The Last of Us: Adaptação fiel e expansiva dos jogos, série com Pedro Pascal é mais uma obra-prima da HBO (Crítica)

The Last of Us é uma da séries mais aguardadas de 2023 e finalmente estreia em 15 de janeiro na HBO e na HBO Max, adaptação dos famosos e aclamados jogos de videogame estrelada por Pedro Pascal e Bella Ramsey. Nós do AdoroCinema assistimos os nove episódios da primeira temporada de The Last of Us e contamos nossas impressões sobre a produção.

Pense em uma adaptação de jogos que não deu certo. Provavelmente diversos nomes passaram pela sua cabeça, o que mostra a responsabilidade da HBO em transformar os eventos de The Last of Us (2013), a DLC The Last of Us: Left Behind (2014) e The Last of Us Parte II (2020) em uma série. Muitas produções falharam por não saberem como levar as histórias originais para outros formatos, tentando recriar de alguma forma a jogabilidade. Por outro lado, The Last of Us está mais preocupada em desenvolver os principais atrativos dos jogos, sua trama e relação entre os personagens, de forma fiel e também expansiva.

Por isso, o envolvimento de Neil Druckmann (diretor de criação e roteirista dos jogos) ao lado de Craig Mazin (criador da aclamada minissérie Chernobyl) no desenvolvimento desta adaptação é um dos fatores que fazem The Last of Us da HBO um enorme acerto!

Qual é a história de The Last of Us da HBO?

Os eventos de The Last of Us se passam vinte anos após a destruição da civilização moderna, como resultado de uma infecção de fungos parasitas Cordyceps. Joel (Pedro Pascal), um sobrevivente durão que vive de contrabandos, é contratado para levar Ellie (Bella Ramsey), uma garota de 14 anos, para fora de uma zona de quarentena opressiva – com a esperança de que ela ajude na cura por causa de sua imunidade à infecção. O que começa como um pequeno trabalho logo se torna uma jornada brutal e dolorosa, pois ambos devem atravessar os Estados Unidos e depender um do outro para sobreviver.

The Last of Us investe na relação entre seus personagens sobreviventes

O principal feito da série The Last of Us está no desenvolvimento da relação entre seus protagonistas, Joel Miller e Ellie Williams. Joel está quebrado por causa de suas perdas e traumas ao longo dos anos, que o fizeram desconfiar de todas as organizações; enquanto Ellie é uma órfã que nasceu neste mundo devastado. O que é inicialmente uma relação fria e que serve mais como uma missão para o protagonista, progressivamente se torna uma relação de afeto entre esses personagens conforme eles encontram um no outro uma espécie de carinho e apoio para sobreviver neste mundo – o que vai emocionar o público em diversos momentos, graças às atuações impactantes de Pedro Pascal e Bella Ramsey.

Desta forma, o elemento pós-apocalíptico serve mais como um plano de fundo para as histórias de cada um dos sobreviventes dentro deste cenário. Por isso mesmo, personagens coadjuvantes da série são importantes para a imersão na narrativa e, muitos deles, recebem um desenvolvimento maior do que nos jogos, como é o caso de Bill (Nick Offerman) e Frank (Murray Bartlett), protagonistas de um dos melhores e mais emocionantes episódios; Henry (Lamar Johnson) e seu irmão Sam (Keivonn Woodard); além de Riley Abel (Storm Reid), personagem de Left Behind. Tommy Miller (Gabriel Luna), Kathleen (Melanie Lynskey) e Marlene (Merle Dandridge) também são nomes fundamentais para a trama.

Fiel e expansiva, The Last of Us é um marco para as adaptações de jogos

Com a primeira temporada de The Last of Us cobrindo todo o primeiro jogo, e os eventos de Left Behind, a série é bastante fiel em recriar diversos elementos, ao mesmo tempo que expande e desenvolve melhor muitas coisas presentes na obra original – possibilidades que são bem utilizadas para uma adaptação em formato de série e resultado da parceria entre Neil Druckmann e Craig Mazin na criação da produção. Inclusive, a própria origem da infecção de fungos Cordyceps é explorada ao longo de alguns episódios para o público.

Como constituição do mundo pós-apocalíptico, os infectados são a principal ameaça da história, com um trabalho impressionante de maquiagem e efeitos especiais levando em conta que eles são diferenciados por estágios de contaminação: Estaladores, Perseguidores, Corredores e Verme. No colapso da sociedade, a série mostra as complexas relações e grupos organizacionais que se forma, desde as zonas de quarentena opressivas comandadas pelos militares da FEDRA, até grupo de rebeldes paramilitares como os Vaga-Lumes. Uma rica criação e composição de universo, fazendo valer todo o investimento da HBO na produção – maior que 100 milhões de dólares nesta primeira temporada.

É uma jornada imersiva e, muitas vezes intimista, onde nos conectamos aos personagens durante sua jornada atravessando os Estados Unidos e eles desenvolvem suas próprias relações e conflitos internos em um cenário opressivo e perigoso, onde não existem heróis ou vilões – diversas vezes apenas diferentes perspectivas em busca da sobrevivência. No final das contas, a produção equilibra muito bem os momentos de drama com os momentos de ação e terror, quando os obstáculos e ameaças aparecem pelo caminho.

The Last of Us é mais uma obra-prima da HBO e quebra de vez a "maldição" das adaptações. Fiel e ao mesmo tempo expansiva ao jogo original, o principal acerto da série está na manutenção da essência desta história durante os nove episódios, formada pela relação entre seus protagonistas sobrevivendo neste mundo devastado. Definitivamente, as poderosas atuações de Pedro Pascal e Bella Ramsey vão emocionar o público em uma jornada imersiva onde progressivamente encontramos a humanidade em meio ao caos.

Acima de tudo, a série é uma aula sobre como fazer uma adaptação de jogo em live-action, podendo representar uma nova fase para esse tipo de produção tanto no cinema quanto na TV. Só nos resta agora a expectativa para a continuação dessa história e adaptação dos eventos do aclamadíssimo The Last of Us Parte II (2020) nos próximos capítulos.

Os nove episódios da primeira temporada de The Last of Us serão lançados semanalmente, aos domingos, na HBO e também no catálogo da HBO Max.

NOTA: 5/5

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