‘La Casa de Papel’ tem uma alta concentração de ‘chernoboys’ por m2

Os homens de La Casa de Papel (Foto: Divulgação)

Por Elisa Soupin (@faleparaelisa)

Antes de começar a ler, um aviso: spoilers, spoilers, spoilers.

Os assaltantes mais famosos e uniformizados do mundo voltaram para um novo roubo na terceira temporada da série espanhola ‘La Casa de Papel’. Dessa vez, o alvo é o Banco da Espanha, e eles querem roubar barras de ouro, que aprendemos com o Silvio Santos, valem mais do que dinheiro.

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Já o que anda valendo bem pouco nessa temporada são os homens, que, em vários momentos dão show de machismo -- e nem o professor escapa. Veja um a um:

Denver, o “machista bem intencionado”

Denver (Divulgação)

Denver (Jaime Lorente) é aquele machista que acha que está apenas fazendo o bem. Se recapitularmos a primeira temporada, vamos lembrar que Mónica (Esther Acebo) trabalhava na Casa de Papel e era refém de Denver. Ela estava grávida de Arturito (Enrique Arce), seu ex-chefe, e pediu um remédio para poder abortar. Vale lembrar que o aborto é legalizado na Espanha. Denver era o criminoso responsável por entregar os medicamentos aos reféns. Mas, em vez de dar a pílula para ela, deu uma palestrinha, defendendo que ela mantivesse a criança. Sim, um assaltante que ela não conhece resolveu dar conselho sobre o que ela faz ou deixa de fazer com o corpo dela.

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De alguma forma, mesmo assim, ela se sente atraída por ele, eles ficam juntos e, agora na terceira temporada, ele ataca novamente. Denver faz todo um discurso defendendo que ela não participe do assalto, que ela deve ficar e amamentar e cuidar a criança, que ele foi criado para o mundo, mas ela não era ladra. Ela, que abandonou a vida dela para seguir na vida do crime com ele, agora tem que ser bela, recatada e do lar para deixá-lo despreocupado enquanto ele vai trabalhar. Nos poupe, Denver.

Arturito, o boy lixo clássico

Arturito Foto: (Dvulgação)

O que dizer de Arturito, um clássico boy lixo? Era amante da Mónica, com quem trabalhava na Casa da Papel, enquanto era casado e com três filhos. Quando ela conta sobre a gravidez, ele afirma que o filho não é dele. Na terceira temporada, sabemos que ele ficou famoso por ter sido refém do bando do Professor, escreveu até um livro sobre o assunto e dá palestras como coach. Em uma reviravolta cinematográfica, ele entra no Banco da Espanha e resolve que ali, durante o assalto, é o momento para lavar a roupa suja. Diz para Mónica que nunca a esqueceu, que sempre pensa nela, que se separou, e que agora quer conhecer o filho, e aí tenta agarrá-la. Ela saca uma arma e se defende da toxicidade dele. Sem cabimento ex que topa até ser refém para ficar por perto e ainda acha que tem direito na criação do filho que ele nem queria.

Bogotá, péssimo pai com orgulho

Foto: (Divulgação)

Esse cara acabou de chegar na série, mas já merece menção honrosa nessa lista. Bogotá (Hovik Keuchkerian) é bem machista. Em um determinado momento, ele, que é o melhor soldador do mundo, resolve dar conselhos paternos para Denver. Ele diz que um filho não pode alterar a forma de um homem viver (força mulheres, pois só vocês sabem como é ser mãe) e se comportar e que Denver não deve se privar de fazer o que gosta -- se quiser sair e voltar de porre numa quarta-feira tem que fazer exatamente isso ou acabará odiando o próprio filho.

Ele conta que tem sete filhos, cada um deles vive em um país diferente e ele não acompanha as atividades sociais, nem comparece aos eventos escolares, mas quando aparece seis meses depois ou anos, os filhos o amam e adoram porque, no final, o que prevalece é o DNA.

Logo em seguida, ele comenta como a bunda de Nairóbi fica bonita na roupa de neoprene que ela usa, assediando a colega de trabalho deliberadamente (Só porque é ladrão, não vai ter respeito?). Nairóbi coloca ele em seu devido lugar, fala que é chefe dele e que esse tipo de comentário não cabe. Ridículo.

Palermo, o gay misógino

Divulgação

Palermo (Rodrigo de la Serna) é fundamental nessa temporada: é dele e de Berlim o plano inicial de roubar o Banco da Espanha. Apesar de homossexual, isso não o torna menos machista: pelo contrário. Tem todo um discurso de inferiorização das mulheres. Diz que os homens precisam se livrar do próprio veneno e, depois, se livram do corpo que usaram para isso, e que por isso sexo entre homens é melhor. Fala que, para as mulheres, o sexo no fundo está sempre condicionado à procriação. Sério, que ano é hoje? “Vocês têm muita coisa na cabeça e nós temos uma só: ejacular, bum bum ciao”. As mulheres todas, lógico, se unem em oposição. Em outro momento, Nairóbi desmistifica o comportamento “desprendido” de Palermo, dizendo o que todo mundo pensava: você foi apaixonado por Berlim dez anos e ficou quieto e fica com esse papo de “bum bum ciao”. Arrasou, Nairóbi.

Professor, machista que precisa de terapia

Divulgação

Grande cabeça de toda a história, o Professor (Álvoro Morte) se apaixonou por Rachel/Lisboa, a ex-investigadora, que agora atua do lado da gangue. Mas não sabe como se comportar diante do envolvimento emocional que tem por ela e não aceita dividir as decisões e o protagonismo. Quando ela questiona a sugestão do Professor de que Tóquio (Úrsula Corberó) e Rio (Miguel Herrán) façam sexo com o dispositivo para que a polícia não desconfie de nada, ele simplesmente não aceita ser contrariado em uma de suas ordens.

Ela diz que sente que o problema é que ela esteja ali pensando também. Ele argumenta dizendo que a namorada o distrai e que ele sente que está traindo o grupo por estar com ela, que ele é um jogador e as coisas não podem se misturar (ZzzzzZ). Diz que não age da mesma forma com a namorada por perto. Ela o lembra, então, que é muito mais que a namorada e que ela está ali porque conhece a polícia por dentro como mais ninguém. E ele diz: conhece os protocolos e negociações e eu também, ganhei de você. Jogo baixíssimo.

Magoada com a atitude do amado, ela o lembra que a família dela está nas Filipinas em risco e ele argumenta que ela foi com ele porque quis. Depois, pede desculpa, e se declara diz que está velho e que está vivendo seu primeiro amor, que não sabe lidar com seus sentimentos e com estar apaixonado. Vamos procurar uma terapia, Professor, para aprender a lidar com os sentimentos sem machucar ninguém. Vamos aprender que mulher não precisa de carga emocional a mais. Sim, isso também é machismo.