Lençóis Maranhenses: um guia para desbravar um dos cenários mais lindos do país

Carol Fiacadori Lima
·7 minuto de leitura

Uma imensidão branca dividida em dunas invade os olhos de quem chega ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses - o ecossistema mais original de todo o país. A areia branca e infinita e os lagos entre entre os bolsões formam uma das combinações mais indescritíveis do Brasil.

Apesar de ser um destino bastante cobiçado, antes de desembarcar na região, esteja atento aos períodos mais indicados para visitar os Lençóis. As chuvas são as responsáveis pelo enchimento das lagoas, então, dependendo da época escolhida, a experiência pode não ser prazerosa. E, fora os meses mais indicados, para visitar o Parque Nacional, normalmente o turista se hospeda em uma das três cidades dos arredores: Barreirinhas, Atins ou Santo Amaro.

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Pensando nisso, reunimos um guia completo para você programar sua viagem ao Maranhão da melhor forma.

Quando ir?

Apesar das mudanças climáticas drásticas que enfrentamos nos últimos tempos, parece que o ciclo das águas dos Lençóis Maranhenses é realmente certeiro. O primeiro semestre é o período de chuva na região e, consequentemente, as lagoas enchem e o volume de água aumenta a cada ano.

Para entender o funcionamento, lembre-se das aulas de geografia da escola: são nos primeiros seis meses do ano que as chuvas constantes abastecem o lençol freático, que transborda e formam as lagoas em meio às dunas. Mas, a partir de junho, o cenário começa a mudar. As chuvas cessam e o sol volta a brilhar quase o dia todo e, então, aos poucos, os lagos secam e, em outubro, o nível da água já diminui bastante e começa a ser o mês menos indicado para visitar a região.

Então, anote: caso você queira encontrar cenários paradisíacos, lagoas cheias e dunas reluzentes, prepare-se para embarcar na época da seca, antes que a água comece a evaporar. Sendo assim, o melhor período para desbravar o Parque Nacional é entre junho e setembro - nestes meses, você será presenteado com um bom nível de água e o sol escaldante que deixa os dias ainda mais prazerosos, iluminando os tons azul e verde das lagoas.

Mas, caso sua agenda só tenha disponibilidade em outros períodos, atente-se ao que você pode encontrar. A época de chuvas mais intensas acontece entre os meses de janeiro e maio. No início do ano, as lagoas ainda estão secas e começam a encher com o volume de água que pode ser gerado. Além disso, o tempo pode, muitas vezes, estar nublado e tirar o encanto das águas, que brilham apenas com o sol.

No entanto, alguns cenários também podem depender da região escolhida para se hospedar. Caso você esteja em Atins entre os meses de junho e setembro, você encontrará lagoas com um nível de água mais baixo. Ao contrário de Barreirinhas, que tem a melhor cheia neste período. Apesar de outubro não ser o mês mais indicado para visitar o Parque, se você se hospedar em Santo Amaro, provavelmente encontrará lagoas carregadas - mas, tudo isso também depende da temporada de chuvas, que pode ser boa, ou não.

Como chegar?

Para desembarcar no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, o aeroporto mais indicado é o de São Luís, capital do Maranhão, que está a 240 quilômetros de Santo Amaro, 260 de Barreirinhas e 260 de Atins - que ainda precisa de mais uma hora de barco para completar a travessia.

Para chegar até Santo Amaro e Barreirinhas, você pode optar por alugar um veículo. Mas, atente-se às regras da região e faça seus deslocamentos de acordo com o que é exigido. Na área do Parque Nacional, não é permitido transitar veículos que não sejam credenciados pelo ICMBio.

Onde ficar?

Engana-se quem pensa que se hospedar nos Lençóis Maranhenses é tão simples assim. Mas, calma! Também não é nenhum bicho de sete cabeças. Primeiro, é necessário escolher uma base - seja nas cidadezinhas de Santo Amaro, Barreirinhas ou Atins. Afinal, os 155 mil hectares podem ser muito bem divididos entre três localizações.

