Líderes do governo no Congresso rebatem Bolsonaro e pedem que população fique em casa

JULIA CHAIB E DANIELLE BRANT
BRASILIA, BRAZIL - MARCH 25: Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during a press conference amidst the coronavirus (COVID - 19) pandemic at the Palacio do Alvorada on March, 25, 2020 in Brasilia, Brazil. Bolsonaro recently defended the nation's return to normality and the end of social distancing and quarantine. According to the Ministry of health, as today, Brazil has 2271 confirmed cases infected with the coronavirus (COVID-19) and at least 47 recorded deceases.(Photo by Andressa Anholete / Getty Images)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Líderes do governo no Senado assinaram nesta segunda-feira (30) manifesto em que pedem que os brasileiros sigam as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e fiquem em casa, em postura que se choca com a defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo fim do isolamento social.

O documento é assinado pelos senadores Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso, e Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado, que foi quem sugeriu o documento.

Também respaldam o posicionamento líderes de partidos como MDB, Rede, PT, Podemos, Cidadania, DEM, PDT, PSB, PSD e PROS.

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O texto afirma que a pandemia provocada pelo coronavírus impõe desafios e que a experiência de países em estágios mais avançados de disseminação da doença demonstra que, "diante da inexistência de vacina ou de tratamento médico plenamente comprovado, a medida mais eficaz de minimização dos efeitos da pandemia é o isolamento social".

Os senadores defendem que somente assim será possível achatar a curva de contágio e permitir que o sistema de saúde atenda ao maior número possível de doentes, "salvando assim milhões de vidas".

O manifesto afirma que o governo deve apoiar as pessoas vulneráveis, os empreendedores e segmentos sociais que serão atingidos economicamente pelos efeitos do isolamento.

"Diante do exposto, o Senado Federal se manifesta de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde e apoia o isolamento social no Brasil, ao mesmo tempo em que pede ao povo que cumpra as medidas ficando em casa."

Para o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes, o manifesto não é uma afronta a Bolsonaro.

"Não contradito, continuo apoiando o presidente, as ações práticas do presidente. Nem no discurso eu discordo. Ele pode ter visão de cenários inerentes aos chefes de Poderes", afirmou.

Gomes diz que o Senado apenas entende que, neste momento, é importante um período maior de isolamento horizontal.

"Não é um texto endereçado ao presidente, mas à população, e como líder do governo no Congresso eu digo que o Bolsonaro tem dado as condições de que o Brasil precisa para enfrentar a quarentena."

O texto, no entanto, contrasta com o posicionamento público de Bolsonaro, que apoia a reabertura de escolas e comércios para evitar que o país caia em uma recessão econômica profunda.

Neste domingo (29), por exemplo, Bolsonaro fez um passeio por Brasília, em tour que gerou aglomeração de pessoas no momento em que a OMS e o próprio Ministério da Saúde recomendam isolamento social para evitar o contágio do novo coronavírus.

Bolsonaro falou com funcionários de supermercados e padarias e com vendedores autônomos.

Ao retornar ao Palácio da Alvorada, disse estar com vontade de fazer um decreto para liberar todas as atividades.

O movimento do presidente frustrou uma ação coordenada entre líderes políticos, membros do Judiciário, ministros e alguns militares para cobrar de Bolsonaro uma defesa efetiva das ações do Ministério da Saúde diante do avanço da doença e uma espécie de voto de silêncio dele e da família.

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