Lançamento de filme sobre 'cura gay' é cancelado no Brasil e causa polêmica. Entenda

(Imagem: divulgação Universal)

A Universal Pictures cancelou o lançamento do filme Boy Erased – Uma Verdade Anulada, que entraria nos cinemas em 31 de janeirono Brasil. A decisão causou polêmica, já que o longa estrelado por Russell Crowe, Nicole Kidman e Lucas Hedges mostra um jovem gay pressionado pela família conservadora a participar de um programa na tentativa de “curar” sua homossexualidade. Houve quem viu na estratégia da distribuidora um ato de censura.

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Foi o caso de Garrard Conley, autor do livro autobiográfico no qual o filme foi inspirado. Ao ficar sabendo que ‘Boy Erased’ não seria lançado no país, ele fez um post no Twitter atribuindo o fato a uma suposta censura por parte do atual governo brasileiro. “Senti que estava por vir e é muito triste que esse tipo de coisa aconteça em um país tão bonito”, escreveu.

O ator Kevin McHale, que não faz parte do elenco do longa-metragem, foi ainda mais incisivo na acusação: “Bolsonaro é uma ameaça à comunidade LGBTQ+ brasileira. Censurar um filme sobre os perigos da terapia de conversão é só o começo”. Logo a internet entrou em polvorosa.

O escritório brasileiro da Universal Pictures justificou, por meio da sua assessoria de imprensa, que a decisão de não lançar a produção nos cinemas do país é meramente comercial, baseada na projeção do alto custo necessário para a estreia e a baixa expectativa de retorno em bilheteria.

De fato, isso é algo relativamente comum no meio. A mesma coisa acontecerá, por exemplo, com ‘Bem-Vindo à Marwen’, comédia dramática estrelada por Steve Carell e dirigida por Robert Zemeckis (‘De Volta para o Futuro’ e ‘Forrest Gump’), que assim como ‘Boy Erased’ será lançado diretamente em plataformas digitais, sem exibição em tela grande no Brasil.

Em ambos os casos, a expectativa da distribuidora era que os filmes pudessem ganhar indicações ao Oscar, que aumentassem o interesse do público em ir ao cinema. Como isto não aconteceu e as bilheterias nos EUA já não foram muito favoráveis, o estúdio resolveu tentar evitar maiores prejuízos.

Ao tomar conhecimento da resposta, Conley apagou o tweet anterior e publicou uma nova mensagem. “Aparentemente houve grande dose de confusão – justificável, de acordo com fontes brasileiras – que ‘Boy Erased’ tenha sido censurado”, escreveu na rede social. “O Born Perfect [grupo de ativistas e advogados contra as terapias de conversão sexual, a chamada “cura gay”] está estudando isso e irá compartilhar o que descobrir. Só não deixemos que isso nos distraia da situação que pessoas LGBTQ enfrentam”.

O presidente Jair Bolsonaro também entrou na polêmica, via rede social. “Fui informado de que um ator americano está me acusando de censurar seu filme no Brasil. Mentira! Tenho mais o que fazer. Boa noite a todos!”, postou no Twitter, na noite deste último domingo.

Ironicamente, dá para especular se toda esta controvérsia agora não ajudaria o filme a vender ingressos, caso ‘Boy Erased’ fosse lançado nos cinemas brasileiros. Um teste pode ser o lançamento de ‘O Mau Exemplo de Cameron Post’, outro filme norte-americano que também fala sobre “cura gay”, que tem estreia prometida para abril, com distribuição da Pandora Filmes.