Kanye West e Kim Kardashian: por que mulheres confiantes são uma ameaça?

Kim Kardashian e Kanye West no MET Gala deste ano. (Foto: Getty Images)


Em maio deste ano, Kim Kardashian desafiou as leis da física ao usar um vestido tão justo no baile do MET que ela, literalmente, precisou ficar de pé a noite inteira. O modelo, feito sob medida pela marca Thierry Mugler, chamou a atenção não só pela beleza, mas por ser tão justo que Kim precisou de aulas de respiração para passar as horas da festa com o corset que ia por baixo.

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Durante o episódio do último final de semana do reality Keeping Up With The Kardashians, porém, o público descobriu que Kanye West, marido de Kim, não ficou muito contente com a escolha do modelito, e explicou que o estilo sexy da esposa estava "machucando a sua alma". "Você é minha esposa, e me afeta quando as fotos são muito sexys".

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Na discussão do casal, Kanye questiona para quem Kim estava usando o corset ousado e qual a necessidade de mostrar o corpo da forma como ela tem mostrado - não é nenhuma novidade que a empresária tem explorado a sua sensualidade no Instagram e na vida real, com vestidos bastante ousados e reveladores, deixando pouco para a imaginação.

Em contrapartida, Kim respondeu que o próprio Kanye a incentivou a ser mais sexy e fazer o que ela sentia que deveria para se sentir confiante. "Você me incentivou a ser essa pessoa sexy e confiante, e só porque você está nessa jornada, não significa que eu estou no mesmo ponto que você", disse ela, fazendo referência às mudanças que Kanye tem feito nos últimos meses.

Ver uma mulher recebendo críticas pelo próprio corpo ou pela forma como se comporta não é nenhuma novidade. Aliás, é bastante comum encontrarmos por aí críticos de plantão, prontos para falar o que bem entendem sobre a forma como uma mulher se veste ou pelas fotos que tira, desvalorizando a sua capacidade intelectual por conta da sua imagem.

Um estudo feito em 2017 pela ONG Girlguiding comprovou que as meninas se sentem limitadas pelos padrões de gênero, e, aos 7 anos de idade, já acreditam que são mais valorizadas pela sua aparência do que pelo seu caráter.

Outra pesquisa, feita recentemente pela Dove, revelou que apenas 11% das meninas com idade entre 8 e 16 anos se consideram bonitas - e isso tem efeito direto na sua vida social, já que sete entre 10 meninas deixam de participar de eventos importantes porque não se sentem confortáveis com a própria imagem.

Isso tudo, aliás, explica o porquê de tantas críticas e porque o comportamento de Kanye West parece tão contraditório diante da confiança da esposa. Segundo Deborah De Mari, sócia fundadora e presidente do Força Meninas, é possível perceber que os homens - e a sociedade como um todo, na verdade - têm dificuldade de lidar com mulheres em posições de liderança e com um posicionamento forte, justamente porque a sua confiança é vista como uma ameaça. "A ameaça que meninas e mulheres fortes demonstram relaciona-se ao conceito de que elas estão descontextualizadas de seus lugares de fala. Sendo assim, para grande parte dos homens o ataque a liberdade de expressão que estas mulheres expressam é visto como uma ameaça", diz.

Aliás, críticas a Kim Kardashian não faltam, mas é um fato que, atualmente, ela é uma das maiores empreendedoras do mundo, e tem uma carreira e uma fortuna que impressionam. Dona de um império gigantesco ao lado das irmãs e da mãe, é preciso considerar que ela pode, sim, ser uma referência de confiança e sensualidade para meninas e mulheres que sempre temeram gostar do próprio corpo e isso, de fato, é essencial.

O mesmo vale para nomes como Greta Thunberg, a adolescente ativista que tem dado o que falar mundo afora, e que, apesar de atuar de outra maneira e em outro contexto, também tem sido desmoralizada tanto pela sua idade quanto pelo seu gênero.

"Se uma menina não pode ver, ela não sonhará em ser. Exemplos e histórias de vida são ferramentas de essenciais para que uma menina aumente seu repertório e consequentemente seu pensamento crítico, para que consiga pensar em seu futuro de forma mais ampla e tenha mais recursos para tomar suas decisões", diz Deborah.