Como mulher e homossexual, Katie Sowers está fazendo história na NFL

Sowers durante treino dos 49ers nas vésperas do Super Bowl (Michael Reaves/Getty Images)

Por Frank Schwab, do Yahoo Sports, em Miami (EUA)

Em um jogo de pré-temporada enquanto Kendrick Bourne era novato na NFL, o recebedor do San Francisco 49ers não agarrou alguns passes.

Bourne era um jogador de Eastern Washington que não tinha sido draftado e ele estava desolado, imaginando que poderia ser dispensado.

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Uma assistente técnica chegou até ele. No momento, não importava que Katie Sowers era a rara mulher em uma comissão técnica na NFL. Era irrelevante que ela era a primeira técnica abertamente homossexual na NFL.

Ela era só uma técnica.

“Eu estava desolado, e ela veio e me acalmou”, disse Bourne. “Ela estava me dizendo para viver o momento e isso era algo que eu tinha feito minha vida inteira. Isso me acalmou de verdade, e eu acabei tendo um jogo muito bom. Eu credito isso a ela. É por isso que sempre a respeitarei.”

Bourne está em sua terceira temporada na NFL. Ele atuou em todos os 16 jogos da temporada regular pelo San Francisco 49ers. Ele recebeu cinco touchdowns e adicionou mais um dos nos playoffs. Quem sabe como as coisas estariam para Bourne se Sowers não estivesse lá para apoiá-lo em um momento crítico.

Sowers é única. Ela é uma pioneira de múltiplas formas. Ela fará história no domingo (2) ao se tornar a primeira técnica mulher e homossexual no Super Bowl. Os jogadores dos 49ers não esquecem disso, mas não é algo extremamente diferente para eles.

“Nah”, disse o recebedor Deebo Samuel. “Uma técnica é uma técnica.”

Katie Sowers é uma pioneira

Sowers foi bastante requisitada na segunda durante a noite de abertura do Super Bowl. As dez estrelas de cada time e os head coaches (os técnicos principais) ganharam pódios atrás de uma área cercada, enquanto o restante dos jogadores e membros das comissões técnicas andavam no meio da imprensa dando entrevistas. Sowers estava na área cercada, provavelmente porque os 49ers sabiam que ela receberia muitas questões.

E ela recebeu. Um funcionário dos 49ers a conduziu pela fila de jornalistas que aguardavam. O bolo que a cercava nunca diminuiu durante o período de uma hora. E Sowers, ciente de sua posição como exemplo para várias pessoas, pareceu nunca se cansar de responder as perguntas.

Existe muita história sendo reescrita em todo Super Bowl, mas a história de Sowers é única.

“Em um ponto da minha vida, quando eu me sentia perdida, eu escrevia meus objetivos”, disse Sowers. “Eu queria fazer algo que ninguém nunca tinha feito anteriormente, e realmente ser uma pioneira.”

Não existia um caminho para Sowers naquele ponto. Mas ela encontrou o futebol americano. Ela passou oito anos jogando em uma liga feminina de futebol americano, a Women’s Football Alliance. E em 2014, ela viu Becky Hammon fazendo história ao se tornar a primeira mulher assistente técnica na história da NBA e escreveu um tweet que se tornou profecia.

O grande passo de Hammon permitiu que Sowers pensasse em ser uma técnica de futebol americano, e Sowers espera que ela esteja fazendo o mesmo para outras mulheres.

“Se você não ver, você não consegue sonhar sobre isso”, disse a técnica.

Sowers quando ela estava treinando a filha de Scott Pioli, então assistente do gerente do Atlanta Falcons, em um time júnior de basquete. Pioli ajudou Sowers a conseguir um emprego como assistente ofensiva dos Falcons em 2016. Hoje, ela está em seu segundo ano com os 49ers, sendo levada para a Bay Area por Kyle Shanahan.

É algo bem diferente do que ela fazia dez anos atrás, quando era educadora em uma escola em uma escola primária e recebia 800 dólares por mês.

“Eu amava meu trabalho, mas eu sabia que eu deveria ser uma técnica”, disse Sowers.

Katie Sowers ajudou Kendrick Bourne em um momento importante de sua carreira (AP Photo/Tony Avelar)

Sowers é popular nos 49ers

Os jogadores dos 49ers gostam do estilo de Sowers.

“Ela é uma das técnicas mais legais que estive por perto!, afirmou o recebedor Emmanuel Sanders. “Ela é bem tranquila e você precisa disso em alguns momentos. Especialmente em uma área em que existe muito caos e stress. Você precisa de uma voz que acalma e diz que tudo ficará bem.”

“Quando eu participo dos treinos como defensive back, eu digo ‘Não se preocupe, não será tão difícil assim em um jogo’”, disse Sowers. “Eles amam isso, eles amam quando eu brinco.”

Volte a Bourne e como Sowers o ajudou a se recuperar em um jogo que provavelmente salvou sua carreira. Vozes e perspectivas diferentes podem ajudar a moldar um time. Ter uma comissão técnica diversa pode ser importante para alcançar sucesso.

“Eu me pareço mais com uma professora. Não fico gritando”, disse Sowers. “Bill Walsh sempre disse que a coisa mais importante que você pode falar para alguém é ‘Eu acredito em você’. E isso é verdade. Quando você acredita em alguém e demonstra isso, você verá progresso.”

Em 2015, Jen Welter se tornou a primeira mulher a ter um cargo de assistente técnica da NFL com o Arizona Cardinals. Quatro anos depois, o Tampa Bay Buccaneers se tornou o primeiro time a ter duas técnicas mulheres: Maral Javadifar como assistente de preparação física e Lori Locust como assistente na linha defensiva. Existirão mais técnicas mulheres por causa do sucesso de Sowers e outras. 

“Não vejo razão para não termos”, disse Sanders. “Não tenho nenhum problema com isso.”

“Estes caras são totalmente profissionais”, afirmou Sowers. “Se eles sabem que você está lá para ajudar eles, eles compram a ideia.”

Neste Super Bowl, Sowers é uma grande história. Ela está em um comercial do tablet Microsoft Surface. Ela é um nome importante, especialmente para as garotas e mulheres que entram em contato com ela regularmente. Existe uma razão pela qual ela foi bastante requisitada na noite de segunda. Mas ela acredita que em algum momento, uma mulher treinando na NFL será normal.

“Teremos sucesso quando isso não for uma manchete”, afirmou Sowers.

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