Lady Gaga fala sobre bissexualidade e se declara para LGBT+: "Levaria uma bala por vocês"

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
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Lady Gaga comemora 50 anos da Rebelião de Stonewall (Foto: Getty Images)
Lady Gaga comemora 50 anos da Rebelião de Stonewall (Foto: Getty Images)

Por Felipe Abílio (goabilio)

Bandeiras do arco-íris e muita gente orgulhosa encheram os arredores da Christopher Street, em Nova York, nos EUA. É ali, no número 53, que funciona o bar Stonewall Inn, mesmo lugar que há exatos 50 anos serviu de palco para a revolta mais importante da comunidade LGBTQ+. O dia foi marcado de comemorações para celebrar as conquistas dos direitos da comunidade ao longo dessas cinco décadas.

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Em um palco montado no final da rua, Lady Gaga surgiu de surpresa fez um longo discurso sobre seu amor e relação com a comunidade LGBTQ+. Ela também destacou sua bissexualidade. Pensei muito no que falar para vocês hoje, qual seria a minha intenção, como iria inspirar vocês, como poderia mostrar meu amor por vocês e depois de muito pensar, cheguei nisso. Estou muito emotiva, essa comunidade continua lutando em uma guerra pela aceitação, contra a intolerância com muita bravura. Vocês são a definição de coragem. Me sinto muito honrada e privilegiada de ter sido pedida para estar aqui. Sinto isso porque hoje é o dia de celebrar cada um de vocês do jeito que são”, disse ela.

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A cantora destacou a sua bissexualidade ao dizer que não é vista assim por algumas pessoas, mas que vai lutar por mais 50 anos se a comunidade deixar. “Posso não ser considerada parte da comunidade por ‘algumas pessoas’, mesmo que eu goste de garotas às vezes. Amor verdadeiro é quando você leva uma bala por alguém, e vocês sabem que eu levaria uma bala por vocês. Vocês nasceram assim e são superestrelas. Vou continuar lutando todos os dias durante shows e, mesmo quando não estiver no palco, para levar uma mensagem simples: seja bom. Essa bondade pertence a você.”

Gaga aproveitou para exaltar o respeito que a comunidade transsexual merece e os casos de violência contra eles nos dias atuais “Dizem que aqueles que atiraram os primeiros tijolos naquela histórica noite eram da comunidade trans. A gente tem feito um tremendo progresso desde então, mas nos encontramos em um momento em que os crimes contra a comunidade trans crescem diariamente. Não vou tolerar isso", finalizou.

Donatella Versace também subiu no palco e contou que ela foi a primeira pessoa que seu irmão falecido, Gianni Versace, revelou que era gay.

Foto: Felipe Abílio/Yahoo
Foto: Felipe Abílio/Yahoo

“Meu irmão Gianni era gay. Fui a primeira pessoa que ele contou e tinha apenas 11 anos. Uma menina do sul da Itália - a parte mais conservadora da Itália. Não me importava quem meu irmão amava. Eu me importava apenas com seu bem-estar e sua felicidade ”, disse ela. “Se uma garotinha do sul da Itália pode entender isso, então certamente todos nós podemos tentar ser mais compreensivos um com o outro, mais gentis uns com os outros e abraçar todos que são diferentes de nós.”

Ao lado de Bob The Drag Queen, artista que ficou conhecido após ganhar a 8a temporada de RuPaul's Drag Race, Alicia Keys subiu ao palco e fez um pocket-show para o público.

A Rebelião

Foto: Felipe Abílio
Foto: Felipe Abílio

Em 1967, ser LGBTQ+ era considerado crime nos Estados Unidos, e mafiosos italianos ainda comandavam o comércio ilegal de bebidas em Nova York. Naquele ano, um deles, conhecido como Fat Tonny, resolveu transformar um antigo restaurante do Greenwich Village em um bar frequentado por gays, lésbicas e travestis. Era o Stonewall Inn, um lugar que vendia bebidas adulteradas, mas, ao mesmo tempo, era a casa de muitas pessoas marginalizadas na época.

“Quando as pessoas entravam no Stonewall, elas podiam andar de mãos dadas, se beijar e, o mais importante, dava para dançar”, disse o frequentador Mark Segal, em uma reportagem do The New York Times.

A máfia não era o foco das autoridades, mas, sim, o público que frequentava o ambiente: os LGBTQs. Uma lei da época definia que se uma pessoa fosse pega usando roupas de um gênero diferente ao seu, ela seria presa na hora. Três peças “adequadas ao seu gênero” era o mínimo aceito pelos policiais — e meias não contavam. Para poder correr melhor da polícia, muitas drag queens deixaram até de usar salto alto.

Mesmo recebendo propina, eram frequentes as batidas policiais no bar. No dia 28 de junho de 1969, no entanto, a noite terminaria diferente. Cansados das investidas, os frequentadores do lugar resolveram se rebelar contra a violência. “A dor, a raiva, a frustração, a humilhação, a constante insistência, a constante agitação que causaram em nossas vidas: era a hora de se livrar daquilo", afirmou ao The New York Times o frequentador Martin Boyce. "Não precisava machucar um policial, não precisava machucar ninguém, só precisava gritar.”

No mesmo dia do ano seguinte, dez mil pessoas se reuniram para comemorar um ano da revolta, dando início às paradas LGBTQ+ que acontecem hoje em vários lugares do mundo. No dia 30 de junho de 2019, ano em que se comemoram os 50 anos da Revolta de Stonewall, Nova York recebe a WorldPride, que promete ser a maior parada do orgulho LGBTQ do mundo.