'LGBTQs foram usados por Bolsonaro', diz Fernando Grostein Andrade

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 19.09.2017 - Fernando Grostein Andrade durante evento em São Paulo. (Foto: Zé Carlos Barretta/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 19.09.2017 - Fernando Grostein Andrade durante evento em São Paulo. (Foto: Zé Carlos Barretta/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fernando Grostein Andrade, 41, contrapõe falas de Jair Bolsonaro, de Marielle Franco e de povos indígenas com a sua própria voz no trailer do documentário "Quebrando Mitos", que estreia no próximo dia 13 no YouTube. O filme intercala a história do cineasta com o que ele chama de "descalabros de Bolsonaro",

"Desde criança eu escuto: 'Seja homem', 'vira macho', 'homem é forte', 'homem não chora'. Masculinidade não precisa ser catastrófica", diz o diretor em prévia do filme. Depois, ele antecipa um dos focos da produção: "Como os LGBTQs foram usados por Bolsonaro como alavanca eleitoral, mas a resistência só cresce".

O documentário ganhou destaque na semana passada após Grostein Andrade, que é irmão do apresentador Luciano Huck, explicar à revista piauí por que escolheu essa abordagem para o filme. No relato detalhado, ele revelou ter sido estuprado duas vezes.

Ele disse que inicialmente o filme abordaria apenas a vida de Jair Bolsonaro, mas contou que o resultado ficou "inassistível". "Eram tantos descalabros, que a primeira edição do documentário causou forte repulsa em quem viu", afirmou.

Foi quando surgiu a ideia de mesclar um pouco da sua própria história, para mostrar um outro lado da questão, sob o ponto de vista de quem é afetado por falas do presidente. O cineasta contou que começou a receber mensagens de ódio em 2011, após lançar o documentário "Quebrando o Tabu", sobre a descriminalização das drogas.

Em 2017, quando revelou publicamente que é gay, Grostein Andrade diz que as coisas pioraram, mas foi a partir de 2018, quando Bolsonaro estava para ser eleito, que ele passou a receber ameaças de morte. Apavorado, mudou-se para os Estados Unidos com o marido, o ator Fernando Siqueira.

Foi Siqueira, que se tornou codiretor do filme, quem gravou o depoimento do cineasta. Um deles é sobre o primeiro estupro, quando tinha 14 anos. "Desde então, passei a anular o meu modo de ser: empostava a voz, para fazê-la mais grossa, e me reprimia na hora de caminhar, para parecer mais masculino", conta.

Ele contou que a situação se repetiu 14 anos depois. "Aos 28, fui estuprado mais uma vez, porém sobre este episódio não consigo falar ainda", afirmou.

Grostein contou ainda ter sido sequestrado por um garoto de programa e ter perdido a virgindade aos 17 anos de forma forçada, com uma mulher, por incentivo dos amigos da época. "A homofobia pode ser tão cruel que é capaz de tirar o direito de a pessoa ter sua primeira relação sexual de maneira privada, com quem deseja e escolheu de verdade", lamentou.