Karim Aïnouz dedica filme a Lula e público responde com aplausos no Marrocos

MARRAKECH, MARROCOS (FOLHAPRESS) - Em seu primeiro retorno ao Magrebe depois de homenagear a região de origem de seu pai nas telas, o cineasta Karim Aïnouz, de "O Céu de Suely" e "A Vida Invisível", decidiu dedicar "O Marinheiro das Montanhas" ao presidente eleito Lula, do PT.

Selecionado para uma das mostras paralelas do Festival de Cinema de Marrakech, no Marrocos, o documentário ganhou sessão seguida de bate-papo na noite deste sábado (12).

Apesar de um público formado quase que exclusivamente por marroquinos, a menção ao petista antes da sessão e a lembrança de sua vitória recente no segundo turno provocaram aplausos entusiasmados no auditório do museu Yves Saint Laurent, dominado principalmente por jovens.

Exibido em sessão especial no Festival de Cannes do ano passado, "O Marinheiro das Montanhas" é um aglomerado de imagens gravadas por Aïnouz em sua primeira visita à Argélia, país onde nasceu seu pai, que esteve ausente de sua vida até os 18 anos de idade. Depoimentos, reflexões, imagens de arquivos e registros aleatórios são costurados por meio de uma carta que o cineasta lê em cena para a mãe.

Desde que finalizou o longa, ele não retornou à Argélia, então diz ter sido com entusiasmo que aceitou participar do Festival de Marrakech, já que, assim, ao menos devolveria o filme ao Magrebe.

Após a sessão, Aïnouz voltou a mencionar Lula e brincou com a importância do vermelho em seu documentário --símbolo do PT, ela é onipresente porque sua mãe estudava algas vermelhas e esta acabou por se tornar a sua cor favorita.

Por mais distante que seja geográfica e culturalmente, o evento marroquino voltou de um hiato pandêmico de dois anos com outros dois exemplares brasileiros na seleção.

Além de "O Marinheiro das Montanhas", também ganham sessão "Mato Seco em Chamas", de Joana Pimenta e Adirley Queirós, na mesma seção paralela, e "Canção ao Longe", de Clarissa Campolina, que está na mostra principal e compete pelo grande prêmio do evento, a Estrela de Ouro.

O primeiro é mais um da safra de títulos do Centro-Oeste que peitam o conservadorismo da região com tramas politizadas --neste caso, uma revolta feminista em meio ao Brasil de Bolsonaro--, enquanto o segundo acompanha uma jovem que busca sua identidade, mas se vê dividida entre a mãe e a avó, brancas e de classe média, e o pai, um homem negro estrangeiro.

O repórter viajou a convite do Festival de Cinema de Marrakech