Rock in Rio: King Crimson, banda de 50 anos, estreia no Brasil

Robert Fripp, o terceiro da esquerda para a direita no clique de 1981, é o único que sempre esteve presente no King Crimson (Foto por Paul Natkin/Getty Images)

Definir o King Crimson é uma tarefa difícil. Banda de rock progressivo pode ser uma delas, mas está longe de ser a completa. Afinal, o King Crimson uniu rock progressivo, jazz, psicodelia, hard rock, heavy metal e o que mais saísse da cabeça do guitarrista Robert Fripp, único membro fixo do King Crimson nos 50 anos da banda, que somente em outubro de 2019 estreia no Brasil, com um show em São Paulo (04) e outro no Rock in Rio (06).

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Banda, aliás, é outra definição vaga para o King Crimson, que estreou abrindo shows dos Rolling Stones. Além de Robert Fripp, outros 21 músicos tocaram no King Crimson ao longo de cinco décadas. Em 1969, a formação era um quinteto. 50 anos depois, o King Crimson tem nada menos que três bateristas entre seus integrantes.

Longos hiatos marcam a história do Crimson

O congestionamento de bateristas não é a única excentricidade do King Crimson. No álbum de estreia, o fundamental ‘In The Court of Crimson King’, o já citado quinteto incluía o iluminador Peter Sinfield como letrista. Desde então a frase “a banda nunca mais foi a mesma” ganha um significado um pouco mais literal: em apenas três dos álbuns de estúdio a formação se repete.

Longos hiatos são uma constante na carreira do King Crimson. Depois de lançar sete de seus treze álbuns entre 1969 e 1974 - ano em que saíram ‘Starless and Bible Black’ e ‘Red’, com o King Crimson no formato trio - a banda suspendeu as atividades até 1981.

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Em apenas 3 álbuns a banda repete a formação

‘Discipline’ (1981), ‘Beat’ (1982) e ‘Three of a Perfect Pair’ (1984) - são os únicos álbuns nos quais o King Crimson repete a formação, com Fripp, Adrian Belew (guitarra e vocais), Tony Levin (baixo) e Bill Bruford (bateria). Destes, apenas Levin segue com Fripp, e mesmo assim ficou de fora entre 1997 e 2003, ano em que saiu o último álbum de estúdio do King Crimson, ‘The Power of Believe’, cujo baixo foi tocado por Trey Gunn, e não por Levin.

O King Crimson esteve parado também entre 1984 e 1994 - lançaram o álbum ‘Thrak’ em 1995 - e também entre 1997 e 1999, lançando ‘The Construkction of Light’ em 2000. No século XXI, a banda suspendeu as atividades de 2004 a 2007 e de 2008 a 2013.

Controle obsessivo de Robert Fripp e aversão ao streaming

O controle da obra do King Crimson é feito com mão de ferro por Robert Fripp. Quem já tentou ouvir ‘In The Court of Crimson King’ ou qualquer outro álbum de estúdio do King Crimson no Youtube sabe da dificuldade. Para se ter uma ideia, a discografia oficial do King Crimson só começou a ser disponibilizada nos serviços de streaming em junho de 2019.

A banda que não gosta de celulares deve tocar para multidão

A imagem do King Crimson também passa por um controle minucioso. O uso de celulares, câmeras de vídeo e máquinas fotográficas pelo público costuma ser proibido nos shows locais fechados, e quem descumpre a regra é convidado a se retirar.

Ironicamente, o segundo - e provavelmente último - show do King Crimson no Brasil será no Rock in Rio, ao ar livre, para um público estimado de 100 mil pessoas. Tem lá suas semelhanças com o que aconteceu 50 anos antes, quando o King Crimson estreou nos palcos abrindo para os Rolling Stones no Hyde Park, em Londres.