BBB21: Karol Conká assediou Arcrebiano?

Marcela De Mingo
·6 minuto de leitura
Karol Conká foi com tudo para cima de Arcrebiano na festa do 'BBB 21' da última quarta-feira (3) (Foto: Reprodução / Montagem)
Karol Conká foi com tudo para cima de Arcrebiano na festa do 'BBB 21' da última quarta-feira (3) (Foto: Reprodução / Montagem)

Se é para conversar sobre assédio, será possível ignorar quando ele acontece com um homem? Pois é. Essa foi a discussão levantada na noite de quarta-feira (3), durante a festa que aconteceu no 'Big Brother Brasil 21', da Globo.

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As investidas da rapper foram tão intensas que, no fim das contas, a ficada rolou. Mas a que custo? Fato é - e usuários do Twitter foram bastante incisivos nisso - se os papéis fossem trocados e Arcrebiano tivesse forçado um beijo para cima de Karol Conká, as cornetas do assédio estariam soando altas.

Porém, não é o que se tem visto. Durante a balada, Karol abraçou e tentou, mais de uma vez, dar um beijo em Bil, que desviou o rosto e pediu calma. No fim, ela soltou um "é só um selinho", e o beijo rolou. A coisa foi esquentando ao longo da noite até os dois passaram um tempo juntos com certa agitação por baixo do edredom.

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Mas, diante de tudo isso, temos duas questões a levantar. A primeira já foi citada. Seja sob influência do álcool ou por mera estratégia embasada no desejo, forçar alguém a fazer algo que ela não quer pode, sim, ser considerado assédio.

É, de fato, um assunto delicado. Karol já se mostrou uma pessoa extremamente polêmica na sua participação da casa, agindo com violência em relação aos outros participantes - quem lembra do início da semana, quando ela disse que Lucas só comeria depois que ela saísse da mesa? -, e sendo muitas vezes agressiva sobre seus posicionamentos, sobre o que pensa e, principalmente, sobre o que quer. A impressão que temos, olhando de fora, é que ela não aceita um "não" como resposta e vai encontrar uma forma de conseguir aquilo que almeja.

Por um lado, isso pode ser visto como uma atitude positiva, de alguém que sabe o que quer para a própria vida (estamos falando aqui de ser enfática, o que é legítimo) e vai atrás de realizar os seus sonhos. Porém, essa linha é tênue, e passar para um comportamento abusivo e até impositivo, que passa por cima das liberdades e dos quereres alheios, é fácil.

No fim das contas, é válido levar para a balança de como essa atitude de Karol seria vista se os papéis fossem trocados. Se Bil tivesse forçado um beijo em Karol, com certeza os gritos internet afora seriam de assédio. E não dá para negar que a forçação de barra, com certeza, recai nessa âmbito.

Ah, importante incluir aqui uma informação: não estamos falando de machismo reverso. A maneira como Karol agiu caracteriza, sim, assédio, no entanto, é uma situação muito distante da violência e do desrespeito que as mulheres sofrem todos os dias. Pontuar a atitude da rapper é essencial para tornar a conversa cada vez mais normalizada e igualitária, mas não muda o fato de que esse é um ponto fora da curva em uma realidade que é cotidiana para as mulheres.

Dito isso, vale sempre lembrar que o assédio sexual é contemplado pelo Código Penal brasileiro. Segundo o Artigo 216-A o assédio sexual é caracterizado por "constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função". A pena pode ser de um a dois anos de detenção.

A lei também previne o que é chamado de "importunação sexual", ou seja, "praticar contra alguém e sem a sua anuência [sem o consentimento] ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro". Aqui, a pena é de um a cinco anos de reclusão, se o ato não constituir um crime mais grave.

Esses lembretes são importantes, principalmente, porque o número de crimes de assédio e importunação sexual que não são denunciados no Brasil são imensos, o que, inclusive, colabora para a cultura de impunidade que acontece por aqui.

O que nos leva, aliás, ao segundo ponto importante a ser discutido.

A questão da masculinidade tóxica

Essa história tem, de fato, muitos nuances, mas um que não podemos deixar passar é o fato de que Bil topou dar um selinho em Karol mesmo estando claramente incomodado com a situação. É impossível dizer exatamente o que se passava na sua cabeça ou o que ele sentia naquele momento, no entanto, o desconforto era claro.

O conceito de masculinidade tóxica pode nos ajudar a entender melhor o que aconteceu. Isso porque existe na nossa sociedade uma ideia de que os homens são os provedores da casa, os machos alfa, que precisam provar que são dignos desses papéis sociais (não à toa tantos homens ficam incomodados com mulheres que ganham mais do que eles, por exemplo).

Essa crença determina que um homem não pode não ficar com uma mulher - como se isso fosse um ataque à sua masculinidade. Diante de outros como ele, esse cara precisa provar que é macho, que é pegador, e que sabe o que faz para ser aceito entre os demais.

Porém, isso leva a situações como essa, em que Arcrebiano, claramente desconfortável, topa dar um beijo em alguém que, provavelmente, ele não queria beijar. Mas em nome de toda uma questão social e do meio em que vive, isso parecia quase necessário. Afinal, como assim um homem vai negar beijar mulher?

É verdade que os dois terminaram a noite juntos, ficaram mais, trocaram carícias embaixo do edredom, mas a cena de desconforto deixa na boca um gosto agridoce no sentido de: será mesmo que era isso que ele queria ou ele fez só por convenção social? O que seria dito dele se ele fosse firme no posicionamento e negasse ficar com Karol?

Considerando o comportamento explosivo demonstrado pela rapper até agora, é difícil prever o que ela faria. No entanto, é mais plausível acreditar que Bil poderia se sentir menos aceito pelos seus semelhantes por conta disso. Não que isso fosse, de fato, verdade, mas é algo a se pensar considerando a maneira como a sociedade funciona.

Enfim, o 'BBB 21' começou a menos de duas semanas e as polêmicas só aumentam. O melhor, talvez, seja usar o que acontece lá dentro para trazer questionamentos relevantes que gerem mudanças e, se necessário, desligar a TV em nome da saúde mental - uma pena, já que o respiro era mais que necessário, dando a situação que vivemos hoje em dia.

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