Caso você opte por Santo Amaro, saiba que você fez uma boa escolha. O vilarejo está ao lado do Parque Nacional e, de carro, você chega nas lagoas em apenas 10 minutos. Mas, caso você prefira caminhar e observar os cenários paradisíacos, os 45 minutos de suadeira valerão a pena. Como dito anteriormente, caso você esteja hospedado por ali em outubro, provavelmente dará sorte ao encontrar lagoas cheias, pois é a área que tem mais acesso às águas do que qualquer outro vilarejo.

Lencois Maranhenses National Park -    Santo Amaro do Maranhao.
Lencois Maranhenses National Park - Santo Amaro do Maranhao.

Barreirinhas é a capital dos Lençóis Maranhenses e é o vilarejo que oferece mais infraestrutura aos turistas. Por ali, um leque de opções com pousadas e transportes diretos de ida e volta a São Luís, além de ser ponto de acesso a Atins, Delta do Parnaíba e Jericoacoara. Fora as lagoas do Parque Nacional, a região também abriga diferentes passeios, como o circuito da Lagoa Bonita - uma das experiências mais marcantes dos Lençóis e idas ao Rio Preguiça, flutuação no Rio Formiga e o circuito de quadriciclo nos Pequenos Lençóis. Dependendo da sua disponibilidade, tanto financeira quanto aventureira, aproveite para sobrevoar todo o parque e observe as belezas de um outro ângulo.

Em Atins, a rusticidade impera! Então, caso se hospede por lá, não espere por uma grande infraestrutura. É o vilarejo que oferece menos pousadas (e, apesar das poucas opções, há acomodações extremamente bem avaliadas) e restaurantes, tem ruas de areia, mas, ainda assim, não deixa o charme de lado. Neste braço do Lençóis, o kitesurf chama a atenção de moradores e turistas e, inclusive, tem uma temporada extensa, que vai de agosto até janeiro. A região é ainda conhecida por abrigar diversos andarilhos, pois é ponto de partida aos aventureiros que desejam fazer caminhadas pelo parque, com destino a Santo Amaro.

Praias, lagoas, lençóis maranhenses.
Praias, lagoas, lençóis maranhenses.

O que fazer?

Visitar os Lençóis Maranhenses é encontrar água, dunas, areia branquinha e um sol reluzente. Afinal, você desembarca em um dos patrimônios nacionais e um dos parques mais belos do país. Os cenários paradisíacos são muitos e podem ser divididos entre as principais três bases da região.

Em Santo Amaro, seja qual for a lagoa escolhida, saiba que você apreciará uma paisagem única e estará rodeado de muita beleza natural. Normalmente, as lagoas de Santo Amaro são indicadas àqueles que não querem se deslocar tantas vezes em um único roteiro. Ainda nesta área, aproveite para desbravar a Lagoa das Andorinhas, com água cristalina em tons de azul e uma calmaria que traz relaxamento completo. Curta o pôr do sol e veja um dos espetáculos mais belos da natureza.

Já as Lagoas do Circuito de Betânia merecem um dia todo dedicado somente a elas. É a rota mais longa e há diversos poços de água à espera de turistas. Ali, além do encontro das dunas com as lagoas, há manchas de vegetação no meio do areal que, normalmente, se encontram com um rio. Bem próximas à Santo Amaro, também é um bom lugar para admirar o sol caindo.

O Circuito das Emendas também é uma excelente pedida, principalmente àqueles que adoram desbravar novos cenários pelas caminhadas. Normalmente, o passeio é feito com a orientação de um guia, que mostra os caminhos para descobrir as lagoas interligadas. Em um certo momento, você subirá em uma duna e terá um panorama de 360 graus de diversas lagoas - é, literalmente, uma paisagem de perder o fôlego. Normalmente, a caminhada pode girar em torno de três a quatro horas, mas a recompensa acontece durante todo o trajeto.

Além das lagoas, é importante desvendar os centros dos vilarejos - seja em Santo Amaro, Barreirinhas ou Atins. Todos têm seus encantos e charmes e a rusticidade da infraestrutura torna os locais ainda mais especiais.