
O poder da resiliência e outras lições de vida que aprendemos em 2020. Foto: Getty Images

Das vidas e meios de subsistência perdidos a meses em confinamento, com o estreitamento dos limites entre casa e trabalho, além de não poder abraçar nossos amigos e familiares, este foi um ano incomparável.

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No topo da lista de lições de vida com certeza está o poder da resiliência. Para muitas pessoas, 2020 foi um ano que exigiu muito improviso, mais isso acabou demonstrando como podemos ser resilientes.

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"Muita gente enfrentou situações impossíveis de prever este ano", explica a Dra. Elena Touroni, psicóloga consultora e uma das CEOs da My Online Therapy. "Tivemos que buscar lá no fundo e encontrar a força interna e a resiliência para tolerar as pedras ao longo do caminho. Embora provavelmente tenha sido extremamente difícil, quanto mais somos capazes de fazer isso, mais fortalecemos nossos músculos de resiliência para poder sair dessa situação mais fortes e mais robustos".

A Dra. Touroni diz que a resiliência exige o equilíbrio delicado de aceitar radicalmente as coisas que não podemos controlar (ou que não poderíamos ter previsto) e focar no que pode ser mudado

"No geral, aprendemos a nos adaptar quando somos expostos a experiências desafiadoras na vida", explica ela. "Se nunca fôssemos expostos a situações que causam um certo nível de estresse, não desenvolveríamos a resiliência. Um certo nível de estresse às vezes pode ser útil, desde que não nos sufoque", acrescenta a Dra. Touroni.

Então, o que mais aprendemos com 2020? Perguntamos a algumas pessoas qual foi a grande lição de 2020 para levar para o próximo ano.

Lição de vida: a arte da gratidão

Emma Jane Unsworth, 42, é escritora e mora em Brighton, @emjaneunsworth.

"Com a pandemia como pano de fundo, minha família teve um ano com muitos altos e baixos. Em 2020, aprendi a ser verdadeiramente grata.

"No início do primeiro lockdown, descobrimos que íamos ter um bebê e, em poucos dias, soubemos que meu marido estava com câncer. Já havíamos sofrido dois abortos espontâneos e temíamos que a mesma coisa acontecesse novamente. Meu marido precisava de tratamento urgente (ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) na próstata) e eu o levei para Londres em um dia quente no início do verão, onde esperei nove horas no carro com um terrível enjoo matinal – não planejamos direito e eu não podia entrar com ele e esperar lá dentro!

"Antes disso, congelamos alguns espermatozoides, caso o tratamento do câncer o deixasse infértil e eu tivesse outro aborto espontâneo. Foi horrível fazer os exames sozinha, pois sempre temia o pior, mas de certa forma, o foco na doença e no tratamento dele impediram que eu me preocupasse em perder o bebê o tempo todo.

"Também temos um filho de quatro anos e crianças nessa idade são uma grande distração. Especialmente quando estão em quarentena em casa. Felizmente, isso só aconteceu uma vez, mas os lockdowns foram desafiadores, assim como para muitos pais. Também morávamos em um apartamento, sem espaço externo, por isso era difícil distraí-lo e estimulá-lo a fazer exercícios.

"Mas então coisas boas começaram a acontecer. A gravidez prosseguiu e parecia saudável. O tratamento do meu marido foi um sucesso. Ele agora está livre do câncer e tivemos uma menina em novembro.

"No meio de tudo isso, eu estava sentada no banheiro pensando sobre a vida e notei que um dos brinquedos do meu filho estava no chão, um pequeno leopardo de plástico. Era como se ele estivesse olhando para mim com aqueles olhos brancos e redondos.

"Por algum motivo, eu sabia que ele estava me lembrando de ser grata. Então, eu coloquei o brinquedo em uma prateleira no banheiro e toda vez que entrava lá fazia contato visual com ele e recebia um pequeno lembrete para agradecer por tudo de bom que eu tinha na vida.

"Comecei a chamar o brinquedo de "leopardo da gratidão". Isso me animou bastante, em parte porque era um jeito idiota de encontrar conforto. Mas se algum ano exigiu uma quantidade absurda de conforto, foi 2020.

"Agora, meu leopardo da gratidão vai a todos os lugares comigo – esteve no hospital ao meu lado quando dei à luz minha filha. Quando mudamos de casa, pus o leopardo na bolsa, bem à mão, e depois coloquei no meu banheiro novo.

"Manter o otimismo me ajudou a superar um ano estranho e terrível. Precisamos encontrar a positividade onde for possível e ela costuma estar em lugares inesperados, como em brinquedos de plástico aleatórios para crianças em idade pré-escolar. Este ano sou muita grata".

Lição de vida: há força na vulnerabilidade

Harvey Morton, 22, de Sheffield, é especialista digital e fundador da Harvey Morton Digital.

"Uma das coisas mais importantes que aprendi este ano é que não há problema em ser vulnerável, e só aprendi essa lição quando saí da minha zona de conforto.

"No início do lockdown, escrevi no LinkedIn que havia perdido muito trabalho. Eu não queria que todos pensassem que tivessem dó de mim, e na verdade acabei conseguindo novas oportunidades de clientes que me apoiaram muito e isso rendeu muitas recomendações de pessoas com quem já havia trabalhado antes.

"É claro que este ano poderia ter sido muito melhor, mas sinto que tive muitas conquistas. E embora o lockdown tenha sido difícil para a saúde mental, aprendi a confiar que basta ficar por dentro das tendências e se manter aberto, que o trabalho vem em ondas. Além disso, os momentos com menos movimento nunca são eternos.

