Lagum honra legado de Tio Wilson em novo álbum: "Suas últimas 'bateras'"

Otávio Cardoso, Jorge, Pedro Calais e Francisco Jardim em lançamento da banda Lagum.
Otávio Cardoso, Jorge, Pedro Calais e Francisco Jardim em lançamento da banda Lagum. Foto: Reprodução/Instagram

Resumo da notícia:

  • Grupo do Ano do Prêmio Multishow, Lagum coroa 2021 com novo álbum

  • Pedro Calais e Jorge falam sobre período de superação em meio à perda de Tio Wilson

  • Músicos contaram detalhes sobre nova fase da banda mineira

Vencedora do Prêmio Multishow 2021 na categoria Melhor Grupo, a banda Lagum coroou uma intensa fase de reinvenção, marcada pelo novo álbum, lançado pouco mais de um ano após a morte repentina do baterista Tio Wilson, vítima de uma parada cardiorrespiratória aos 34 anos.

Em entrevista exclusiva ao Yahoo!, o guitarrista Jorge e o vocalista Pedro Calais abriram o coração sobre o caminho da banda mineira também formada por Francisco Jardim e Otávio Cardoso em meio a uma pandemia devastadora, uma perda irreparável e o trabalho com o disco "Memórias (De Onde Eu Nunca Fui)", que chegaria ao público ainda em 2020 e foi prorrogado para dezembro de 2021.

Para Jorge, tudo o que aconteceu nos últimos dois anos, tanto profissionalmente quanto na vida pessoal, refletiu no amadurecimento da banda. “Antes a energia da Lagum circulava por cinco pessoas. E, com a passagem do Tio, a gente teve que aprender a lidar com essa energia circular por nós quatro e colocar tudo que ele ensinou para gente de relacionamento, tanto interno quanto com os fãs, tudo o que ele deixou de aprendizado e de bom exemplo para gente”, declarou.

“A gente se respeitou bastante, se apoiou bastante, esteve o máximo presente possível com a família do Tio, com os amigos reunidos. A gente se deu o tempo para absorver isso tudo e para retomar os trabalhos. Tudo sempre com muita honra. Lidamos da maneira mais saudável e amorosa que poderia ter sido feito, com homenagens, com tudo”, refletiu Pedro.

Com o projeto reestruturado, o álbum sucessor de "Coisas da Nossa Geração", lançado em junho de 2019, seguiu uma linha mais profunda do que antes programada. “Lançar esse álbum é muito significativo para gente. Nossa cabeça já mudou bastante desde que decidimos produzir", afirmou o vocalista. “É um disco que conta com as últimas ‘bateras’ do Tio. Até coisas que ele não tinha produzido junto com a gente, a gente resgatou de ensaios que a gente tinha feito com ele, aproveitando a bateria dele”, completou.

Banda Lagum com Tio Wilson
Banda Lagum com Tio Wilson. Foto: Reprodução/Instagram

Definido como um novo passo na musicalidade do grupo mineiro, o disco é, ao mesmo tempo, uma volta às raízes. "Tem bastante rock’n roll, tem canções muito maravilhosas, músicas com instrumentos muito orgânicos, com uma cara de banda. Acho que isso tudo remete ao nosso início, da nossa sonoridade, mas que eu vejo muito sendo nosso futuro”, comentou Calais, que acredita que eles chegam mais perto da fórmula áurea de música a cada gravação, cada show e cada lançamento que fazem.

"Esse é o disco que a gente sente mais orgulho. As músicas que a gente mais gosta estão nesse disco”

E a ascensão da banda criada em 2014, à beira de uma lagoa que ambientava as reuniões dos músicos na adolescência, é vista em números. Isso porque a Lagum, nome escolhido a partir da pronúncia de lagoa em inglês, está presente entre as bandas mais ouvidas de muitas retrospectivas do Spotify compartilhadas pelas redes sociais.

“É muito legal ser trilha sonora da vida das pessoas, porque muitos artistas são trilha sonora das nossas vidas. E às vezes a gente não se dá conta que o trabalho que a gente faz é a mesma sensação que a gente tem com outros artistas. Quando a gente para para pensar nisso, eu também fiz minha retrospectiva, e falei: ‘Caramba! Eu ouvi tanto esse artista em tantos momentos, essa música me lembrar tanta coisa e é uma conexão tão forte. ne?’”, declarou o vocalista.

Dentre parcerias do novo disco com nomes como Mart'nália, a colaboração de Emicida se destacou com "Descobridor", uma música na qual Pedro confessou ter ganhado verso do rapper quando já estava pronta. "Não consigo mais imaginar essa música sem o Emicida, parece que a música estava aguardando a entrada dele. E ela ganhou uma força muito grande no momento em que ele entrou”, afirmou.

“Ele falou da maneira dele as coisas que a gente queria falar. Ter o Emicida numa música é uma honra. A gente escuta ele há muito tempo. Ele é uma das grandes referências líricas para mim. E a gente ainda teve a oportunidade de trocar algumas ideias no backstage sobre composição e sobre várias coisas”, completou o mineiro.

Sobre próximos passos, Jorge garante que a banda não se compromete com promessas porque gosta de inovar. “O mais sensato é não esperar nada. Brincadeiras a parte, terão novos lançamentos, uma mega turnê [com shows em Portugal em junho] que está chegando aí e já tem shows esgotados em São Paulo e Rio de Janeiro [marcados para janeiro]. Com certeza, vai ter novas músicas, novas parcerias, novos videoclipes", disse.

"O legal de ser da Lagum é que a gente nunca pode prometer porque a gente gosta de sempre surpreender o público com coisas que eles não esperam. Então, acho que é isso: esperem por materiais novos, mas não esperem por nada óbvio. Ano que vem, com certeza, vai ser um ano para a gente colher muitos frutos na turnê, que é em memória ao Tio, em honrar o último trabalho que ele participou com a gente", finalizou Jorge.

Confira a sequência das 10 faixas de "Memórias (De Onde Eu Nunca Fui)" com destaques para "Ninguém Me Ensinou", "Musa do Inverso", "Eita Menina" feat L7nnon e Mart'nália e "Eu e Minhas Paranoias":

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