Leila Lopes foi estrela de novela, acabou em pornô e teve final de vida trágico

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A morte de Leila Lopes completa 13 anos, em dezembro, e ainda intriga os fãs da artista. A atriz, que está no ar na reprise de "O Rei do Gado" (TV Globo), foi encontrada morta em casa, aos 50 anos, em 2009. À época, o caso foi registrado pela Polícia Civil como "provável suicídio".

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, publicada naquele dia, foram encontradas caixas de remédios vazias e um prato com restos de comida misturados a veneno de rato. Além de uma carta de despedida escrita por ela.

No texto, a artista dizia que teve "uma vida linda", mas não soube administrar o dinheiro que ganhou com os trabalhos na televisão. Além disso, ela também afirmava que foi enganada por algumas pessoas durante a carreira e não queria sofrer como a mãe no fim da vida.

"Tive uma vida linda, conheci o mundo, vivi em cidades maravilhosas, tive uma família digna, brilhei na minha carreira, ganhei muito dinheiro e ajudei muita gente com ele. Realmente não soube administrá-lo e fui ludibriada por pessoas de má-fé várias vezes, mas sempre renasci como uma fênix que sou e sempre fiquei bem de novo", dizia um dos trechos.

À época, de acordo com o amigo e assessor de imprensa Cacau Olliver, Leila estava "triste" com os cancelamentos de gravações do "Calcinha Justa" —programa que apresentava desde 2006 em um canal pago de conteúdo erótico.

SAÚDE

Em 2009, a atriz havia passado pelo hospital duas vezes. Na primeira, em agosto daquele ano, ela procurou uma unidade de saúde por conta de incômodos abdominais, mas a equipe médica não encontrou nada grave.

Na segunda, em outubro, Leila foi internada no hospital São Luís, em São Paulo, para a realização de uma cirurgia de retirada do útero, em razão de endometriose —caracterizada pelo crescimento do endométrio (tecido que reveste o útero e é eliminado na menstruação) fora da cavidade uterina.

ASCENSÃO E QUEDA

Leila Lopes estreou na extinta TV Manchete, no início dos anos 1990. Em 1991, a atriz foi contratada pela TV Globo para integrar o elenco de "Despedida de Solteiro".

Durante seis anos na emissora, ela participou de produções de sucesso como "Renascer" (1993), "Tropicaliente" (1994), "Malhação" (1997) e "Hilda Furacão" (1998).

Em "O Rei do Gado" (1996 - 1997), Leila interpretou Suzana, uma mulher que mantinha um relacionamento extraconjugal com Ralf (Oscar Magrini).

O personagem na trama de Benedito Ruy Barbosa garantiu a ela uma capa na revista Playboy, em março de 1997. A partir daquele momento ela se transformaria em um dos principais "símbolos sexuais" da época.

Os convites para produções na TV, no entanto, aos poucos foram desaparecendo e a atriz caiu no ostracismo. No período, ela chegou a fazer algumas pequenas participações em "Você Decide".

Leila voltou aos holofotes só em 2006, quando lançou o filme pornô "Pecados e Tentações". À época da morte, o amigo e assessor Cacau Olliver revelou que a artista teria passado a se preocupar ainda mais com o que pensavam dela após entrar para o mercado de filmes adultos.

"Ela era muito preocupada com o que outras pessoas pensavam. Principalmente, depois que ela fez o filme [pornô], que foi bom para ela recuperar patrimônio", disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

PROCURE AJUDA

Caso você tenha pensamentos suicidas, procure ajuda especializada como o CVV (www.cvv.org.br) e os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.