"Eu acho que acabei me pressionando demais também. Sempre quis conseguir tudo de uma vez e o confinamento me forçou a desacelerar um pouco. Na semana anterior ao lockdown, lembro que estava muito ansioso, mas quando o confinamento realmente aconteceu, me senti muito tranquilo em poder parar.

"Quando eu olho para trás e vejo tudo o que aconteceu este ano, foi muito bom de várias maneiras, pois sinto que tenho mais confiança e estou mais feliz do que estava antes. Aprendi a me aceitar e a lidar com os problemas do meu passado, para que outras coisas que surjam no meu caminho não pareçam tão assustadoras".

Lição de vida: a importância da flexibilidade

Lucy Shrimpton, 39, de Hampshire, é especialista em sono e fundadora do The Sleep Nanny.

"A principal lição que 2020 me ensinou foi a importância da flexibilidade. Seja nos negócios ou na maternidade e em todos os aspectos da vida, a flexibilidade pode ser a diferença entre prosperar ou padecer em tempos difíceis.

"Os pais tiveram que ser flexíveis no trabalho e no cuidado dos filhos, bem como na educação em casa, e isso foi extremamente desafiador para mim, já que sou mãe e dona de uma empresa, e meu marido também tem o próprio negócio.

"Agora entendo como a flexibilidade é vital e aprendi que às vezes não há problema na imperfeição. Aprendi a deixar de tentar fazer tudo com os mais altos padrões o tempo todo.

"Às vezes, não há problema em deixar as roupas sujas ou os e-mails esperarem até o dia seguinte. Se meu filho precisa de uma pausa nas aulas online e eu estou tentando imprimir o trabalho dele, cuidar das crianças com os laptops em salas diferentes, lutar com um sinal Wi-Fi terrível e, ao mesmo tempo, gerenciar minha equipe e dirigir uma empresa... não há problema em deixar tudo de lado, parar e colocar o foco no que realmente importa, família e diversão.

"Este ano me lembrou porque eu faço o que faço e qual é o meu propósito. Pretendo levar essas lições para 2021 para que esse seja um ano incrível nos negócios e na vida pessoal".

Lição de vida: o poder de uma rede de apoio

Cheryl MacDonald, 41, é instrutora de ioga e fundadora do YogaBellies.com. Ela é de Glasgow, mas mora em Singapura.

"Este ano foi difícil para todos nós, no âmbito emocional e financeiro. A lição mais importante que aprendi foi que devemos apoiar uns aos outros e falar com as pessoas quando precisamos de ajuda. Ninguém é totalmente autossuficiente. Todos nós precisamos de amor e apoio e, quando necessário, é importante entrar em contato com outras pessoas que também podem estar precisando de ajuda.

"Também aprendi sobre a necessidade de ser flexível: as aulas passaram a ser online, o que foi um pouco complicado no começo, mas acabou sendo uma salvação para as pessoas que precisavam dessa rotina, conexão e fonte de condicionamento físico enquanto estavam presas em casa. A ideia é encontrar novas maneiras de fazer as coisas e não perder as esperanças".

Lição de vida: não ter planos de vida

Bernard McMahon, 69, de Sheffield, é presidente-executivo da Being Well.

"Este ano, aprendi que, por mais que você planeje cuidadosamente o futuro, não é possível prever como serão as coisas na realidade. Ser adaptável e ter a mente aberta é o mais importante. Devemos aproveitar ao máximo as oportunidades que aparecem e equilibrá-las com relacionamentos, família e amigos.

"Por último, é bom não considerar nada como garantido e aceitar o inesperado".

Lição de vida: coisas boas acontecem para quem se dedica

Louisa (Wizzi) Magnussen, 31, de Woking, é fundadora do Minds Anonymous, um site que ela criou este ano depois de perder o emprego.

"O que aprendi em 2020, principalmente devido à pandemia, foi que, com uma visão, uma meta e o compromisso de mudar, tudo é possível.

"Quando lancei o Minds Anonymous, pensei que seria apenas um blog para os meus objetivos, e então refleti que talvez isso pudesse ser útil para outras pessoas. Vi que estava certa porque o blog teve mais de 5.000 visualizações desde o lançamento, mais de 30 histórias compartilhadas e estamos aumentando a compreensão e reduzindo o estigma associado à saúde mental todos os dias. Então, se você tem um sonho, vá em frente, trabalhe nele todos os dias. Coisas boas acontecem para quem se dedica.

"Aprendi que não fazer nada é o pior inimigo. No caso de uma situação ruim, como a perda de um emprego ou afastamento em licença como eu, em vez de canalizar essa energia para ficar com raiva ou triste, o melhor é tomar uma atitude.

"Tenha uma ideia, pense no que o mundo precisa e na diferença você quer fazer na sua vida. Use esse momento de incerteza sobre o que está acontecendo ou para onde sua vida está indo para definir um foco. Comece um projeto e siga em frente. É preciso continuar progredindo e crescendo.

"2020 me ensinou que, para quem continua tendo iniciativa, avançando e trabalhando muito, coisas boas podem acontecer".

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Lição de vida: o valor do exercício para a mente

Jemma Thomas, 39, de Carshalton, é personal trainer e fundadora da JemmasHealthhub.com.

"Assim como muitas pessoas, tive alguns dias de tristeza durante os lockdowns, mas o importante para uma personal trainer é a necessidade de montar uma rotina e de incentivar outras pessoas.

"Saber que eu tinha que acordar às 5h30 todas as manhãs para inspirar meus clientes foi um ótimo estímulo, ver a felicidade e o entusiasmo deles realmente me ensinou o valor do exercício físico e como ele pode melhorar a mentalidade de uma pessoa.

"Também aprendi que é normal não se sentir 100% o tempo todo. Não devemos nos pressionar e é preciso encarar um dia de cada vez".

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